Verbetes e expressões (26)

História

(do grego antigo ἱστορία, transl.historía, que significa “pesquisa”, “conhecimento advindo da investigação”) é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.

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Não foi por acaso que fui à Wikipedia buscar a definição mais simples (e mais óbvia) de História. Vejam que gracinha o que aconteceu hoje.

Militares da reserva e policiais supostamente envolvidos com atos de tortura e outros abusos cometidos durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) foram alvo de manifestações realizadas nesta segunda-feira em seis cidades do país. Integrantes do Levante Popular da Juventude – movimento de jovens que surgiu há seis anos no Rio Grande do Sul e hoje tem representantes em todo país – levaram faixas e fizeram apitaços em frente às casas ou endereços de trabalho dos agentes do Estado, com o intuito de constrangê-los em função da participação deles em atos do regime. As ações ocorreram em Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Belém (PA), Aracaju (SE) e devem continuar nos próximos meses.

Clique aqui para ler, em O Globo, a matéria completa. Agora, olhando a foto acima, alguém aí tem dúvida de isso vai dar merda?

Isso aí só aconteceu por causa da criação de uma tal comissão da verdade que é, na verdade, uma comissão da revanche. Ou o tal trabalho não estaria sob responsabilidade de uma ministra que defende Cuba no que diz respeito aos direitos humanos. Uma tal Maria do Rosário.

Pois bem. Não será por acaso que o tal Levante Popular da Juventude nasceu e cresceu no Rio Grande do Sul, estado em que nossa presidente fez sua história política, estado de Tarso Genro – aquele que deu asilo político a Cesare Battisti.

E esse tipo de ação só é insuflada porque se confia na falta de formação média do brasileiro. Especialmente em história.

É claro que houve muita tortura no Brasil durante a ditadura militar, todos sabem. Eu já convivi com algumas vítimas, profissionalmente ou não. E muitas mortes também. As próprias organizações de esquerda contam 424 durante o período. O problema é que ninguém fala das 119 vítimas (oficiais) dos grupos paramilitares, a tal luta armada (aqui você encontra a lista completa, com a descrição de como morreram, dividida em quatro partes)

Agora, alguém aí sabe dizer se a tal comissão vai tratar desses mortos também? Não, claro que não. Porque boa parte dos integrantes daqueles grupos estão, hoje, no ‘pudê’. Simples assim. Incluindo nossa presidenta, como sabemos. Além, é claro, da visão distorcida de que pela causa vale tudo.

A questão mais grave, no entanto, é a força que essa turma vai fazer para reescrever a história do país, esquecendo que a lei da anistia “ampla, geral e irrestrita” – válida, portanto, para todos de todos os lados – foi parte fundamental no processo de abertura que nos permitiu chegar ao que temos hoje como democracia.

E por causa da lei da anistia (Lei n.º 6.833/79) é que não seria correto (nem justo) fazer pichações em resposta àquela, em frente à casa ou trabalho de cada um dos envolvidos nas tais 119 mortes, com a frase “aqui mora um terrorista”.

Pois que, há algumas semanas, conversava com amigos de trabalho sobre nossa situação política, de maneira geral. E foi quase unânime (e discordâncias sempre são bem vindas) que vivemos hoje uma ditadura muito mais perigosa do que a que vigorou entre 1964 e 85. Uma ditatura de ideias, travestida de democracia, que pretende – sem fazer a menor força para esconder isso – engolir ou atropelar tudo e todos que discordem deles em qualquer grau.

Começo, sinceramente, a torcer para que os maias estejam certos.

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4 comentários em “Verbetes e expressões (26)

  1. Verdadeiramente aprecio seus comentários, mas acerca desse assunto, confesso q estou assustado, seja com a superficialidade com que foi abordado, seja com o desconhecimento abissal do que foi o Golpe de 64 e as suas consequências.
    Você fala em comissão da revanche, quando o mundo inteiro tem sistematicamente aberto seus registros para sangrar suas verdades para a própria sociedade; quando o sigilo brasileiro a documentos oficiais não possui similar NO MUNDO.
    Revanche, meu caro?!
    Entre tantos outras observações vc chega a apontar uma lista de mortos por grupos paramilitares, esquecendo sem perdão que vc está impedido de fazer o mesmo para o outro lado, eis que temos uma história em sigilo, eis que não se sabe e, pelo visto, com a sua aquiescência, não se deve saber: quem foi morto, como foi morto, quando foi morto, por quem foi morto. E mais: Pelo ESTADO!
    Em tempo: não sou militante de esquerda, fui criado por militar, vivi ainda q pequeno período durante o regime de exceção.
    Tenho convicção de que vou continuar apreciando os seus comentários, todavia vai aqui a minha crítica com o respeito que idéias e ideais merecem, os quais nunca precisarão de tortura e matança para se fazerem prevalecer.
    Grato.

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    1. A grande questão que estamos vivendo hoje não é sobre a abertura de arquivos. Que sou absolutamente a favor, que todos tenhamos acesso a toda a informação de nossa história.

      O grande problema do processo que está instalado hoje é que os movimentos feitos por essa ‘comissão da verdade’ que está sendo instalada são de revanche sim e não apenas de visita e publicação da história. Tanto que não se fala em abrir os arquivos mas em abrir processos, em desmontar leis como a da anistia e até passar por cima de alguns artigos de nossa constituição.

      O tratamento que dei foi mesmo supérfluo e tenho absoluta consciência disso. É um blog e não um artigo. Mas a maneira como esse nosso governo torto está tratando a questão é tão difusa, tão escorregadia, que estimula ações como a que aconteceu e outras que ainda vem por aí de parte a parte.

      Como uma intenção de coronéis que pretendem fazer um salto comemorativo da ‘revolução’, como o pau que quebrou hoje em frente ao clube militar. Do jeito que o tema está sendo tratado pelo nosso magnífico governo de revolucionários pseudodemocratas, ao invés de abrirmos os arquivos e conhecermos a história crua, vamos acabar gerando e ‘patrocinando’ um conflito absolutamente desnecessário. E é essa a grande questão.

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