Entre alienações e perguntas

Você sabia que o Brasil pode ter, no futuro, 39 unidades federativas – 34 estados e quatro territórios, além do Distrito Federal? Você sabia que no dia 11 dezembro, daqui a pouco mais de um mês, poderemos já ter dois novos estados, com a divisão do Pará em três? Pois na tal data acontecerá um plebiscito em que a população local aprovará ou não a criação dos estados de Carajás (cuja provável capital será Marabá) e Tapajós (Santarém deverá ser a capital).

Alienado que sou, fiquei surpreso ao receber a notícia de amiga tão alienada quanto eu. Junto com a notícia, ela mandou algumas perguntas.

Será que faz sentido? O que leva um estado a querer se separar?

Não sou, nem de perto, especialista no assunto. Mas entendo que uma das justificativas seria a impossibilidade de desenvolvimento homogêneo, principalmente nesses estados gigantes em que – muitas vezes – há distâncias muito superiores a 1.000km de alguns municípios às suas capitais. Se em estados ‘desenvolvidos’ como o Rio as diferenças entre capital e interior são gritantes, imaginem nos rincões do Pará, Piauí, Maranhão etc.

Somem às questões político-econômicas, diferenças sociais e culturais entre algumas regiões e há aí um belo suco do qual um técnico competente construiria argumentos suficientes pró-divisões (para justificar os territórios, penso que estariam envolvidas questões de fronteiras, meio-ambiente, direitos sobre o solo etc.).

Mas a moça, a tal alienada como eu, mandou mais duas perguntas.

É questão de verba? Por que isso não sai nos jornais?

Aí, as análises partem da divagação. À última questão, sempre haverá alguém para gritar que “sim, saiu nos jornais sim! E na TV também!”. Mas é válido sublinhar que os dois alienados, eu e minha amiga, somos leitores um tanto compulsivos de notícias. Mesmo conscientes de que nunca é possível saber de tudo, também é fato que algo importante assim não teria nos escapado se tivessem recebido o devido destaque.

E chegamos às verbas: quem teria interesse na criação de todos os cargos – do governador ao oitavo escalão, passando pelas assembléias legislativas – que existem em um estado? Quem teria interesse em administrar verbas? Quem teria interesse em eleger mais três senadores por cada estado novo?

E voltamos aos jornais: quem não tem interesse em dizer para o resto do país que tudo o que é proporcional, do repasse de verbas ao número de deputados federais, precisará ser recalculado com óbvio prejuízo para os já existentes?

Enfim, só um amontoado de coisas para se pensar na cama, no sofá, no banco do carona…

P.S.: clique aqui para ver um infográfico sobre a evolução da demarcação territorial do Brasil.

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3 comentários em “Entre alienações e perguntas

  1. O Brasil precisa acomodar novas safras de Barbalhos, Renans e Sarneys, uma vez que os originais não saem de cena ou são só imortais mesmo! Dirceu deve estar esfregando as mãos com o provável aumento da base alugada à disposição do partido que “Não róba e não dêxa robá”…

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