Banheiros

Tentei evitar o tema que é pra lá de espinhoso nesses nossos tempos estranhos, politicamente corretos na marra, em que falar o que pensa pode dar até cadeia, a despeito de vivermos numa democracia em que a liberdade de expressão é garantida pela constituição. Mas sabem como é, fui provocado. Recebi um e-mail de um amigo, que também é pai de uma menina, que termina com a seguinte pergunta: e aí, como é que faz?

Não sei se vocês acompanharam, aconteceu em São Paulo na semana passada. Uma menina de seus 10 anos entrou no banheiro de uma pizzaria e voltou correndo pra mãe com a novidade, “tem um homem vestido de mulher”. A mãe chama o dono ou o gerente e reclama; o sujeito, por sua vez, vai até o/a cliente e pede para que ele/ela use o banheiro dos homens. Está armada a confusão.

Como o/a moço/moça, ainda por cima, é alguém reconhecido, com espaço garantido em grandes meios de comunicação… Nossa personagem é Laerte, cartunista mais que reconhecido e que há alguns anos resolveu mudar de vida. Até aí, problema dele, a vida dele, corpo dele, opções dele. Mas e quando o negócio começa a afetar quem está em volta?

Nessa matéria da Globo, Laerte diz que a discussão não é nenhuma bandeira, apenas luta por seus direitos. E, nesse tempo de ONGs e minorias superprotegidas, quem é que luta pelo direito dos outros, da maioria? Aqui há um bom texto do blog/coluna para entender Direito. E aqui, outro.

Mas o que importa é que até agora não respondi à tal provocação.

Provavelmente, se passasse pela mesma situação, estaria preso. Afinal, que papo é esse de homem no banheiro de mulher, mesmo que esteja travestido? E o constrangimento de minha filha? Tenho quase certeza que sairia da mesa furibundo em direção ao banheiro e tiraria o/a moço/moça de lá a tapas.

E, além da agressão, seria acusado de homofobia e otras cositas más que não fariam sentido. Estaria apenas reagindo contra um despudor – um homem no banheiro feminino, seja vestido de palhaço, um cross dresser ou um gay travestido – ao qual não quero minha filha de dois, oito ou quatorze anos, exposta.

Mas levei a questão para casa e a dona da minha vida, muito mais sensata e – pelo visto – menos conservadora sai com a pérola: “e daí? Ele não está lá de sacanagem para ver mulher pelada. Ele se sente mulher, se veste como mulher, não tem problema em ir ao banheiro de mulher. Há coisas muito piores por aí”.

Pouco depois, Helena (que tem apenas dois anos) vê a mulata globeleza e pergunta: “mamãe, ela tá pelada?”. A gente sabe que, além da sambista, coisas muito mais chocantes estão à disposição na TV , inclusive aberta. E o óbvio discurso do controle remoto não tem muita valia em tempos de internet, ao menos para crianças mais velhas. Um tanto complicado esse nosso mundo moderno, né não?

Mas, voltando ao caso do banheiro, como é que faz? Na verdade, as escolas de samba do Rio resolveram esse problema há uns trezentos anos, sem alarde, sem bandeiras, sem justiça envolvida. Bastou criar um terceiro banheiro para o público LGBTXYZ (essas siglas sempre mudam e nunca sei a que vale). A iniciativa não foi só aprovada, mas aplaudida. Simples e direta. Apenas bom senso de ambas as trocentas partes.

E agora que bostejei sem chegar a conclusão alguma, será que alguém aí tem alguma solução? E o que acham de toda a situação?

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