Esses bichos, pobres bichos…

Fui criança numa época em que o elefante do zoológico do Rio era meio verde. Não se era excesso de limo em suas patas, nem sei se era limo mesmo ou até se isso é possível. Mas o tenho verde na memória. Enfim, era um negócio tão ‘vagabundo’ que eu, criado em Vila Isabel, vivia na Quinta da Boa Vista mas não achava a menor graça em visitar o zôo.

Helena, em compensação, vai aos bichos desde os primeiros meses de vida, talvez a cada dois, três meses. Ela adora, pede pra ir, e estivemos lá no último domingo.

Entre minha última visita da infância e a primeira com Helena, passaram-se uns 30 ou 35 anos. Seria muito estranho, claro, se nada tivesse melhorado. Infelizmente, isso não quer dizer que tenha ficado bom.

É fato mais que conhecido para quem vive nos arredores ou na cidade de São Sebastião a prostração crônica de felinos que vivem em jaulas pouco maiores que salas de apartamentos médios. Além disso, há outros casos tristes (ou trágicos?) como o urso pardo neurótico que vive a arrastar a cabeça na porta da jaula. E mais… Mas o cúmulo do último domingo foi a maneira como encontramos os pingüins.

Eles tem lá sua área cercadinha, um jardinzinho gramado com um laguinho e, anexo, uma espécie de quartinho envidraçado, climatizado.

Agora, tentem imaginar a cena. Apesar de ainda estarmos oficialmente no inverno, domingão de sol e temperatura entre ‘vinte e muitos’ e ‘trinta e poucos’ graus. Se qualquer um de nós ficaria feliz de estar num ambiente climatizado, imaginem um sujeito que veio da Antártida. E estava lá no quartinho o pingüim, um só. E não é que o ar condicionado estava desligado, fora da tomada, o fio lá pendurado…?

Olhando para esse último absurdo e pensando no cenário geral, a mãe da Helena fez uma pergunta que mereceria uma resposta recheada de bons argumentos: “por que é que, em vez de ter tantos bichos em espaços inadequados, o zoológico não coloca menos animais em espaços melhores e mais bem cuidados?”

É preciso dizer que é nítido que a turma que trabalha é dedicada e faz o melhor possível, mas não resta dúvida que há um problema de conceito e de entendimento do que é um bom zoológico. Então, com a palavra, a Fundação RIOZOO.

Outra coisa interessante seria ver se os candidatos a prefeito do Rio têm alguma proposta ou projeto sobre o parque. Vale lembrar que o Macaco Tião recebeu (estimados) 400 mil votos e ficou na terceira posição da corrida pela prefeitura de 1988. Levando-se em conta que a cidade nem melhorou tanto assim desde aquela época, chego a pensar que foi uma pena ele não ter sido eleito…

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