Cantar pra subir e a bolsa nova

Ok, sei que já desejei feliz ano novo a todo mundo, o ‘cartão’ está logo aí embaixo. Mas é que apesar de tentar me manter otimista e, de certa forma, alheio ao que há em volta para – pelo menos – estar de bom humor na virada do ano, às vezes não dá.

Como disse o Noblat, Lula insiste em não desencarnar da presidência. E parece que o Brasil não quer deixar mesmo. O que dizer, no final das contas, do lançamento da pedra fundamental de uma obra que só vai começar daqui a sete anos (se é que vai começar)? E a cena ridícula da demolição simbólica do viaduto da Perimetral, dando marretada em uma maquete de uma obra carioca em um gabinete de Brasília e, ainda por cima, de capacete?

Tudo isso depois do discurso messiânico com tons mediúnicos da semana passada.

Pra piorar, o campo de Tupi, ponto de partida da produção do pré-sal na Bacia de Santos, foi renomeado. Até aí, nada demais. Todos os campos em produção, no Brasil, tem nomes de animais da fauna marinha. Em Campos, por exemplo, estão o Marlim, Roncador, Badejo e Namorado.

E vocês já sabem qual o novo nome de Tupi? Lula!!! Aí, pra disfarçar, Iracema foi transformado em Cernambi. A partir dessas escolhas bem casuais, posso entender que todos os campos da Bacia de Santos terão nomes de moluscos?

Tentando ajudar nosso guia a desencarnar do cargo, é bom pensarmos um pouco no futuro. Afinal, ano novo, presidenta nova. Não podemos esquecer que Dilma tomará posse no primeiro dia do ano. E o Tojal, em seu blog Este mundo possível (já anexado na lista Na boa, aí ao lado) lançou uma bela proposta para o novo governo.

Bolsa oposição, uma idéia para Dilma

Proponho à presidente Dilma a criação da Bolsa Oposição. Já que a oposição não se anima, o próprio governo poderia dar um gás. E a nova presidente teria bastante a lucrar, evitando constrangimentos e até desastres políticos para o seu governo, promovidos por seu partido e aliados. A Bolsa Oposição ajudaria a atemorizar corruptos, a impedir mais aumento de impostos, a conter a tribalização do estado via aparelhamento, a moderar o clientelismo nas políticas públicas, a evitar golpes contra a liberdade de imprensa e por aí vai.

A existência de oposição combativa é uma das condições básicas da democracia. É condição para que um governo seja melhor do que pode ser ou pelo menos para que não seja ruim demais. Oposição boa é a que cobra, denuncia, briga. Oposição assim é a melhor amiga que um governo pode ter.

É claro que muita gente prefere que a oposição continue se fingindo de morta. Apostando nisso, seguem na estratégia de demonizar a crítica, de tratar adversários do governo como inimigos da pátria. Isso e mais a popularidade de Lula tiveram o efeito de acovardar e paralisar a oposição.

Afinal, tudo o que cabe à oposição combater está dando certo para o projeto de manter o poder por mais tempo, por mais algumas gerações, se der, “para consertar tudo o que fizeram de errado antes neste país”. Uma CPMF aqui, um Mensalão ali, dois ministérios para o Sarney, três estatais para o Collor, 700 milhões para o Silvio Santos, os juros mais caros do mundo, o uso eleitoreiro das políticas públicas… É até barato para evitar que os outros voltem para atrapalhar.

Mas fica a dúvida se isso vai dar certo para sempre, se a economia mundial vai continuar ajudando, se a sociedade vai continuar tolerando. O companheiro Hugo Chávez já está governando por decreto… Amigos garantem que o Brasil é diferente, que a nossa democracia está consolidada, dizem que estou sendo pessimista, paranóico. Desejo que estejam certos.

Aqui, porém, a oposição vem renunciando a assumir o seu papel. E, mesmo com a licença oficial de Lula, há o risco de novamente fugir à responsabilidade, de se fazer de morta durante o mandato de Dilma, para jogar mais uma vez a sorte nas eleições. É uma política suicida, um desserviço à democracia. E frustra mais de 40 milhões de eleitores que votaram pela mudança, apesar do rolo compressor da máquina pública e do messianismo lulista.

Hoje, só quem berra é uma parte da imprensa. Apesar da proclamação de Dilma pela liberdade de expressão, o PT, sindicatos (inclusive dos jornalistas), professores militantes, ongs e interessados em geral seguem na guerra santa pelo controle da mídia pelo governo, que chamam de “democratização da comunicação”. É claro que a legislação brasileira precisa ser atualizada e corrigir vícios como a propriedade cruzada de veículos, concessões políticas e conteúdo ruim. Mas não é isso que o PT quer mudar. O objetivo é controlar o jornalismo, calar a crítica e impor a verdade oficial sobre o passado e o presente. Em suma: transformar o jornalismo em propaganda do governo.

É, portanto, pela democracia e para que Dilma comece sua administração com o pé direito, que proponho a criação da Bolsa Oposição. Tem a vantagem, em relação a tantas outras bolsas oficiais, de não custar nada ao Tesouro Nacional. Pode ser distribuída em crédito político, desonerando quem critica do agravo de querer a desgraça do povo e do país.

Altamir Tojal

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