Luto

Acordei com a notícia, uma mensagem que chegou pelo celular enquanto ainda tentava aproveitar uns últimos poucos minutos de sono. Zico está fora.

E o que dizer sobre isso? Ficar repetindo a cantilena óbvia de todo e qualquer rubro-negro que se presa? Que perdemos a última de reconstruir o Flamengo como o Flamengo deve ser?

A verdade é que desde que chegou, o Galinho – o sujeito que seria capaz de unir todos e tudo o é Flamengo ao redor do mesmo objetivo – enfrentou muitas restrições e resistência. Vale lembrar que o vice-presidente do clube não foi à posse do novo diretor.

A grande questão é que Zico tentou implantar um modelo limpo de gestão, com objetivos de médio e longo prazo. E esse tal modelo limpo impede, necessariamente, que figuras que estão no clube há anos tirando (enorme) proveito disso continuem a aproveitar a festa. Começaram a ver seus privilégios e mamatas diminuir e até cessar.

Pois é…

Ainda não deu tempo para descobrir se Patrícia Amorim é uma presidente competente ou não. Não tivemos tempo para descobrir se o trabalho de Zico daria resultados ou não. Se patinam, se erram, se se atrapalham com suas respectivas funções, isso faz parte. Acertar e errar é do jogo.

Mas a grande questão que coloco é a seguinte: passem um pente fino nas vidas e carreiras de Patrícia Amorim e Zico e vejam se acham ou o que acham de ruim. Depois, passem o mesmo pente fino nas vidas e carreiras de Hélio Ferraz, Capitão Léo e todo o seu grupo que, desde o início, fazem oposição aberta, declarada aos quatro ventos, aos dois. E vejam o que acham de bom.

Também estou curioso para ver o que vai dizer o colunista do Globo, que desde o início fez muita força para atrapalhar o trabalho do Galo, apesar de se dizer rubro-negro. Até agora seu blog está parado. E, pelo jeito, rubro-negro até a página 2…

Mas se o Zico saiu e a presidente ficou, por que a cito? Porque, aqui do meu cantinho, acho que seu papel – agora – seria colocar seu cargo à disposição, renunciar mesmo. E os dois, juntos, colocar a boca no trombone, dar nome aos bois etc etc etc.

O Flamengo é muito maior que Zico e Patrícia, é claro. Mas também é muito maior que toda a corja que há décadas se instalou e se locupleta no clube. E não vou deixar de ser flamengo (flamenguista é invenção de neologista). Mas aqui do meu canto, vou dar um tempo. Sem ingressos, sem pay per view, sem jogos na TV aberta ou rádio, sem camisas, bonés ou qualquer coisa do gênero que ajude a alimentar os bolsos de quem – infelizmente – manda no clube.

Hoje, o Flamengo, os rubro-negros de verdade, aqueles que querem ter um Flamengo grande e forte, estão de luto. E pelo andar da carruagem, ficaremos assim durante muito tempo.

*E agora como é que eu fico
nas tardes de domingo
Sem Zico no Maracanã
Agora como é que eu me vingo
de toda derrota da vida
Se a cada gol do Flamengo
Eu me sentia um vencedor
Moraes Moreira

*E não é que, de repente, uma música da década de 80 ficou atual em 2010?

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Um comentário em “Luto

  1. Pior do que o luto é a desolação. Somos milhões de torcedores éticos, retos ou tortos. Somos uma nação órfã e com a cetreza de que o bem ainda estamos muito londe de vencer o “mal.

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