Dinheiro queimado?

Então o prefeito Eduardo Paes anunciou que a prefeitura ajudará as escolas de samba que sofreram com o incêndio da última segunda-feira com R$ 3 milhões: R$ 1,5 milhão para Grande Rio, R$ 750 mil para União da Ilha e Portela. E aí começou uma troca de e-mails entre a turma do Grupo Grande Tijuca sobre o tema. Não tenho o direito de reproduzir aqui as mensagens dos outros, mas talvez – por um dos meus e-mails – vocês consigam entender o rumo da conversa.

A questão básica é que há pessoas (não apenas no grupo, tenho certeza) que acham que a ajuda da prefeitura é um absurdo, afinal é muito dinheiro e a cidade tem outras prioridades.

Pois bem, vejam o que escrevi e digam o que pensam. Fiquei realmente curioso.

Então chegamos ao ponto. Como é gasta a receita da cidade. Quanto descemos o pau, cobramos de verdade, fazemos pressão real? E não falo do grupo que está em cópia aqui, mas do carioca em geral.

Mas vamos por partes.Como disse e reafirmo, o carnaval é fundamental para a cidade, cultural e economicamente. Como o a virada do ano em Copa. São momentos chave e que sempre deverão ser capitaneados pela própria prefeitura. O objetivo é gerar lucro para a cidade. E existem outros eventos menores, que não vejo necessidade de citar. Enfim, isso é visão de negócio. Investimos para ter lucro. Como qualquer negócio, há que se ter planos de contingência e budget (no caso do poder público, verba) para suportá-los. É o caso do que aconteceu agora com as escolas de samba. (Sinceramente, me surpreendeu o valor designado, esperava mais)

Mas para um negócio ter sucesso, é preciso mais do que – simplesmente – investimento em produto (neste caso, o carnaval). E nada do que disse agora vai além do óbvio.

Nosso problema não é reclamar do dinheiro do carnaval, mas do resto da empresa (a cidade) que não tem sido cuidada. Seu pessoal (moradores e servidores em geral), seus bens patrimoniais (escolas, hospitais, museus, bibliotecas etc), sua rede logística (transportes e vias), sua infraestrutura etc etc etc.

Infelizmente, qualquer um que pensar um pouquinho será capaz de perceber que o dinheiro dotado para ajudar as escolas que pegaram fogo não seriam investidos em algo dito prioritário e nós sabemos porque. De qualquer maneira, como definir o que é prioritário? Assumamos que não há dinheiro pra fazer tudo o que é necessário, o famoso cobertor curto. Como decidir por exemplo se vamos gastar mais em educação ou em saúde (nesse caso, hospitais e postos de saúde)? Por lógica, podemos dizer que um povo educado é naturalmente mais saudável, mas isso é um processo que depende de muito tempo para termos efeito, todo mundo sabe disso. O mesmo poderíamos dizer da relação entre saneamento e sistema de saúde. E assim, desenhar relações de número quase infinito entre todas as prioridades, sem esquecer que eventos como o carnaval também são uma prioridade para a cidade.

Então, é claro que nosso prefeito e seus secretários gastam mal (assim como nosso governador e sua equipe). Porque sabemos que há dinheiro. Agora, não gosto do Eduardo Paes, não o acho um bom prefeito. Não votei e não votarei nele de novo. Mas também é preciso reconhecer quando ele faz as coisas certas. E cito dois momentos importantes. No ano passado, por exemplo, ele teve peito de fazer uma coisa que nunca tinha visto por essas plagas, mandar a população não sair de casa, estancou a cidade no dia da chuva 6 de abril. E agora, nesse caso do carnaval, acho que ele agiu corretamente, com a agilidade e decisão necessárias.

Nenhuma dessas duas boas decisões o exime de culpa pela cidade não estar preparada de verdade para uma grande chuva ou coisa que o valha nem pelo sistema de prevenção de incêndios da Cidade do Samba não ter funcionado devidamente, como parece ter acontecido pelas reportagens que já vimos por aí.

O que estou tentando dizer é que precisamos racionalizar nossa fúria. Apoiar as decisões corretas do sujeito (e sua trupe) e cair de pau pra valer por todo o resto que não é feito da maneira correta. Por exemplo, a diferença de qualidade da operação Asfalto Liso entre Zona Sul e Zona Norte.

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