F111

Todo mundo que passa por aqui sabe que a Fórmula 1 é uma das minhas paixões. Então, nada mais natural do que falar de cada um dos carros apresentados pelas equipes para a temporada que começa daqui a duas semanas na Austrália. Faltava uma, a Hispania.

Em alguns momentos do ano passado, cheguei a apostar que a equipe não conseguiria correr em 2011, talvez não terminasse 2010.

Pelo menos oficialmente, estou enganado. O F111 foi apresentado na sexta-feira, em Barcelona, penúltimo dia dos testes de pré-temporada. O carro estrearia no sábado e chegaria à primeira corrida com pouquíssima quilometragem, mas melhor do que ano passado em que o carro só andou nos treinos livres do GP do Bahrein.

E eu disse aí que o carro estrearia porque, com a desculpa esfarrapada de que algumas peças ficaram presas na alfândega (amortecedores, por exemplo), o carro não foi para a pista.

Vale lembrar que a regra dos 107% volta à categoria nesta temporada e se a Lotus (verde) evoluiu um bom bocado, Virgin (agora Marussia) e Hispania… Quero dizer que não será nada estranho se, dos 26 carros existentes, só tivermos 22 no grid de largada de boa parte das corridas do ano.

Sobre a Hispania, seu novo carro e sua situação geral, segue abaixo o texto publicado no Blog do Capelli.

Adiando a extinção

A Hispania, por muito pouco, não virou mais um daqueles times que anunciam sua chegada à Fórmula 1 e morrem antes mesmo de estrear. Não são casos muito raros, só de cabeça fica fácil lembrar da italiana First, da francesa DAMS, da japonesa Dome e da mais recente, a norte-americana USF1. Originalmente, a equipe seria chamada Campos, o mesmo time que já competia na World Series e na GP2, pertencente ao ex-piloto espanhol Adrián Campos. Porém, sem fundos para dar sequência ao projeto, Adrián arrumou o empresário espanhol José Ramón Carabante como sócio. A equipe pôde nascer, mas Campos perdeu praticamente tudo.

Carabante, dono do Grupo Hispania, que atua no mercado imobiliário espanhol, é um sujeito suspeito. Uma péssima fama o precede, principalmente de não honrar palavra, compromissos, nem dívidas. Cheques sem fundo parecem ser uma prática corrente. Sua forma de fazer negócios não é muito bem vista na Espanha e o acontecido com Adrián Campos parece reforçar esta imagem. Inicialmente apoiador e dono de uma pequena parcela da equipe, Cabarante foi comprando os percentuais de outros acionistas e, com isso, ganhando poder. E conseguiu tumultuar tanto o ambiente ao ponto de fazer com que Adrián desistisse de tudo e vendesse para ele todo o restante do time. O dinheiro veio de um banco espanhol, através de contatos políticos (também suspeitos).

Algumas semanas depois, a Hispania estreava na Fórmula 1, no GP do Bahrein do ano passado. Obviamente, um projeto tumultuado e de poucos recursos não teria como dar certo. O time trocou de pilotos toda hora em busca de dinheiro, tinha o carro mais lento e amargou sempre as piores posições no grid e nas corridas. Só não foi último colocado no campeonato por causa da inexistente confiabilidade dos carros da Virgin, que no começo do ano tinham um tanque de combustível de tamanho incompatível com o volume de litros necessário para terminar uma corrida. A Hispania teve a sorte de encontrar alguém tão incompetente quanto ela pela frente.

Mas o cenário para 2011 não deve ser muito diferente. O carro novo foi apresentado somente hoje, penúltimo dia de testes da pré-temporada, e nem foi para a pista. E, ao que parece, é apenas uma versão do fraco modelo do ano passado, com dianteira remodelada. A pintura, com espaços para patrocínio preenchidos com “Sua logo aqui” e “Este é um espaço legal” é patética. A dupla de pilotos, com o jovem-aposentado Vitantonio Liuzzi e o risível indiano Narain Karthikeyan, é absurda. Colin Kolles, diretor da equipe contratado por Cabarante, também tem péssima fama no meio do automobilismo, também por má conduta. Em resumo, o time é ridículo, uma picaretagem.

Talvez a equipe até mesmo vá para a pista na Austrália, mas tenho sérias dúvidas se terá capacidade de terminar a temporada. A menos que seja comprada por alguém sério, a Hispania continuará a ser um arremedo de time até que sua extinção aconteça. Por enquanto, ela foi apenas adiada.

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Um comentário em “F111

  1. Gustavo,
    vc já deve ter notado no Cariocadorio que eu sou um entusiasta da F1, principalmente a de ontem. A de hoje tem cada vez menos gente interessada no esporte e mais na jogada financeira que pode ser feita por ali. É o caso destas novas equipes e particularmente desta apresentada no seu artigo.
    O tempo romântico da F1 foi acabando junto com algumas pessoas. Ken Tyrrel foi um desses que não sobreviveu à atroz guerra de picaretagem financeira ou de outra sorte que faz tempo impera na categoria. A partir de uma foto no Rio em 78 escrevi um pouco sobre ele aqui:
    http://cariocadorio.wordpress.com/2011/03/12/ken-tyrrell-rio-1978/
    aparece lá pra dar uma olhada.
    Sauddações cariocas

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