Ponte que partiu

Desde o fim da campanha eleitoral tenho tentado não prestar muita atenção ao que está acontecendo em volta, afinal há o sentimento de que nada vai mudar por aqui. E, apesar de não achar isso bom, a grande maioria parece realmente gostar de como estão as coisas. No entanto, não me surpreendeu nada ver a primeira página de alguns jornais de hoje anunciarem que nova presidente – apesar de passar a campanha inteira dizendo que nada mudaria, que os investimentos não seriam reduzidos etc etc etc. – já mandou preparar os cortes nos orçamentos de 2011 de todos os ministérios e de alguns programas chave, como o PAC.

Mas aí, quando cidadãos resolvem fazer as coisas, a despeito de quaisquer governantes de qualquer nível e políticos de qualquer escalão, há a grande possibilidade de ‘dar merda’.

Essa é a história do Darsílio, sujeito que vive de plantar e vender algumas hortaliças na comunidade de São Sebastião, em Santa Maria de Jetibá (ES). Havia uma ponte velha que era o caminho natural de passagem para que levasse sua produção à cidade, mas não dava pra confiar nela, passar de carro ou caminhão. Aí, o sujeito procurou a prefeitura pra tentar resolver o problema, mas nada foi feito. Foram cinco anos de negociações.

Aí, o sujeito, um empreendedor, resolve o problema. Contrata um pedreiro e, por um preço muito menor que outras obras públicas semelhantes realizadas nesse nosso país de meu Deus, faz uma nova ponte. A partir daí, começa a receber visitas de políticos e tem a idéia de colocar ali uma placa curiosa:

Ponte particular. Proibido passagem de veículos da prefeitura e políticos.

Diz o Darsílio que, já que não teve ajuda de ninguém, não vai deixar ninguém se aproveitar da obra feita. Justo, não é?

Vale dizer que ele não é o único beneficiado pela obra. Mas aí, pela boa história e pela excelente placa, o caso chamou atenção e foi parar na mídia. E aí, nós que vivemos no país da tutela, da burocracia e da boquinha, temos a seguinte reação do secretário interino de obras do município:

Duvido que tenha alvará e que ela tenha sido feita com requisitos técnicos básicos. Acredito que a obra esteja irregular. (Carlos da Fonseca)

E é aqui que começa a piada da história. A prefeitura não fazia a obra com a desculpa de que a ponte ficava em propriedade particular. Mas quando o dono da propriedade resolve fazer a obra, dizem que não pode ou não deve, é irregular. Não é curioso?

Pois bem, não sei bem como funcionam essas autorizações pra fazer obra em casa ou  coisas assim, mas tenho certeza que o caso será de fácil solução, basta olhar para a ponte pra ver que foi muito bem feita. Mas não duvido nada de que apareçam multas, ameaças de derrubá-la e até um pedido de arrego para resolver o problema e liberar a papelada. Afinal de contas, onde é que vivemos mesmo?

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