Ecos da Cinelândia

Pouca gente foi à Cinelândia ontem né? Algo entre 2,5 e 3 mil pessoas. Mas há várias razões para isso ter acontecido (eu mesmo deixei de ir por conta das duas moças da casa de cama ao mesmo tempo) e há várias interpretações sobre se a manifestação foi relevante ou não.

Mas além do que é impossível prever, como problemas de saúde, ou coisas como compromissos de trabalho e aulas e provas, é preciso perceber que esse grande movimento nacional que deu a partida no Dia da Independência tem uma característica básica: ele não nasceu e não é liderada pelas ‘entidades oficiais’, como sindicatos, partidos ou organizações como a UNE, que congregam muitas pessoas e têm capacidade de mobilização.

Como se sabe, o movimento começou nas redes sociais e, apesar do apoio de entidades importantes como OAB e ABI, depende de exclusivamente de adesão expontânea.

Outro detalhe é que a primeira onda, no 7 de setembro, aconteceu em um feriado de pouca emenda (quarta-feira), o que facilita a programação. Mesmo assim, os 30 mil reunidos em Brasília foram fora da média das outras cidades (São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre), que ficaram em torno das cinco mil pessoas.

Apesar de estar reunindo poucas pessoas, por enquanto, por quê disse lá em cima que esse é um grande movimento? Porque, baseado nas redes sociais, o que pode parecer silêncio pelos ‘pequenos’ encontros tem, na verdade, um enorme poder de reverberação.

Não se enganem, não é por acaso que todos os partidos do governo, além daquela turma que sempre gritou pela ética mas que hoje vive às custas desse mesmo governo, tentam desesperadamente diminuir a importância do movimento.

Há uma nova onda de marchas agendada para o dia 12 de outubro. Outro feriado perdido numa quarta-feira. Vamos ver o que vai acontecer.

Argumentos tolos

Entre os ‘ilustres’ que foram à Cinelândia, vários reclamaram da pouca presença com vários argumentos vazios. Entre eles, o que me chamou mais atenção foi o roqueiro engajado Tico Santa Cruz. Algo como “uma pena que as pessoas se mobilizem mais pelo futebol do que pela política”.

Uma estupidez por várias razões. Primeiro, é preciso entender que a paixão pelo futebol não é algo bobo, mas traço cultural do brasileiro. Segundo, se as pessoas se mobilizassem realmente (pelo menos segundo a expectativa do rapaz) pelo futebol, nossos clubes não estariam virtualmente falido e Ricardos Teixeiras já teriam sido banidos. E terceiro – e talvez o mais importante -, o interesse pela política está necessariamente ligado ao nível de educação da população. E nós sabemos como anda o Brasil nesse quesito…

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