Um tantinho a mais de educação

Existe um problema de educação básico por essas plagas. Não sei a quanto anda pelo resto do Brasil, mas no Rio a coisa é feia. Seja no trânsito, seja para entrar no metrô, está todo mundo cada vez mais mal educado e – em boa parte das vezes – violento. Quando pensamos na higiene da cidade, fica fácil entender do que estou falando. Apesar de Companhia de Limpesa Urbana, a Comlurb, ser eficientíssima, a cidade vive imunda.

Essa falta de educação geral, sem qualquer preconceito ou distinção de classe social, gênero ou cor, é baseado em dois entendimentos tortos sobre a vida numa cidade, a vida em comunidade. Meu umbigo vem sempre em primeiro lugar, não importa a circunstância. Então, não importa se ao fechar o cruzamento eu vou atrapalhar a vida do resto do mundo ou até matar alguém que está deitado em uma ambulância que ficou presa no engarrafamento e não chegou a tempo ao hospital. Pelo menos, não fiquei parado no sinal vermelho.

A outra visão distorcida que existe por aí é que o que é público não é de ninguém. Então, a lata de cerveja que voe pela janela do ônibus, sem importar se vai acertar alguém ou se a cidade estará suja. Não importa se há uma lixeira daqui a cinqüenta metros, o chocolate acabou agora e não vou carregar esse lixo. Fica no chão mesmo… Duvido que alguém faça algo parecido dentro de sua própria casa. E se esquecem que a rua, por ser de todo mundo, é sua também.

Aconteceu comigo num sábado desses. Como de hábito, saí para passear com Adriça e Joana. Naturalmente, quando uma delas fez seu cocô, tirei o saquinho do bolso, limpei a calçada e joguei o tal saco na lixeira. E aí, um senhorzinho se aproxima (sabe aquela história de que os mais velhos devem dar o exemplo?) e solta a pérola: “acho isso uma besteira. Por que não deixa para o gari limpar?”

Em um dia que teria, além da programação de praxe, duas festas infantis pela frente (e toda a confusão que isso significa), decidi não discutir e apenas respondi que “do meu lixo, cuido eu”. E fui-me embora enquanto o ancião balançava sua cabeça e pensava em como eu era otário.

Beócio de alta estirpe, o sujeito (e como ele, boa parte das pessoas) não conseguem perceber coisas óbvias. No caso do cocô de um cachorro, por exemplo:

– ele esquece que ele mesmo pode pisar e acabar arrastando o negócio por muitos metros, deixando tudo ainda mais sujo. Inclusive seu sapato e, até, seu carro ou sua casa (é claro que se isso acontece, o mesmo que me acha bobo por limpar, vai xingar minha última geração por não ter limpado);

– nem passa pela cabeça dele que basta que um mosquito pouse ou que uma barata passe por ali para levar até à casa e à família dele uma bactéria qualquer que pode provocar um problema de saúde;

– ele não é capaz de imaginar que uma criança correndo solta pela calçada pode colocar a mão ali, talvez levar à boca;

– ele não entende que a rua é tão dele quanto minha e que, da mesma maneira que não poderia sujar a sala dele, não posso deixar cocô do meu cachorro na calçada;

– por fim, ele não se dá conta de que o gari é tão meu empregado quanto é dele. E que, por isso, não tenho o direito de colocá-lo para cuidar do meu lixo particular quando o lixo público já é sem fim.

Não, não acho que sou melhor do que ninguém nem pretendo fazer campanhas ou manifestos. Talvez, só um desabafo. É que um pouquinho mais de educação das pessoas na maioria das situações que vivemos rotineiramente seria mais do que suficiente para melhorar e muito nossa vida.

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3 comentários em “Um tantinho a mais de educação

  1. Um tantinho a mais de educação na sua resposta ao senhorzinho não faria mal nenhum, desde o clássico “Vá tomar no c*!” até a versão mais descolada “Olha, faz o seguinte então, moço: enquanto a Comlurb não chega, vai dar meia hora de bunda… Ah, com o relógio desligado!”

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