Asa quebrada

Todo mundo já ouviu aquele papo de grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas deixam um legado para o país e para a cidade sede. Aqui no Rio, nós bem sabemos qual foi o legado do Pan 2007. Alguns elefantes brancos, um autódromo destruído, uma vila que é um mico e só.

Pois para atender a demanda de público de uma Copa do Mundo, um dos problemas do Brasil – mais do que conhecido de todos nós – é a Infraero e seus aeroportos deficientes. Há décadas. E num país continental em que não existe malha ferroviária comum e muito menos de alta velocidade, temos aí um gargalo absurdo.

Mas todas as promessas foram feitas, claro. Investimentos monumentais, obras a jato, teremos o que há de mais moderno no mundo e coisas do gênero.

E não é que o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou um estudo dizendo que nove dos 13 aeroportos, em obra para a Copa não ficarão prontos. Pode piorar: Curitiba está na conta do chá. Ou seja, podem ser 10 dos 13. Pode piorar: o estudo já avisa que alguns aeroportos – como Guarulhos –, mesmo que fiquem prontos, foram subdimensionados, e já estariam em sobrecarga durante a Copa. Não é uma beleza?

Vejam alguns trechos do estudo Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações.

Toda obra de infraestrutura de grande porte no Brasil deve cumprir uma série de etapas até sua finalização. Inicialmente, há a elaboração do projeto, seguida da liberação da licença ambiental por parte do Ibama, da aprovação do TCU quanto à adequação de custos, da licitação e, finalmente, das obras.

(…)

A análise do plano de investimentos para os 13 aeroportos da Copa sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura.

(…)

Apesar de insuficiente, a Infraero possui um plano de investimentos de R$ 1,4 bilhão ao ano (entre 2011 e 2014) para 13 aeroportos brasileiros, visando a Copa de 2014. Isso representa mais do triplo da média anual investida entre 2003 e 2010 pela empresa, que foi de R$ 430 milhões. Porém preocupa a baixa eficiência na execução dos programas de investimentos, que na média do período realizou apenas 44% dos recursos previstos.

Então, é esse tipo de legado os organizadores da Copa deixarão para nós, brasileiros comuns.

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