Estive aqui pensando uma maneira de acabar com essa paz insuportável (4)

A história das UPP, a ocupação da Rocinha, a prisão do Nem… Tudo isso acabou chegando ao ponto do entrevero doméstico depois de pequenas discordâncias mais do que pacíficas no almoço de domingo.

Discordâncias baseadas na minha falta de crença na política adotada, com invasões de favelas transformadas em entretenimento – não tenho a menor dúvida de que houve muita gente sentada em frente à TV durante todo o dia da ocupação da Rocinha e Vidigal com baldes de pipoca a tiracolo. Afinal, é tudo espetáculo.

No almoço, enquanto alguns teciam loas à coisa toda, encerrei dizendo que voltaríamos a falar sobre o assunto em 2020. Torco e rezo, sinceramente, para estar errado sobre isso tudo. Mas…

É um tanto óbvio que há algo de muito errado por aí. É bastante claro que todo o carnaval está preocupado em atender expectativas ligadas aos grandes eventos que vêm por aí, Copa e Olimpíadas.

Há alguns dias, publiquei aqui que não conseguia me convencer com as explicações sobre o episódio da prisão de Nem. Cheguei a ouvir de amigos que eu era maluco, que gostava de procurar pêlo em ovo. Pois é muito bom me dar conta de que não sou o único maluco.

Hoje, depois de umas boas semanas sem visitar o blog do Lúcio de Castro, encontrei novo texto. Brilhante. Porque, além de boa análise e certa dose de informação, deixa no ar uma belíssima pergunta, no mínimo constrangedora: somos mesmo teleguiados e ninguém questiona nada?

Abaixo, trecho do texto publicado no dia 17 de novembro. Vale, também, ler este aqui, de quase um ano atrás, que o próprio autor cita.

Na mesma noite, a mesma polícia federal intercepta outro comboio, como o primeiro: de policiais militares e um carro. Um carro que furou o cerco das revistas na Rocinha, sob a alegação dos policiais, justificando que não revistaram ali porque “iriam conduzir o veículo a uma delegacia”. O tal comboio segue. Novamente, como na parte da tarde, um efetivo da polícia federal intercepta o tal comboio. Ao abrirem a mala, lá está o bandido Nem. O curioso é que nem mesmo diante da oferta de suborno, segundo a versão de quem fazia parte do comboio, os policiais que estavam antes da chegada da PF tiveram a curiosidade de abrir a mala. Claro que, diante de tal oferta de suborno, já não havia porque respeitar qualquer imunidade diplomática. Se queriam subornar, era porque algo errado existia. Mas só a PF teve a curiosidade de abrir a mala.

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