Halloween é o cacete!

Vocês sabem o que é essa tal festa? Vocês sabem que dia das bruxas é uma tradução vagabunda feita e adotada por aqui, mas que não mostra em nenhum aspecto o que é o Halloween? Vocês sabem qual é a relação entre celtas, gauleses e britânicos com essa festa? Vocês sabem o que os druidas e Todos os Santos tem a ver com essa festa? Vocês sabem qual é o significado daquela abóbora, o Jack o’Lantern? Vocês sabem o que os portugueses, a Coca e a Cuca têm com isso? Vocês sabem o que a Peste Negra, a Conspiração da Pólvora e o dia de Finados tem em comum?

Não, ninguém por aqui sabe. Mesmo se vocês fizerem como eu, indo até à Wikipédia ler a respeito, pouco tempo depois já terão esquecido quase tudo. Simplesmente porque não faz parte da nossa realidade, da nossa história, da construção da identidade brasileira. No entanto, escolas e papais e mamães – já há algum tempo – fazem muito esforço para fantasiar nossas crianças para o dia das bruxas. Que, claro, entram na onda e vão aproveitar a festa.

E alguém há de lembrar que o fenômeno de adoção/imposição do dia das bruxas por aqui é similar ao que aconteceu com os dias das mães, dos pais, das crianças, dos namorados e mais alguns por aí.

E eu respondo que estou cansado de saber que são todas datas criadas e incensadas comercialmente. Afinal, depois de vestir o próprio Natal com uma cara muito comercial, era preciso criar novos natais ao longo do ano. No entanto, nenhuma dessas datas muda a minha realidade ou agride a minha identidade. Afinal, homenagear mãe, pai etc. nunca é ruim. E as datas acabam como bons pretextos.

Depois de tudo o que já escrevi até aqui, é possível perceber o meu grau de intolerância com o assunto. Agora imaginem a seguinte cena: você está na sua casa, domingo à tarde, jiboiando no sofá assistindo o futebol ou lendo ou só ouvindo música ou qualquer outra coisa. Ao seu lado, duas cachorrinhas também fazem muito esforço apenas para existir. E toca a campanhia. E as cachorras saem em disparada, latindo como se o mundo fosse acabar.

No corredor, duas adultas. Uma delas, você nunca viu mais magra ou mais gorda. A outra, você reconhece e sabe que é aquele tipo de vizinho que cruza com você na portaria ou nos elevadores e nunca nem diz bom dia. Mesmo assim, tem a desfaçatez de bater à sua porta. Com elas, cinco ou seis crianças (só meninas). Todas fantasiadas de bruxinhas e com cestinhas em forma de abóboras. Basicamente, todas de uniforme. E, sem que nenhuma daquela quase dezena de pessoas saiba de verdade o que é o Halloween, “doces ou travessuras!”.

Dá pra imaginar o meu sorriso?

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