Não é bem assim

…estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Coisas de pais. Nada mais comum do que ficar angustiado sobre como criar seu filho, o que dizer para sua filha, como ajudar seu bebê (sim, eles sempre serão seu bebê) a se preparar para o mundo. Nada mais óbvio do que tentar comparar as experiências e vivências de sua geração com as posteriores, em como tentar equilibrar as coisas boas e ruins de cada uma na relação com seu rebento.

Há alguns dias, por exemplo, conversava sobre a felicidade constante, o bom-mocismo e o sorriso interminável e (claro) politicamente correto que uma ‘molecada’ dos seus 25, 22 anos (e os ainda mais novos também) apresenta. Um ar de que tudo é lindo, maravilhoso, o mundo é belo e colorido. E quando não é, deixa pra lá. Afinal, estou aqui pra ser feliz.

Chegamos à conclusão óbvia de que faltavam peças nessa espécie de quebra-cabeças, que essa tal felicidade não pode ser real. Apesar de não citá-los muito, gosto de ditados e provérbios. E acredito que entram na categoria ‘sabedoria popular’ pelo ululante: são sábios.

Pois não há mal que nunca dure, nem bem que nunca se acabe.

Minha impressão é que aquela ‘molecada’ que citei lá em cima não está pronta para nenhum dos dois momentos, não estão prontos para as rupturas. E já há algum tempo que penso nisso. E quando abro minha caixa de correio, vejo o link para o artigo Meu filho, você não merece nada, de Eliane Brum. Leitura obrigatória.

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Um comentário em “Não é bem assim

  1. Oi, Gustavo

    Li o artigo todo da Eliane Brum. Perfeito. Não podemos achar que a vida é uma sucessão infindável de momentos felizes. Tudo tem sua mescla: alegrias, tristezas, conquistas e desapontamentos.

    Criar alguém para não se frustrar é absolutamente ridículo, fruto de uma geração de pais inseguros e pouco conscientes de seu papel.

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