Onde estão os analistas?

Desde ontem, canais de TV, jornais, mídias e portais trataram de noticiar com razoável alarde o balanço da operação de fim de ano da Polícia Rodoviária Federal. Basicamente, uma repetição do que está escrito nos releases oficiais, com os números de acidentes, mortos e feridos.

E, em tese, boas notícias: o número de mortos, em relação ao mesmo período do ano anterior, caiu 18% e o de feridos, 16%.

Mas, por quê em tese?

É claro que é muito bom ter menos gente morrendo, mas há circunstâncias que não são observadas ao se dar a notícia e os tais bons números parecem que refletem um excelente trabalho de prevenção e educação no trânsito. O que sabemos não ser real.

Vou colocar em tópicos algumas observações que, penso, deveriam ser levadas em conta na análise dos números.

  • O país inteiro está cansado de saber que as únicas estradas federais em bom estado são aquelas onde há cobrança de pedágio;
  • não houve feriado prolongado, ou seja, mesmo que o número de pessoas em viagens tenha sido o mesmo de outros anos (eu não acredito), o número de viagens curtas aumentou. Diminuindo o tempo de permanência dos carros em circulação, também é menor o risco de acidentes;
  • boa parte dessas viagens mais curtas acontecem por estradas estaduais e vicinais, não cobertas pela Polícia Rodoviária Federal;
  • a velocidade média dos deslocamentos (e o risco de acidentes) diminuiu bastante, em função de grandes congestionamentos;
  • e se é verdade que a chuva que caiu em boa parte do país aumenta o risco nas estradas, também é verdade que muita gente desiste de viajar por causa delas.

É possível que minhas observações sejam grandes bobagens. Mas o que me incomodou é que a notícia foi dada assim, como quem não quer nada, comemorando esse mundo maravilhoso, como se não vivêssemos em um país onde se morre no trânsito mais do que em países em guerra.

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Um comentário em “Onde estão os analistas?

  1. Espero que tenham percebido que não estou lidando com coisas fofas deliciosamente tolinhas que não podem ser levadas a sério.

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  2. Meu querido amigo. vou debruçar-me sobre algumas situações parecidas que acontecem aqui. estou de acordo com tudo isso que disseste, mas acscento mais qq coisa.
    na questão da chuva, eu que andei muito de mota inverno incluido, assumo que se há mais probabilidade de haver acidente, a causa do acidente é de valor inferior. Num mesmo local com chuva eu passo nos 70km/h; em piso seco passaria a 130km/h. pois bem, tenho mais probabilidade de ter acidente em seco. E, em seco a 130 km/h, batendo em alguem ou coisa, os danos sao naturalmente maiores quer eu esteja seco ou molhado

    as estatisticas sao mesmo assim , adulteradas. Em Portugal, há capacidade de saber quer por análise de portagens, quer pela compra comparativa de gasolina, que houve menos gente circulando nas estradas. logo como disseste, menos km percorrido, menos risco. o que ninguem fala é em acertar o coefeciente de risco nas companhias de seguros. se ha menos km percorrido os seguros deveriam baixar hehehhehe (tou a ser utopico), ah , mas se houver um boom e a gasolina baixar 20% os senhores dos seguros sabem que aumenta o risco e aumentam o prémio.
    .
    quanto a velocidades,…. eu sou um bom condutor com seguro ha 38 anos sem qualquer participação de sinistro. portanto, pessoas como eu, deveriam ser ouvidas pelas entidades reguladoras, porque o que eu digo é verdade comprovada:

    as pessoas que legislam sao eleitas pelo povo; o povo é consciente e sabedor ou as pessoas eleitas teriam sido eleitas por gente estupida, logo com grande probabilidade de nao serem os melhores e sim tambem estupidos.
    o povo circula na auto estrada a 140 /150 km hora. e acho bem. ha mais risco? talvez nao, talvez o problema em circular a 150 km hora advenha de haver gente a circular a 80 ou 90 km/h. o diferencial é que tem o risco. os carros estao preparados para circularem a essa velocidade, aliás quando lhes aplicam as taxas disto e daquilo os argumentos sao esses, luxo, segurança, etc. ha 38 anos a velocidade máxima em AE era , tal como hoje de 120km/ com carros que possuiam abrandões em vez de travões.

    bem, meu bom amigo…. um abraço daqueles

    Jose carlos

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