15

Hoje faz 15 anos que Renato Russo morreu. E não, não sou um fã tão ardoroso a ponto de guardar essa ou aquela data. Mas de algumas efemérides você não escapa quando abre sites ou jornais de folhas. E, como para quase todos da minha geração, a música do sujeito foi uma das referências da minha vida.

Não pretendo cair aqui na discussão inútil sobre quem era melhor, Renato ou Cazuza. Também não pretendo fazer ilações filosóficas ou sociológicas sobre as letras do sujeito, sobre em qual canção ele assumiu sua bissexualidade ou quando ele cantou sobre suas dependências ou em qual letra ele despejou a angústia pela descoberta da AIDS ou sobre quando, finalmente, sua obra foi finalmente compreendida.

Mas como acontece com todas as canções, filmes, livros e que tais consumidos durante nossa adolescência e pós-adolescência – fases em que construímos boa parte de nossas referências –, várias músicas do Legião me fazem lembrar automaticamente de algumas histórias. Hoje, quando ouvi falar de Renato Russo pela primeira vez, Mauricio estourou na minha cabeça.

Fui um adolescente idiotamente romântico, daqueles que se apaixonava perdidamente por qualquer namoradinha de duas semanas, que sofria de amor a cada pé na bunda, que curtia muita fossa (ainda se curte fossa hoje em dia? Ainda existe fossa?)  ao som do Good Times 98 (ainda existem a rádio e o programa?), em que Barry White era uma presença constante.

Pelo final da década de 80 e início de 90, eu era parte de um grupo de jovens da igreja católica. Como tocava violão, era da ‘banda’. E parte disso era receber alguns convites para tocar em missas de formatura ou de quinze anos do amigo do amigo ou da amiga da amiga. E foi assim que conheci a Cíntia.

Tinha lá meus 15, 16 anos e ela era uma das alunas que iriam se formar em um colégio de freiras ali do Rio Comprido e eu fui um dos que foi tocar na missa e, conseqüência, convidados para a festa. E começamos a namorar. Hoje, já não lembro de seu rosto nem de como escrever seu nome corretamente nem se nosso grande relacionamento durou duas semanas ou um mês, vejam só. Sei que estávamos juntos no meu aniversário e que ela me deu de presente a fita (é, na época era comum presentear as pessoas com K7 ou LP) de As Quatro Estações, recém lançado.

Depois de algum tempo (alguns dias, sou capaz de apostar), como de hábito, levei um fora. E então ouvia aquela fita sem parar e, no final de Mauricio, lá estavam os versos que embalaram minha fossa: “eu vi você voltar pra mim, eu vi você voltar pra mim, eu vi você voltar pra mim…”

Não é mesmo curioso o tipo de lembrança que temos de vez em quando?

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2 comentários em “15

  1. Comigo a mágica se deu no álbum Dois, e a faixa que me deixava suspirando era Quase sem querer…. “Eu sei que você sabe quase sem querer, que eu quero o mesmo que você!”.

    Fiz minha pequena homenagem, mais aprofundada e calcada em coisas que você disse não querer tocar, até porque, me foi impossível deixar de notar alguns aspectos nestes anos todos.

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