João

Era molequinho, não tinha oito anos. E João do Pulo era recordista mundial e uma espécie de herói nacional, meio que uma febre. Aquela velha história da falta de política de esportes do Brasil. Não importa o desenvolvimento das modalidades, mas vamos explorar o ídolo, vender jornal e fingir que está tudo bem. No próprio atletismo, foi assim com Joaquim Cruz. No tênis, Guga. Exemplos não faltam…

Mas estava falando do João Carlos de Oliveira, o do Pulo. Era o cara. Bicampeão panamericano no salto em distância e triplo; duas medalhas de bronze olímpicas (a de Moscou, em 1980, discutida até hoje) no salto triplo; tricampeão mundial no salto triplo. Seu recorde mundial conquistado no Pan do México (17,89m, em 1975) demorou 10 anos para ser batido; na América do Sul, a marca só foi superada por Jadel Gregório em 2007.

Hoje faz trinta anos que uma Variant amarela entrou na contramão da Via Anhangüera e bateu de frente no Passat de João. Parte de sua perna foi amputada. É a minha primeira lembrança de uma grande comoção nacional por um ídolo do esporte. Triste lembrança.

Dentro do possível, se recuperou e deu seus pulos em outras áreas. Se formou em Educação Física e se meteu com política, deputado estadual em São Paulo duas ou três vezes, não lembro.

Um comentário em “João

  1. Moro no Rio mas sou conterrâneo do João do Pulo. Ele foi deputado duas vezes, mas morreu de cirrose, endividado, solitário e esquecido. :-/

    Curtir

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s