Quase C.Q.D.

Imaginem a cena: sentado no sofá, feliz com o 2 a 1 estampado no placar e com o time jogando de forma consistente, vendo amadurecer o terceiro gol. Bola pra cá, bola pra lá, vejo que Deivid já está sozinho apenas esperando a pelota chegar para fechar o caixão. Nesse ponto, já estou de pé e fazendo algum barulho quando, simultaneamente, nosso grande centroavante dá sua pixotada habitual e Helena, com seus quase dois anos e prestando atenção em tudo o que gente fala para tentar copiar, chega à sala.

Com todos aqueles palavrões de última categoria engasgados na garganta, vejo a pequena me olhando quase assustada enquanto tento arrancar os cabelos e solto a pérola:

– Bobo, feio, chato!!!

E ela, com cara de mau, entra no coro:

– Bobo, fêo, cato!!!

Ainda gargalhava com ela no sofá, quando Damião fez seu golaço (aquele papo de quem não faz, leva).  Passei a mão na cabeça e soltei um ‘putz’. E ouvi, outra vez:

– Bobo, fêo, cato!!!

Pronto, o empate quase com sabor de derrota valeu pela bela lição que não precisei ensinar à moça.

Sobre o resultado em si, o gol perdido por Deivid serviu apenas para confirmar a tese de que a derrota que sofremos, para o campeonato, não mudava nada e que logo logo recuperaríamos os pontos fora de casa. Quase como queríamos demonstrar. E no final, nem foi tão ruim. Afinal, empatamos com um (teoricamente) postulante ao título na casa dele. Então é bola pra frente, que domingo tem aquele encontro com a freguesia tradicional do boteco.

Faltam só 20 jogos para o hepta, abramos nossos sorrisos. Afinal, o gol de nosso camisa 10 (com o providencial empurrão do Messi que marca) e a jogada do segundo gol foram tão ou mais bonitos que a bicicleta colorada.

Viúvas

Logo após o lance bisonho de nosso magnífico centroavante, e mais ainda após a partida, vi muita gente por aí esperneando com frases do tipo “ah, se fosse o Adriano”, “o imperador não perdia essa” e outras semelhantes.

Sou daqueles que deu graças pelo cara não ter vindo, mas – se vale como resposta – lembro que se fosse o Adriano ia dar no mesmo. Porque o cara não jogou até hoje, machucado que está, e Deivid (que não seria mandado embora) estaria em campo para perder o gol da mesma maneira.

Como milhares, já reclamei muito do sujeito. Mas é preciso lembrar que, mesmo perdendo tantos gols absurdos, o cara está brigando pela artilharia do campeonato. Então, que tal – só pra variar – começarmos a bater palmas pro sujeito em vez de tentarmos arrancar sua cabeça. Quem sabe, com um pouco de apoio, ele não passe a render melhor? Sei lá, só uma sugestão.

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4 comentários em “Quase C.Q.D.

  1. Gustavo, meu querido, ainda bem que sua pimpolha estava bem longe da minha boca, porque eu falei até palavrões que não existiam pelo gol perdido do Deivid.
    Só uma coisa me fez ficar mais irritado, nem sei se o sentimento é esse, acho que é tristeza. Tristeza por Constatar que o R10 é um Oasis neste time de jogadores medianos. Caramba, o cara vive na noitada, voltou pro Brasil para dar encerramento na carreira, quase não se esforça e mesmo assim o sujeito é DISPARADO o melhor jogador do campeonato, pior, não encontra interlocutor no Flamengo. Ele enfia uma bola maravilhosa, e recebe um “foi mal” de volta, tenta uma tabela e recebe um pedido de desculpas. Ta difícil aturar a “perebice” dos jogadores atuais. Gostaria de dissecar, na minha ótica, cada jogador do Flamengo, um por um, mas deixa prá lá…
    Este campeonato ta lembrando o de 2009:
    Ninguém quer ganhar!

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