Sem rótulos, sem bandeiras

Acabou não aparecendo muito. Pelo menos, não tanto quanto devia. Mas foi muito bom ver que, para muita gente, o Dia da Independência ainda tem algum significado. A marcha de Brasília foi a maior do dia e reuniu cerca de 30 mil pessoas. Foi histórico por vários motivos. Entre eles, talvez o mais importante tenha sido o fato do movimento não ter sido organizado ou liderado por partidos políticos, sindicatos ou movimentos sociais como o MST.

Sobre isso, o resumo de Reinaldo Azevedo foi brilhante:

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a UNE não saiu, não!
É que a UNE estava contando dinheiro.
O governo petista já repassou aos pelegos mais de R$ 10 milhões e vai dar outros R$ 40 milhões para eles construírem uma sede de 13 andares, que serão ocupados pelo seu vazio de idéias, pelo seu vazio moral, pelo seu vazio ético.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a CUT não saiu, não!
É que a CUT estava contando dinheiro.
O governo petista decidiu repassar para as centrais sindicais uma parte do indecoroso imposto cobrado mesmo de trabalhadores não-sindicalizados. Além disso, boa parte dos quadros das centrais exerce cargos de confiança na máquina federal.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, o MST não saiu, não!
É que o MST estava contando dinheiro.
O movimento só existe porque o governo o mantém com recursos públicos. Preferiu fazer protestos contra a modernização da agricultura.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, os ditos movimentos sociais não saíram, não!
É que os ditos movimentos sociais estavam contando dinheiro.
Preferiram insistir no seu estranho protesto a favor, chamado “Grito dos Excluídos”. Na verdade, são os “incluídos” da ordem petista.

Nenhuma bandeira, uniforme ou faixa dessas entidades oficiais foi permitida. Justamente para escancarar o caráter popular do negócio.

Houve outras marchas do mesmo movimento que nasceu pelas redes sociais em outras cidades, como São Paulo e Belo Horizonte. Não sei de suas dimensões. Sei que o negócio não vai parar. No Rio, por exemplo, a bagunça está marcada para o dia 20 de setembro, na Cinelândia.

Estou pensando seriamente em aparecer acompanhado da família, Helena inclusive. Sabem aquele papo de que “o povo unido jamais será vencido”? A gente até sabe que perde, muito mais do que deveria. Mas acredito que ela deva ser apresentada o quanto antes a valores simples, mas profundos, como lutar por justiça e tentar construir um país melhor (ainda que esse último seja um conceito bastante difuso). E à possibilidade de mobilização (muitas vezes, necessidade) para chegar lá.

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2 comentários em “Sem rótulos, sem bandeiras

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