A pessoa humana

Enquanto dezenas de juízes são ameaçados de morte por cumprirem seu papel (uma foi morta em Niterói há alguns dias), enquanto milhões e milhões de reais são engolidos pela corrupção instalada nos mais altos gabinetes de Brasília, enquanto o Rio de Janeiro vive no mundo de faz de conta das UPP de Sérgio Cabral, nossa presidenta (sic) ainda está por aí fazendo discursos sobre o abuso de poder da Polícia Federal na ação que prendeu mais de 30 pessoas na semana passada.

Além das algemas, outra coisa que aporrinhou demais nossas grande autoridades foi o vazamento de fotos de registro policial em que seis acusados apareciam segurando seus números e estavam sem camisa. Ok, é claro que se foram cometidos, os abusos devem ser punidos. Mas a grande corrida de todos os manda-chuvas do planalto aos microfones para falar sobre isso deixa claro a intenção de tirar o foco do problema principal – roubo, corrupção etc. – e tentar convencer a patuléia de que o importante é a perfumaria.

A última de nossa grande dama foi dizer, durante a cerimônia de posse do procurador geral da república, Roberto Gurgel, que “é preciso garantir o fim da impunidade mas respeitando a dignidade da pessoa humana”.

Não sei vocês, mas eu também me preocupo muito com a dignidade das pessoas caninas, eqüinas, bovinas, suínas e congêneres.

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2 comentários em “A pessoa humana

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