Crônica de sexta-feira (8)

A BH é minha, a Copa é do Mundo

A Copa do Mundo da FIFA é, sem dúvida, um dos maiores eventos do mundo e é claro que o país, o estado e a cidade devem se preparar. Mas o que são “o país, o estado e a cidade”, se não as pessoas? Se tudo der certo, as pessoas fizeram tudo certo. Se der errado, foram as pessoas que erraram. Então, resolvi, desde já, porque o tempo corre muito mais que aqueles antigos jogadores das pontas, fazer a minha parte, como cidadão belorizontino. Porque mudar hábito das pessoas não é tarefa pra um dia, uma semana, um mês. É coisa de longo prazo e não serão lindas propagandas televisivas que irão conseguir isso, nem tampouco depoimentos das autoridades, esportivas ou políticas, sobre o andamento dos trabalhos. Só as pessoas e somente elas (nós) é que irão conseguir ações de gentileza urbana, essenciais para o sucesso e sustentabilidade do evento e da nossa querida cidade.

Da mesma forma que o vencedor da Copa será um time muito bem preparado, treinado, motivado, integrado, assim também terá que ser com as pessoas da cidade: treinadas, conscientizadas, motivas, integradas.

Portanto, seguem abaixo algumas ações que considero fundamentais serem rotinas para o período de jogos no Mineirão, depois daquela primeira edição em solo mineiro, no saudoso ano de 1950, no campo do Sete de Setembro, também conhecido como Independência, palco de uma tremenda zebra do futebol – Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra, no dia 29 de junho.

– Os proprietários de veículos com 15 ou mais anos de fabricação, como Escort, Monza, Corcel, Pampa, Variant, Opala, Fusca, Tempra, Apollo, Galaxie, Kombi, Belina, Verona, Logus, Gol, TL, Chevette, Brasília, Fiat 147 e tantos outros menos lembrados, que não estejam em condições legais (de acordo com a lei) de circular, devem restringir seus deslocamentos ao extremamente necessário, principalmente nos pontos turísticos como a Savassi, Praça da Liberdade, Pampulha, Centro, Mangabeiras, dentre outros.

Por que? É simplesmente constrangedor ver esses – ilegais – veículos circulando por aí, poluindo, quase soltando pedaços da carroceria, arriscando a vida de seus e dos outros motoristas e dos pedestres. Mas, atenção proprietários desses e outros veículos “velhos” em bom estado de conservação: por favor, circulem à vontade e por toda a cidade, é bom demais ver um carro desses bem cuidado, conservado, bonito;

– se você vir um grupo de turistas na rua (vai ser fácil identificá-los, não é mesmo?), repare bem, veja se eles estão procurando algo, alguma informação, orientação. Seja pró-ativo, coloque-se à disposição para ajudar, informar e orientar;

– em um boteco (nome que culturalmente damos a bares, restaurantes e lanchonetes), se um grupo de turistas entrar e o recinto estiver lotado, veja se é possível arrumar cadeiras e mesas, se tem alguém pagando a conta, se dá pra apertar em alguma mesa, inclusive a sua própria. Afinal, BH é ou não é a capital mundial dos botecos?

– Os síndicos – juntamente com os condôminos – precisam caprichar nas fachadas dos prédios, sejam residenciais ou comerciais. Nada de pichação, parede com infiltrações, marquises que colocam em risco os pedestres, roupas dependuradas, pinturas quase inexistentes, acabamentos quase despencando. Nada disso. Temos edificações lindíssimas em nossa cidade, antigas e modernas, que merecem ser vistas e admiradas;

– e o seu cachorro? Gosta de fazer as necessidades na rua? Tudo bem, o passeio com ele é pra isso mesmo. Só que você tem o dever de cidadão de recolher e descartar adequadamente;

– empresários do transporte coletivo, por favor, adotem em suas frotas os ônibus de piso baixo. Por que 3 ou 4 degraus pra entrar e sair do ônibus? Idosos, obesos e pessoas com deficiências vão agradecer muito, assim como os demais passageiros. Com a roleta, a mesma coisa: não dá pra ser um pouquinho mais larga? Conforto é bom e a gente gosta. Tenho certeza que os fabricantes das carrocerias irão colaborar com esta iniciativa;

– na construção civil, vamos pintar os tapumes das obras com motivos inerentes às ações de cidadania, à nossa Beagá, às nossas Minas Gerais e, claro, ao futebol;

– alô galera da BHTrans: que tal estudar a implantação de ‘direita livre’ ou ‘esquerda livre’ em diversos cruzamentos onde isso é possível? Eu sei de uma porção de cruzamentos em que isso seria possível, é só começar que vai dar certo. O foco tem que ser na atenção aos pedestres e ao trânsito;

– lixo é na lixeira! Tem frase mais óbvia?! Tem iniciativa mais simples e cidadã do que essa? Devemos entender como lixo desde um simples palito a qualquer tipo de embalagem. Só quem já andou por esse mundo afora pode entender o quanto a limpeza faz bem aos olhos, aos corações e às mentes. E só nós, que moramos aqui, podemos iniciar e manter tal brilhante, fundamental e simples ação em favor de nós mesmos e da nossa querida cidade;

– vai hospedar um (ou mais) turista em sua residência? Que ótimo! Procure identificar outros familiares, amigos ou conhecidos que farão o mesmo e forme uma rede de contatos. A integração entre vocês irá facilitar muito e os visitantes serão melhor recepcionados, com a troca de ideias e informações;

– viu um cambista vendendo ingressos a preços abusivos? Ligue para o Disque Denúncia! Se, por acaso, você ficar com algum ingresso sobrando, procure vendê-lo a preço justo, comprador é o que não vai faltar e você não terá prejuízo.

Agora, a última recomendação: pra que esperar até 2014? Que tal começarmos, juntos, todos nós, escolas públicas e particulares, UFMG e demais universidades, profissionais liberais – especialmente os de Comunicação, o Movimento das Donas de Casa, vereadores, secretários, prefeito e governador, deputados e senadores, empresariado, CDL, Banda Mole, Clube da Esquina, músicos e demais artistas, grupos Corpo e Galpão, órgãos patronais de classe, Comida de Boteco, sindicatos, FIEMG, ONGs, enfim, a belorizontice toda…

Que tal conhecer, apaixonar-se por ela e praticar a gentileza urbana (que considera muitas e muitas outras ações além das citadas acima) a partir da próxima segunda-feira? Afinal, um time vencedor precisa treinar muito, né?)

Viva a campanha A BH é nossa! A Copa é do Mundo! (direitos autorais registrados, os leitores são testemunhas).

Um bom fim de semana.

Rodrigo Faria

Como vocês viram, os preparativos para a Copa de 2014, que terá Belo Horizonte como uma cidade-sede, motivaram a crônica de hoje. E como bom mineiro que é, Rodrigo trata de cuidar de sua cidade.

Mas bom mesmo seria que todos adotássemos essas práticas, esse comportamento, em todos os lugares, com ou sem Copa, com ou sem Jogos Olímpicos. Faltaria pretexto? Viver bem em um lugar bom não é suficiente?

Sei lá, a gente se acostumou a reclamar do governo, todos eles, por qualquer coisa. Eu mesmo sou um que vive reclamando. Mas será que a gente cuida da nossa parte?

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