Politicamente incorreto

Tai um tema que, vira e mexe, revisito por aqui. É só jogar o termo “politicamente correto” no campo de busca do blog que você vai achar. Algumas coisas, até, muito interessantes.

Ao contrário do que tentam dizer por aí, o “politicamente correto” é absolutamente ditatorial, não chega nem perto da democracia. É a força de minorias que tem voz que engole uma maioria que vive no “vai da valsa” e uma minoria (essa, real) que ainda tem coragem de pensar e expressar seus resultados (sabe aquela turma que tem a mania ultrapassada de praticar a liberdade de expressão?).

Abaixo há dois trechos – um do início, outro do final – do livro Guia politicamente incorreto da Filosofia, de Luiz Felipe Ponde (Editora Leya, 2012). Não, não é uma aula que pretende contestar a história da Filosofia, justamente o contrário. Pondé usa filósofos e suas obras para desmistificar, escancarar essa praga que é o “politicamente correto”.

E se, ao final da leitura abaixo, você quiser ser menos acadêmico, clique aqui para ler um bom texto (que até já republiquei aqui há quase um ano.

Mas talvez a pior coisa da democracia seja o fato de que ela deu aos idiotas a consciência de seu poder numérico, como dizia o sábio Nelson Rodrigues. Em suas colunas de jornais, o Nelson costumava dizer que os idiotas, maioria absoluta da humanidade, antes do advento da Revolução Francesa, viviam suas vidas comendo, reproduzindo e babando na gravata. Com a Revolução Francesa e a democracia (que a primeira não criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritário), os idiotas perceberam que são em maior número, e de lá pra cá todo mundo passou a ter de agradá-los,  a fim de ter a possibilidade de existir (principalmente intelectualmente). O nome disso é marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da força democrática (numérica) dos idiotas. O politicamente correto é uma das faces iradas desses idiotas.

O problema com o conceito de “justiça social” é que ele vale como angústia romântica, mas peca por falta de parâmetros racionais e concretos para realizá-lo. O filósofo David Hume, do século 18, tinha por hábito comparar os racionalistas, ou seja, gente que crê na razão como forma de resolver a vida, aos fanáticos puritanos calvinistas de sua época. Para Hume, racionalista é fanático. Para o escocês blasé, como costumam descrevê-lo, que gostava de acordar tarde e não gostava de trabalhar, só fanático podia imaginar uma sociedade com “justiça social”, porque produzir riqueza tem a ver com originalidade, inteligência, capacidade de disciplina, e nada disso tem a ver com “igualdade”. A natureza não é igualitária em seus dons e suas dádivas, tampouco em suas misérias: poucos são sempre melhores do que a maioria. Isso não significa que devemos cultuar “injustiças sociais”, mas sim que o melhor remédio para “injustiça social” é riqueza e abundância, e não pregadores fanáticos pela justiça social. E, para termos riqueza e abundância, precisamos deixar as pessoas produzirem o que elas têm de melhor, a saber, a realização de seus dons sem o peso de uma abstrata e irreal “igualdade” entre as capacidades humanas.

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2 comentários em “Politicamente incorreto

  1. Tem uma teoria em psicologia (não sei bem qual é posso pesquisar depois) que fala que existem três tipos de pessoas: os estacionários (não fazem a menor diferença), os retrógados (àqueles que puxam a humanidade para o sentido involutivo) e àqueles que não aceitam imposições de regras sociais e tentam fazer diferente. Estes são os únicos que realmente fazem com que a humanidade evolua e eles não são travados por recalques. A luta das minorias pode virar um eterno recalque social.

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  2. Eu não sabia deste volume… conheço os outros dois guias.
    Gostei do que li. vou atrás.

    Também pratiquei o politicamente incorreto (e mais gostoso) hoje no blog.
    Até agora os patrulheiros não chegaram.

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