Ironia divina

Estive no inferno ontem. E se você quer fazer uma visitinha, nem é complicado chegar lá. No Rio, vá na direção do velho autódromo de Jacarepaguá – aquele que foi destruído pela sanha de Nuzman e Maia. Logo depois de passar por ele, uma curva à direita e outra à esquerda. Em frente à nova Cidade do Rock, está o Riocentro. Nele, a XV Bienal do Livro.

É claro que eu sabia que estaria cheio, não sou burro. Pessoas normais, que trabalham, só podem participar desses eventos (quando não estão de férias) em feriados ou finais de semana. Mas ontem…

Pra começar, um problema comum a qualquer evento que aconteça por aqueles lados, o trânsito muito ruim desde muito longe. Outra aporrinhação comum, o estacionamento caríssimo e sem qualquer estrutura do maior centro de convenções da cidade. Somem a isso, coisas comuns (pelo menos no Brasil) a eventos com grande carga de público: filas enormes até para comprar água (a partir de certo horário, os bebedouros pararam de funcionar), corredores cheios e muita dificuldade de circulação (dos cinco pavilhões, apenas três estão ocupados), queda (geral) de rede e sistemas e impossibilidade de compras com cartões de crédito ou débito.

Não sei qual é a medida de sucesso para a organização. Li na primeira página do Globo de hoje que ontem houve recorde de público. Mas me pergunto quanto cada um dos mais de 100 mil presentes puderam realmente aproveitar, se divertir, além de ver os estandes com calma e, por fim, comprar livros.

Eu, que gastei dinheiro com estacionamento e ingressos, prometi à minha família que nunca mais volto à bienal. Inclusive porque, dos poucos livros que consegui ver, os preços não justificavam a ida ao evento.

Alguns amigos dizem que estou me tornando um velho muito chato. Hum, não posso discutir com o tempo. Mas ainda não tenho 40 e o que eles chamam de chato, costumo chamar de custo-benefício. E o da Bienal, pra mim, foi péssimo. Já não foi a primeira vez e até a persistência tem limite.

•••

Boa parte do inferno de ontem foi provocada pela presença do padre pop Marcelo Rossi. Ironia divina, talvez? Não importa. O fato só comprovou que a Fagga, organizadora da Bienal (e que não respondeu nem um e-mail simples), não é capaz de prever e lidar com as dificuldades naturais causadas por um grande público, como a orda de fiéis que foi ao Riocentro.

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Um comentário em “Ironia divina

  1. Cara, eu comentei até com a Aninha em um determinado momento: “meu amigo Gustavão deve estar cuspindo marimbondos…” Fiz este comentário esperando a minha digníssima pagar um livro, em uma fila enorme, sem sistema e muito lento. Era o último ato antes de ir almoçar, quase 4 da tarde.

    Tá ficando difícil, e não conseguimos ir no pavilhão laranja.

    Vida que segue e faço minhas as suas palavras, espero nunca mais ter que ir nesse negócio.

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