Patropi abençoa por De

Então vivemos num país maravilhoso, onde todos são iguais independente de cor, sexo, opção sexual, credo, peso, altura e tudo o mais que serve para diferenciar as pessoas, da cor do esmalte à cor dos olhos. Todos nós nos amamos muito, somos muito sorridentes e não existem preconceitos nem pecados ao sul do Equador.

E é um país tão maravilhoso que, ao invés de educarmos as pessoas, ficamos inventando leis anti-preconceito que só servem para criar mais preconceito, ao mesmo tempo que forçamos a cultura babaca do politicamente correto que só serve para disfarçar preconceitos. De qualquer naipe. E ninguém mais é gordo, é obeso ou está acima do peso. E ninguém mais é feio, só não atende aos padrões estéticos globalizados. E ninguém mais é preto ou branco, é afrodescendente (tem hífen?) ou caucasiano.

Pois eu tenho uma amiga chamada Elisa. Um amor de criatura, coração de ouro, profissional exemplar. Que tem uma família esplêndida em qualquer sentido que você que está lendo isso quiser utilizar. Mas Elisa tem um detalhe: ela é preta. É, preta mesmo. Não é negra nem afrodescendente. É preta. Como sua família.

E por que estou falando disso aqui? Leiam abaixo o texto do irmão de Elisa. Uma história que ilustra bem como vivemos em um país maravilhoso e blá blá blá…

Do ódio e da ignorância: um pai destruído por dentro

Nunca imaginei que tivesse que viver na pele a dor de um cidadão agredido com sua família em um dia de festa.

Contra socos nos defendemos, mas contra o cerceamento do direito de ir e vir de uma criança devido a sua aparência, fica a raiva guardada por ter que conter a violência para não aumentar o dano emocional sofrido por minha filha.

Eu só queria trazê-la para casa, para que ela pudesse sentir-se segura novamente.

Escolhemos o quiosque Espaço OX, no Leme para comemorarmos o aniversário de 5 anos de minha filha mais nova, com amigos e família, cerca de 20 pessoas. Reservamos e chegamos com as crianças as 19h. Realizamos a comemoração com as minhas filhas Lia e Dora, que durante todo o tempo brincaram nas dependências do quiosque as vistas dos funcionários.

Todos os convidados consumiram regiamente e pagaram suas despesas com tranqüilidade.

Aos nos prepararmos para ir embora, as 22h30, a funcionária Loi impediu minhas filhas, Lia (9 anos) e a aniversariante Dora (5 anos) de entrarem no quiosque ao retornarem do banheiro.

O motivo: alegou que seriam crianças de rua, por serem negras e terem cabelos crespos. Para encurtar uma longa historia: minha filha mais velha, de apenas 9 anos, está em choque.

As alegações da funcionária não apenas são racistas e incidem em constrangimento ilegal e cerceamento do direito de ir e vir, como denotam a falta de atenção dedicada aos consumidores que freqüentam o espaço. Vou entrar com medidas legais contra o estabelecimento e um processo por constrangimento ilegal, injúria, difamação e crime de racismo contra a funcionária.

Não queiram saber a dor de um pai ao vivenciar tais cenas em um dia de festa. A dor não vai embora quando fecho os olhos. Me vem a imagem de minha filha, minutos antes extasiada de alegria e em seguida chocada com uma realidade distorcida.

Estou sentindo muita dor. Uma dor que não vai embora.

A funcionária tinha a obrigação de observar quem estava na mesa mais numerosa do estabelecimento, estávamos minutos antes cantando parabéns e repartindo um bolo.

Impossível não ver a alegria que minhas filhas viviam em meio a amigos e família.

Loi estragou tudo com seu preconceito e despreparo para lidar com o público. Precisa ser punida de forma exemplar.

Minha filha, uma criança que é o que existe de mais valioso em minha vida, está DESTRUÍDA, achando-se culpada por não ter a aparência “certa” para poder ir e vir.

Espero que tal comportamento não seja uma norma do Grupo OX e da Orla Rio.

Esta carta está sendo copiada aos principais jornais do Brasil e publicações do segmento de turismo no Brasil e no exterior, em inglês.

Felipe Barcellos (Pai)

 

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