Crônica de sexta-feira (5)

Fazia tempo que o moço não aparecia e as sextas-feiras andavam um tanto mais sem graça. E nos dias em que vivemos, com as perspectivas (ou falta delas) que temos, faz muita falta sorrir.

Palavras sonoras

Sem fazer uma pesquisa , apenas de memória, segue uma homenagem ao talento e criatividade dos redatores das revistas em quadrinhos, que além das histórias que tanto encantam crianças, jovens e adultos pela simplicidade, inocência e humor ainda conseguem “escrever” os sons do nosso dia a dia de forma única. Espero que ao ler o texto vocês se lembrem de muitos outros sons dos quais não me recordei.

Au, au e miau são óbvios demais, mas cuidado com o cachorro que faz rrrrrrrrrrrrrrrrrr. Aliás, na “linguagem animal” temos muitos bons exemplos, né? Quá, quá, piu, piu, ronc, ronc, fiiiizzz (cobra), zzuuummm para as abelhas voando, có,có e cócóriiicóó para o galinheiro, rrriiiiiimmm dos cavalos. Cáin, cáin é cachorro chorando ou resmungando. Já o gato, enroscando nas pernas das pessoas, faz roonn, roonn.

Os barulhos relacionados ao trânsito também são tradicionais: fon fon e beep beep, olha o carro! Como é que a criança brinca com o carrinho? Vruumm, vruumm. Eu esqueci como é escrito o som de uma freada . . .

Smack, e lá se foi um beijo daqueles. E na cozinha, quantos outros exemplos. Scronc, scronc, faz o estômago de quem está com fome; Nham, nham, que delícia. O seu antônimo é aaarrrggghhh!, que gosto horrível. Nhac, uma engolida ou uma mordida daquelas bem saborosas; glupt glupt, faz a garganta quando um líquido passa e chup chup, bastou abreviar o verbo e o uso do canudinho está redigido. Crac, crac, mastigando algo, pode ser daí que vem o nome do biscoito creme cracker.

Tchibum, alguém ou algo caiu na água. Crash e clap clap vieram da língua inglesa e foram incorporados sem precisar de serem traduzidos, para explicar uma batida de carro ou os aplausos. Toc toc, alguém bate à porta ou ding, dong, toca a campainha e bléim, bléim, fazem os sinos. O bang bang extrapolou o tiro de uma arma de fogo e virou gênero de cinema. Por falar em armas, a metralhadora faz um rá tá tá tá inconfundível, assim como aquela da música. Cruzou com uma mulher bonita? Fiu fiu !!! Huuuummmmm, gênio pensando!

zzzzzzzzzzzzzzz, que sono gostoso, enquanto o zzzuuummm é algo que passa rápido. Bum! Bum! estouro de fogos de artifício ou de qualquer outra coisa. Iiiiinnnhééérrrrccc , êta porteira véia; cóin, cóin faz a mola quando pressionada. Para chamar a atenção ou pedir silêncio, shshshshshsh!!!!! Cabran ou cabrum, não me lembro bem, mas é tempestade que se aproxima; úúúuúúúú faz o vento no corredor; puf! sumiu, desapareceu. Tchan, tchan, tchan, tchan . . . atenção, vai começar o show. Snif, snif, chorando com o fim do show. Blá, blá, blá, que conversa desinteressante; rá, rá, rá, muito engraçado; bbbbrrrrrrrr, que frio que está fazendo; ploc, ploc, vai sair uma pipoca quentinha; pow! uma “coelhada” da Mônica no Cebolinha ou um soco de qualquer super-herói em qualquer vilão.

Mas o bom mesmo é ouvir algo rápido e repetitivo, parecido com brááééiinn, brááééiinn, brááééiinn, às sextas-feiras, lá pelas 17h30, quando o meu carro sai do asfalto e entra no caminho de calçamento, chegando em casa. Este som indescritível me remete aos bons momentos que se aproximam, no fim de semana que está começando. O som vem do porta-malas . . . são as garrafas de cerveja, cheinhas, balançando no engradado !!!!

Um bom fim de semana prá vocês, com ruídos maravilhosos.

Rodrigo Faria

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