Racismo oficial

Ainda (ou de novo, sei lá) as cotas. Está aqui na minha a frente a notícia de que passa a valer a partir de hoje um decreto assinado por Sérgio Cabral no dia 6 de junho que define a reserva de 20% (!!!) das vagas nos concursos públicos para negros e índios.

Pelo que li por aí, apenas mais dois estados – Paraná e Mato Grosso do Sul – têm legislação semelhante, mas com cotas bem menores.

E por que sou contra as cotas? Primeiro, porque quem está vivo hoje não tem culpa do que aconteceu com negros e índios há alguns séculos atrás, escravidão e extermínio por exemplo. Segundo, porque ao criar sistemas de cotas para tudo – concursos, universidades etc. – o Estado não cuida do que deveria: dar oportunidades iguais de educação para todos e criar a cultura do mérito.

Outro detalhe desses sistemas de cotas é que, ao invés de debelar, incentiva a discriminação e o preconceito. Duvidam?

“Minha nota é muito melhor, mas aquele cara passou nas cotas, porque é negro. Preto filho da puta!”.

Ei, calma, é só um exemplo. Mas você duvida que isso possa acontecer? Duvida que esse sentimento possa ser disseminado? Pois agora, imagine a mesma situação da maneira inversa, em um país em que as cotas fossem “necessárias” para os brancos.

“Minha nota é muito melhor, mas aquele cara passou nas cotas, porque é branco. Branquelo filho da puta!”.

Pois é… Agora, imaginem como seria o mundo se para tudo existisse cotas para questões de raça, gênero, orientação sexual, idade, tamanho do pé etc. Não, não é piada não. É que ao criar o precedente, as opções são infinitas.

Por fim, como decidir quem é índio, preto, pardo ou coisa que o valha? Baseado na autodeclaração ou na percepção de um funcionário público qualquer, contratado para olhar para um candidato e vaticinar sua condição? Como classificar, por exemplo, o Neguinho da Beija-Flor? Ele é negro? Tem certeza?

Pois há alguns anos, a BBC Brasil fez um estudo genômico, em parceria com o laboratório Gene, com nove personalidades negras. Vejam os resultados abaixo.

Pois então, a partir desse estudo, quem garante que eu ou até aquele louro de olho azul que você conhece não seja negro? Como seriam as cotas, então? Por proporcionalidade? Vamos exigir DNA de todos os inscritos?

Ou será que, em pleno século XXI, o Brasil corre o risco de se transformarem um Estado Racial?

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