Quando a gente pensa que a estupidez não tem limites…

Já terminou, depois de apenas três dias, a primeira série de testes da F1 para a temporada 2011. Notícias do dia? Kubica fez o melhor tempo. Mas é impossível saber o quanto disso pode ser em função de um escapamento que joga os gases para a frente para que eles, ao passar sob o carro e serem engolidos pelo difusor, gerem mais downforce. Pelo menos, parece que não atrapalha.

Mas como todo mundo que escreve sobre F1 por aí já disse, especialistas ou apenas apaixonados como eu, até a última seção teremos apenas tendências, mais fortes ou mais fracas, de como será a temporada. Afinal, vale destacar que temos uma Force India de 2010 andando na ponta.

Massa começou mal, com sua Ferrari pegando fogo e perdendo muito tempo de pista. Mesmo assim, avaliou bem o que pôde testar do carro e o comportamento dos pneus Pirelli.

Agora, novidade novidade mesmo, uma invenção da FIA: a criação de zonas definidas de ultrapassagem e utilização da nova asa traseira móvel. O que eu tenho a dizer sobre isso? Depois de algumas gargalhadas meio desesperadas de ler algo assim, encontrei o texto abaixo.

Burrice endêmica

Eu não tenho dúvidas de que o mundo passa por um surto endêmico de burrice. Ela se manifesta “em todos os níveis”, como dizem os enroladores profissionais. Um desses níveis, claro, é a Fórmula 1. Prega-se redução de custos e, ao mesmo tempo, inventam-se bobagens que só aumentam os custos e criam confusão. Lamentam-se as dificuldades de sobrevivência e criam-se outras maiores ainda. Para matar os que não se enquadram, levá-los à bancarrota, instituir uma lei de Darwin ditada pelo poder econômico.

A última da FIA é divertidíssima. Delimitar “zonas de ultrapassagem” nas pistas, onde possa ser usada a brilhante asa móvel inserida no regulamento deste ano. Mais ou menos como se a Fifa determinar que chutes a gol só possam ser efetuados a partir de áreas previamente estabelecidas, desde que os zagueiros estejam a uma distância pré-estabelecida e os goleiros, com os dois pés no chão e as mãos erguidas à altura do peito.

Comecemos com a asa móvel, uma estupidez sem tamanho. Carro não é avião. A aerodinâmica que atua sobre o automóvel tem de ser estática, rabiscada numa prancheta, estudada por projetistas espertos e inteligentes. Ponto, acabou aí. Acionar flaps é coisa para comandante da Varig. Piloto, na medida do possível, deveria apenas usar os pés para acelerar e frear, como se faz num carro de rua, e as mãos para trocar as marchas e virar o volante. Como se faz, ainda, em alguns carros de rua

Todo o resto é perfumaria invisível a olho nu que não interessa em nada a quem sustenta o espetáculo, o cara na arquibancada e o outro no sofá da sala diante da TV. Em vez de fomentar a criatividade de engenheiros e estimular o talento e o arrojo de quem pilota, os regulamentos procuram normatizar tudo, criar regras até para o orgasmo de uma corrida, que é o momento de ultrapassar, o “feeling” de quem está no cockpit, aquilo que diferencia um cara que dirige um carro de outro que pilota.

Agora, essa das zonas de ultrapassagem. Não vai vingar, não pode, porque é idiota demais até para quem acha, como a FIA, que tem recursos tecnológicos infalíveis para controlar a distância entre um carro e outro o tempo todo. E as asas móveis deveriam ser banidas já. Se está difícil de ultrapassar, não é criando normas para isso que se vai resolver o problema.

O Kers é outra tolice, dispendiosa e artificial. Já deu errado dois anos atrás, o que faz com que se imagine que vai dar certo agora? Só atrapalha na hora de projetar o carro, é mais uma traquitana para quebrar, dar defeito, e, de novo, separa as equipes em dois grupos, os que têm grana para desenvolver e os que não têm e, por isso, ficam ainda mais para trás.

O que se quer é criar regras para tudo. O planeta está assim. Aqui pode, ali não pode. Isso é permitido, aquilo, não. Entre por lá, saia por acolá. Vista-se assim, dispa-se assado. Não ria, não olhe para a câmera, pare, siga, pague, digite a senha, retire o cartão, disque 1 para saldo, 2 para mudar de plano, 9 para falar com nossos atendentes.

Mundo chato da porra.

Flavio Gomes

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Um comentário em “Quando a gente pensa que a estupidez não tem limites…

  1. Sempre que alguém imbuído de “boa vontade” e idéias para “melhorar” a vida de todo mundo tem poder para impô-las, acaba beneficiando apenas alguns e prejudicando todo o resto, que deve se submeter a estas regras. Aconteceu com a F1, acontece com a legislacão trabalhista, com o livre empreendedorismo e um monte de outras coisas. Os exemplos dos quais a História está abarrotada têm nomes variados: justiça social, social democracia, estado indutor, socialismo, nazismo ou comunismo. O resultado, é só olhar na História passada e pesente.
    .
    Mas são apenas nomes para a ruim e velha tirania.

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