Índio quer apito? Nem se fosse o Cacique de Ramos

Cacique-de-RamosJoão Saldanha foi candidato a vice-prefeito do Rio em 1985. Durante a campanha, em um debate com estudantes, uma moça cobrou de João uma posição quanto aos índios e perguntou qual seria sua política sobre o tema. A resposta curta e grossa:

– Minha filha, índio no Rio de Janeiro, só se for o Cacique de Ramos.

•••

Quem é do Rio acompanha o caso de perto, o problema da ‘Aldeia Maracanã’. O dilema se é possível ou não expulsar um grupo de índios que ocupou o terreno do antigo Museu do Índio que fica ao lado do estádio que está em reformas para as copas das Confederações e do Mundo.

Para tentar entender o imbrólio, algumas datas:
– 1862: construção do prédio
– 1978: mudança do Museu do Índio para Botafogo e abandono do prédio
– 2006: ocupação do terreno pelos índios, a ‘Aldeia Maracanã’ 

Há duas questões sob o mesmo teto, o imóvel e os ex-silvícolas. E começarei pelas pessoas. Em que pese viverem no Brasil numa espécie de limbo legal, os índios – juro por Deus – são seres humanos. Há quem esqueça disso. E o que mais? Sinceramente, não sei. Eles não tem uma série de direitos que qualquer brasileiro, em tese, tem. E o mesmo sobre muitos deveres. Apesar disso tudo, é bom parar com esse ‘coitadismo’ porque uma coisa é inegável: eles são invasores.

Há 300 anos não há índios por ali, a turma reunida é de várias etnias. Então, a história de que as 70 pessoas que vivem no terreno são descendentes dos índios originais que deram o nome ao rio e ao papagaio típico da região… É tudo história pra boi dormir.

A verdade é que eles não deveriam estar ali, o estado já devia ter agido – e teve mais de seis anos para isso. Mas não importa se a confusão de agora foi gerada pelo pretexto da obra. O lugar deles não é ali. Se estado e prefeitura quiserem fazer um bonito, inclusive para turistas, podem encontrar outro lugar, talvez próximo ao Museu do Índio ou até mesmo na Floresta da Tijuca.

Antigo Museu do Índio / Foto: Eduardo G. M. de CastroO outro problema é o prédio, abandonado há quase 35 anos e em petição de miséria (aqui há uma boa galeria de fotos, apesar de discordar do texto). Em que pese toda sua história, hoje ele é um risco para qualquer um que entre nele sem equipamento de proteção. É claro que engenheiros e arquitetos são capazes de restaurá-lo, mas a que custo? Então é hora de botar abaixo, até porque há outras maneiras de preservar a história.

Fui contra a realização da Copa no Brasil, justamente pela dinheirama que seria gasta (e desviada para os bolsos de sempre). Agora, já que resolveram fazer, é bom que seja direito. E um estádio nos moldes do novo Maracanã precisa de um entorno compatível, inclusive com o estacionamento que querem construir naquele terreno, deixado de lado há décadas.

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Um comentário em “Índio quer apito? Nem se fosse o Cacique de Ramos

  1. Em minha opinião há um ponto sensível nessa discussão, que diga-se, quando querem banalizá-la, trazem sempre a mesma questão: se as pessoas que estão lá são ou não índios, que são oportunistas, que querem se dar bem e outras coisas, considerações relevantes que acho que devem ser levadas em conta. Entretanto, o ponto que não se destaca, e acho essencial, é justamente a cautela que não temos com nosso patrimônio, sobretudo com nossa história. Nossa história talvez seja nosso maior patrimônio. O apelo do museu do índio do Maracanã tem para mim, principamente essa vertente, a do resgate histórico. Um abraço,
    Regina

    veja também:
    http://www.ideiaehistorias.blogspot.com.br/2013/03/mensagem-daniel-sobre-o-museu-do-indio.html

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