Fui não

O que não quer que não tenha visto muita coisa (salve Multishow – site e tv – e Youtube), boa e ruim. E que não tenha vivido o frenesi que tomou conta da cidade. E sim, estou falando do Rock in Rio. E não, não vou tentar analisar shows, concluir quais foram os melhores e piores. Muita gente por aí já fez isso, em que pese não necessariamente concordar.

Mas pretendo meter minha colher em alguns detalhes. O primeiro é a eterna discussão dos fãs, ao conhecerem a programação, se esse ou aquele deveria tocar no festival. Neste ano, os maiores gritos foram contra Claudia Leite (com um t só). Como em 2001 foram contra Sandy e Junior. Também da edição de 2001, ficou famosa a chuva de garrafas do público sobre Carlinhos Brown. E também houve a vaia e um pouco mais contra Lobão, em 91.

A maior parte das pessoas já entendeu, mas ainda há muita gente que reluta. O Rock in Rio é um festival de música popular – com o sentido de que reúne artistas que muita gente goste. O ‘rock’ do nome é pouco mais que apenas uma parte da marca. E isso sempre foi assim, desde a primeira edição. Ou ninguém lembra de Elba Ramalho cantando ‘tum-tum-tum bate coração’? Além disso, B-52s e Deee Lite também nunca fizeram rock e foram grandes sucessos em suas edições, assim como Jimmy Cliff.

A questão é simples: é impossível fazer um festival tão grande e longo, com tantos artistas, que reúna tanto público sem que haja vários estilos misturados. E mesmo em Woodstock, referência usada até hoje, houve muita coisa diferente. Mas como nos estates ou na Europa não há forró, samba e axé, entre outros, além do rock estão lá o folk, blues, jazz, country etc. E pra quem olha de fora e sem muita atenção, acaba parecendo tudo mais harmônico.

Nesse caso, a questão deixa de ser se alguns artistas deveriam estar lá, mas quando. A famigerada Claudia Leite não estava encaixada num mau dia. Se o show foi uma bomba, é outro problema. O que ninguém consegue me explicar é o que alguém como Ke$ha (ela tem um cifrão no nome!!!) fazia na noite ‘negra’ o quê Lenny Kravitz fazia na noite da mistureba. Não seria muito melhor pra todos uma inversão simples?

Outra coisa que incomoda é a premissa de que qualquer brasileiro sempre ‘abrirá’ para qualquer gringo. E houve, no mínimo, uma distorção. Gosto muito do Maná, mas foi ridículo vê-los tocar depois do Skank. Além de ser pouco conhecido, quebrou o ritmo da noite com suas baladas.

Assim, o que penso é que os fãs, que não raro ficam reclamando pelos cantos, deveriam encher o saco dos organizadores para que as programações sejam bem feitas.

Joss Stone

A moça, como não poderia deixar de ser, foi uma grande atração da bagunça. Mas ficou o eco da multidão dizendo que deveria ter tocado no palco principal. Eu, inclusive. Mas, depois, olhando para seu estilo de show, me deu uma dúvida. Será que, pelas dimensões exageradas, não perderia um bom bocado do brilho e do charme? Pensem bem no estilo de música e em como ela se apresenta por aí. Sei lá, só uma coisa que pensei.

Sunset

Era mesmo uma boa idéia, mas que não funcionou. Apesar de alguns shows muito bons, a grande maioria se perdeu na história das parcerias que eram propostas. Uma pena. Além disso, é surreal – além de uma puta falta de respeito com artistas e público – ter os dois palcos tocando ao mesmo tempo (mesmo que um som não atrapalhe o outro).

Luciano Huck

Que vergonha, hein? Fizeram o maior carnaval, um concurso para indicar uma nova banda nacional que se apresentaria no palco principal do festival. No final, até que o grupo escolhido não era mal, mas enganaram feio os garotos e quem acompanhou a disputa na TV e na internet.

O nome da banda (Arsenic) nem constou da programação, os moleques subiram no palco para tocar para ninguém durante apenas 15 minutos. Puta covardia. Teria sido muito melhor (e mais honesto) tê-los colocado pra fazer um show de verdade no segundo palco.

2013

Daqui a dois anos tem mais. Mas fico pensando se todo a expectativa para o festival não existe justamente porque o espaço entre cada edição é sempre enorme. Provavelmente estou enganado, tudo bem. De qualquer maneira, já há muita gente pensando em quem deveria estar presente. Entre os que não vieram dessa vez – alguns novos, outros nem tanto -, torço para Muse, The National, Adelle, Nando Reis, os dinossauros do Kiss, Santana, Dave Mathews… E aí, quem tem mais outras sugestões?

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