A omissão habitual

Incêndio em boate de Santa Maria (RS) / Foto: Germano Roratto/Agência RBS/Estadão ConteúdoNão, nem todas as mortes são estúpidas. Só a maior parte. Destaque especial, claro, quando podem e devem ser evitadas. Como foi o caso de Santa Maria.

É claro que o momento é de comoção, 231 mortes (e ainda há cerca de 40 vítimas internadas em estado grave ou gravíssimo) ao mesmo tempo. Então é normal o desespero e o tom até destemperado de críticas e comentários. Assim como é normal esperar por uma caça às bruxas, o Brasil é especialista nisso.

Enfim, e óbvio, tudo precisa ser apurado. E todo o evento tem de servir de lição, de exemplo do que deve e não deve ser feito.

O trágico, além das mortes, é saber que a responsabilização por tudo o que aconteceu não vai ultrapassar o limite do ululante, com os donos da boate, seus seguranças e a banda.

Gostaria muito que, ao final de todo o processo, algumas respostas nos fossem dadas:

  1. 1. Reza a lenda (por hora) que a documentação da casa não estaria em dia, que havia vencido em agosto do ano passado. Quer dizer que, até seis meses atrás, a mesma casa com a mesma (falta de) estrutura estava ok?
    2. Não conheço a região, mas parece que a boate era a maior ou uma das maiores da cidade. Assim, essa foi a primeira vez que estava superlotada? Não havia fiscalização regular?
    3. Parece que a tal banda era bem conhecida na região, que os efeitos pirotécnicos eram das atrações mais esperadas de seus shows. Todos os locais em que tocaram antes (e que ainda bem não tiveram acidentes) estão ou estavam aptos a receber tal atração? Quem seria o responsável por fiscalizar essas coisas?

É claro que há uma série de outras perguntas, qualquer um é capaz de imaginá-las, mas vou economizar espaço.

Só queria lembrar que – independente dos donos da casa e dos energúmenos da banda – há uma enorme parcela de culpa do Estado (prefeitura, estado e todos os seus órgãos relacionados ao tema), pela omissão corriqueira em qualquer assunto.

Ou seja, como moramos num país em que – muito infelizmente – é comum morrer de enchentes e desabamentos, ontem morreram mais de 200 pessoas de fogo e fumaça.

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