Ó pá

Foi muito bom o Bolsonaro arrumar a confusão por conta dos tais kits gays do MEC. Não pela confusão, em si, que apesar de animada é uma grande besteira. Mas pela discussão que suscita (ou pode suscitar).

Seja para gays, negros, mulheres, homens, brancos, jovens, idosos ou qualquer outra categoria de ser humano que você consiga imaginar, é surreal que um país (que se diz) democrático fique por aí perdendo tempo com regras, normas, leis ou qualquer outra coisa do gênero para grupos específicos de pessoas. Porque isso é tudo, menos democrático.

Todo mundo tem o direito de não gostar de mim. Todo mundo tem até o direito de dizer que não gosta de mim. E esses direitos são sagrados. No entanto, ninguém tem o direito de me agredir ou desrespeitar. No entanto, quando agredido ou desrespeitado – porque isso pode acontecer com qualquer um -, tenho o direito de processar o sujeito. Civil e, dependendo do caso, criminalmente.

Porque desrespeito é desrespeito, seja você gordo, magro, rico, pobre, alto, baixo, preto, amarelo, azul, branco, homem, mulher, homo, hetero, bi ou pansexual. Assim como agressão também.

Mas estamos aí, enchendo nossa constituição e nossos códigos de penduricalhos que só servem para excluir mais, gerar mais preconceitos.

Por exemplo, por que o sujeito que mora na favela (em algumas do Rio isso já acontece) tem acesso a internet grátis e eu não? Por que um negro tem privilégios, vagas reservadas na faculdade, e eu não? Por que vou preso por racismo quando chamo um negro de negão e o contrário não acontece quando um negro me chama de branco azedo, branquelo ou quetais? Por que, se eu assumir publicamente que não gosto de gays, sou considerado homofóbico mas a prática contrária não tem problema nenhum?

Pois é isso, nossa Carta e nossos códigos estão cheios de penduricalhos, porque muita coisa já passou e ninguém disse nada. Primeiro foi a agenda de gênero. Depois, a de raça (ou etnia, como gostam os politicamente corretos). Agora, é a agenda LGBTXYZ que estáem discussão. Qualserá a próxima? Até quando vamos seguir excluindo cada vez mais ao invés de incluir?

Abaixo, um texto que foi publicado originalmente como comentário de um blog que já não lembro qual é. Quem sabe, uma vez que foi escrito por um português que adotou o Brasil há algumas décadas, alguém se dê conta das bobagens que andam fazendo por aí. Porque ele não escreveu nada além do óbvio ululante. O problema é que, às vezes, é muito difícil enxergar o óbvio.

É inacreditável a energia despendida por ambas todas partes para defender algo que está na Constituição Federal, senão vejamos:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

Está escrito. Ninguém precisa ficar puxando para um lado ou para o outro.

Na verdade falta em nosso país a luta pelo cumprimento do Art. 6º, esse sim capaz de reduzir as diferenças e desigualdades,EM TODOS OS NÍVEIS, existentes em nosso país, e assim acabariamos com sistemas de cotas (quer algo mais preconceituoso?), de proteção de direitos, etc.

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Se TODOS tivessem os mesmos direitos sociais do Art. 6º, com o apoio do Art. 3º, o Art. 5º seria mais fácil de cumprir.

Sugiro aos senhores congressistas voltar aos bancos escolares para aprender a Constituição Federal, que deve ser respeitada antes e acima de qualquer outra lei ou interesse.

Para exemplificar:

Eu, independentemente da minha cor, me sinto discriminado porque algumas pessoas, de uma etnia especifica (negra e sub-divisões) tem privilégios para acessar à faculdade, que eu não tenho, se for de raça branca, amarela, indígena, ou outra que não a negra.

Se os direitos devem ser iguais, estipulemos cotas proporcionais à distribuição racial em nosso país. Ah, é muito complicado???

Não seria mais fácil se todos tivessem direito a educação de primeira e pudessem disputar as vagas nas faculdades por méritos próprios e não por diferença racial?

Da mesma forma os direitos dos gays (sexo), negros, índios (origem, raça, cor), idosos (estatuto do Idoso) e crianças (ECA) estão explicitados na nossa Carta Magna, nos mesmo artigos, pois o fundamental é o RESPEITO AO SER HUMANO!!!

Infelizmente a base de tudo isso está se esfacelando com o tempo, e ninguém faz nada por ela:

A família, e tudo o que advém de uma boa família estruturada como educação moral, cívica e religiosa (e não estou advogando nenhuma religião), respeito ao país, aos pais, aos mais velhos e principalmente ao próximo, respeito às instituições.

Enquanto nossas crianças estiverem sendo educadas por um sistema de ensino público falido, ou pelo sistema particular permissivo, onde os pais transferem a responsabilidade da educação dos filhos para a escola, onde o governo “prioriza” a Universidade em vez do ensino básico e fundamental, onde professores completam 50/60 horas aula para sobreviver, onde alunos estudam em salas sem as mínimas condições de salubridade, o Brasil não chegará a lugar nenhum.

Dá um livro, por isso deixo só estas mal traçadas linhas para reflexão daqueles que tiverem o trabalho de lê-las.

Armando Faria

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