Badim, Amil, jogo de empurra…

Há exatamente uma semana eu estava entrando no Hospital Badim para uma consulta de emergência. Já vinha incomodado e reclamando de algumas dores e um certo inchaço nas pernas, aquela coisa de ‘o que será isso?’ e ‘tenho que procurar um médico’ misturado com ‘deve ser o estresse’ e ‘as férias estão chegando e tudo vai melhorar’. Basicamente, usando sempre a falta de tempo como desculpa, empurrando com a barriga.

Mas a coisa ficou um tanto mais chata e persistente e conversando em casa a dona da minha vida teve a boa ideia: “você não vai conseguir um médico rápido. Vai na emergência ver isso, pelo menos já fazem uns exames pra levar quando a consulta estiver marcada”.

E lá fui eu, no fim do feriado de Zumbi. E foi aí que a coisa aconteceu.

Vale dizer que nem esperei tanto pra ser atendido. E o Dr. José (não lembro o sobrenome dele) foi muito atencioso e, depois descobri, bem preciso. O problema é que ele levantou o risco de uma trombose (devidamente descartada pelos exames) e indicou a internação para a devida investigação.

Pois saibam que é bem bom ter uma médica na família. Liguei e minha irmã chegou logo, avaliou e concordou com o diagnóstico e tal e recomendou que aceitasse a internação.

Começaram os procedimentos e veio a notícia que o hospital não tinha vagas e que a Amil me transferiria para outro. Como assim? Liguei para a Amil e a moça que me atendeu informou que a Aline (do Badim) disse que não tinha vaga, a mesma Aline que nos falava que havia vaga sim e a Amil é que estava glosando a internação.

Impasse apresentado, ouvi de uma funcionária que passava que já havia meses que a Amil não pagava nenhuma ficha ao Badim. A situação surreal nos levou a deduzir que, na verdade, o Badim é que não me queria ali (e não era nada pessoal). O problema é que toda a situação é um baita disse-me-disse, como podem ver, e não há a menor possibilidade de provar qualquer coisa, não podemos sequer aventar a possibilidade de um processo ou algo do gênero.

Mas dá mesmo pra acreditar que um prédio como o que vocês viram na foto não tinha nenhuma vaga?

A outra informação que faz a cena ainda mais absurda é que o Hospital Badim faz parte da Rede D’Or que é de propriedade da Amil.

Apesar de me perguntarem para onde gostaria de ser transferido e eu ter respondido “qualquer lugar na Tijuca”, pois teria a família por perto, fui enviado para Botafogo, para a unidade Bambina do Hospital Rio Laranjeiras (onde fui muito bem atendido por toda a equipe).

Quem conhece o Rio vai dizer, com certa razão, que nem estava tão longe. Mas a cidade anda confusa de tal maneira que a Mari, fora da hora do rush, levou uma hora e meia para ir e outra hora e meia para fazer o trajeto de volta entre Botafogo e Tijuca.

Além disso, alguém consegue realmente acreditar que entre os trocentos hospitais da “Grande Tijuca” nenhum tinha vagas? E por que será que um dos médicos que me atendeu em Botafogo disse que, caso confirmasse a trombose e precisasse continuar internado, conseguiria me transferir para algum lugar mais perto de casa?

Donde conclui-se que a Amil é uma bosta e não está, de verdade, preocupada com pessoas e suas necessidades, mas com seus próprios números. E a tragédia maior é saber que é tão ruim quanto qualquer outro plano.

Bom, todo mundo sabe quanto custa um plano de saúde (mesmo quando é fornecido pelo seu empregador em sistema de coparticipação, que é o meu caso). Então, toda a situação é mesmo absurda.

Agora – e é impossível não pensar o óbvio numa hora dessas -, imaginem aqueles que não podem pagar por qualquer plano ou que só podem pagar pelos mais simples? Também é impossível não chegar à conclusão (tão óbvia quanto o pensamento anterior) de que estamos mesmo fu e muito mal pagos nessa nossa querida pátria amada (por essa e todas as outras razões que conhecemos de cor).

P.S.: a essa altura, a recuperação vai bem e devo voltar à vida normal na próxima segunda.

P.S. 2: muito obrigado ao Dr. Sérgio Lins.

P.S. 3: alguém conhece um bom angiologista?

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2 comentários em “Badim, Amil, jogo de empurra…

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