Pelo fim da carona

Logo no dia seguinte ao feriado, falei aqui sobre as marchas que aconteceram no Dia da Independência. Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Ficou prometido coisa parecida para o Rio, no dia 20 de setembro, próxima terça, na Cinelândia. E anunciei que pretendo estar presente.

Por conta disso, recebi a seguinte proposta, nada indecorosa:

Se você for mesmo protestar no dia 20, pode ser até que eu apareça para te acompanhar, mas vamos dar um sentido mais objetivo ao protesto? Ficar indignado apenas não adianta. Que tal levarmos uma faixa em defesa do voto distrital?

Está topado. E quem passar por aqui e estiver afim, já está convidado.

Mas que história é essa de voto distrital? É um sistema de voto majoritário no qual um Estado (ou cidade) é dividido em pequenos distritos com aproximadamente o mesmo número de habitantes. Cada partido indica um único candidato por distrito. Cada distrito elege um único representante pela maioria dos votos.

Como podem ver, algo fácil de entender. Quem levar mais votos na sua região está eleito. Sem caronistas, sem puxadores de voto, sem proporcionalidade, sem representar interesses de classe ou coisas parecidas, uma vez que o eleito terá de trabalhar para todos, em prol do distrito pelo qual foi eleito.

Também, pela proximidade obrigatória e necessária entre candidatos e eleitores, fica muito mais fácil para você, eu, todo mundo, fiscalizar o trabalho do nosso eleito.

Daí, nasceu o movimento #EuVotoDistrital. Completamente apartidário, criado por pessoas comuns: trabalhadores, estudantes, empresários etc. Do movimento, saiu um manifesto que tenta alcançar a marca de 100 mil assinaturas ainda em setembro (já são 72.336). O objetivo é aprovar pelo Congresso Nacional a lei que torna o Voto Distrital (voto majoritário uninominal de dois turnos) no sistema eleitoral para eleição de deputados federais, estaduais e vereadores (esta, já a partir de 2012).

Visitem o site do movimento, leiam todo o material com atenção e – por quê não? – assinem o manifesto. Segue um trecho.

Sair às ruas e conversar com as pessoas é sentir a indignação pulsando contra uma política que já não representa como deveria, da qual pouquíssimos ousam se orgulhar. Política que sistematicamente vem legando ao segundo plano o compromisso com a legitimidade do sistema democrático. Política que, simplesmente, deixou de prestar contas de suas ações e distanciou-se da sociedade, definitivamente. O Poder Legislativo tem hoje como referência muito mais o governo do que os eleitores.

O atual modelo de representação, baseado na proporcionalidade, teve seus méritos e contribuiu para o progresso do país, mas se tornou, infelizmente, fonte de graves problemas para o próprio Poder Legislativo, contribuindo para o descrédito da instituição. Não podemos manter um sistema de representação que acaba conduzindo à Câmara dos Deputados parlamentares ignorados ou repudiados pelos próprios eleitores, que obtêm assento no Poder Legislativo com a ajuda de “puxadores de votos”, pinçados, muitas vezes, no mundo das celebridades. O voto distrital, ademais, baratearia enormemente o custo das campanhas eleitorais, processo que, por si mesmo, contribuiria para diminuir o financiamento ilegal de candidaturas.

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7 comentários em “Pelo fim da carona

  1. O voto distrital é interessante, mas e se o candidato de minha preferência não morar no meu distrito? Vou ser obrigado a votar em um cadidato meia-boca e não vou eleger o cara que eu acho melhor para a cidade?

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    1. Você vai ter que se adaptar da mesma maneira, como quando quer votar em um candidato a prefeito melhor que os da sua cidade. Ou um governardor ou um presidente. E sempre haverá os votos brancos e nulos.

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      1. Certo, mas o prefeito, governador e presidente são representantes do Poder Executivo. Será que restringir as opções do cidadão na hora de escolher seus representantes no Poder Legislativo não seria pior?

        Outra coisa é que um vivo no meu município, não só no meu distrito.

        Não sei, mas acho que a proposta do voto distrital ainda pode ser melhorada. Talvez seja interessante cada partido apresentar um candidato por distrito, mas acho que cada eleitor deve poder votar em quem quiser.

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        1. Sua proposta não é voto distrital, desculpe.

          Se você acha que um candidato de outro distrito é melhor que o do seu, faça campanha pra ele entre seus amigos e etc. E encontre, no seu distrito, alguém que seja mais próximo do que você acredita.

          O problema do sistema de hoje é que você, que gostaria de ter um representante, não tem. Você sabia que no congresso atual, só 36 deputados (dos 570!!!!) foram eleitos com os próprios votos? Quem é que está te representando, então?

          Enfim, não há modelo ideal, nunca haverá. A vantagem do distrital é que, mesmo quando somos obrigados a votar em alguém que não é achamos ideal, o sujeito está necessariamente mais próximo de nós. É mais fácil cobrar trabalho e atuação, e prestação de contas.

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