Sorumbático, macambúzio

A essa altura do campeonato, depois de quase oito anos, depois de uma penca de escândalos (inclusive nas últimas semanas), depois de uma penca de vexames aqui e além mar… Enfim, depois de não ver nada disso provocar qualquer nível de indgnação a ponto da popularidade do sujeito só crescer, a ponto de estar a ponto de eleger sua candidata como um rolo compressor no primeiro turno, não me resta muito a dizer.

Até porque, como conheço boa parte da meia dúzia de 7 ou 8 leitores que passam por esse meu canto, sei que opiniões e sentimentos são mais ou menos os mesmos.

Hoje, mais do que puto ou qualquer coisa que o valha sobre o resultado, pura e simples, da eleição, ando mesmo é preocupado com o que vai acontecer por essas bandas nos próximos anos. Como diria o Armando, ando um tanto sorumbático, macambúzio pela dúvida se Helena (e toda a sua geração) terá a real oportunidade de fazer suas escolhas e se expressar de maneira realmente livre.

Pode ser alarmismo? Tomara que sim, mas minhas dúvidas são enormes. A ver.

Manifesto em Defesa da Democracia

Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil,  inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

É inaceitável  que militantes  partidários  tenham convertido  órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais em  valorizar a honestidade.

É constrangedor que o Presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras, mas um inimigo que tem de ser eliminado.

É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para  ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

Clique aqui para saber mais e assinar o manifesto.

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3 comentários em “Sorumbático, macambúzio

  1. É, o articulista tem saudades o professor formado na Sorbonne, o sociólogo elegante que privatizou a Vale do Rio Doce e tentou esfacelar a Petrobras. O homem chique que assistiu à elevação do desemprego sem abrir um concurso para a Petrobras, BNDES. O estilo autêntico e sem classe do Lula incomoda o olfato da burguesia de salto alto e enche de pundonor os intelectuais que se sentem agredidos por fazerem parte de uma classe média a qual se juntaram os zé-povinho oriundos da classe C. Hoje, esse bando de excluídos pode comprar um computador e até se dar ao desfrute de trocar um ventilador por um ar condicionado. Pode comprar frango e dar um iogurte pras crianças… Mas, vá, isso não tem importância, não? O que importa é a tal democracia e este discurso da “família com deus pela liberdade” a mesma que legitimou a ordem imposta pela “gloriosa” na década de 60.
    A direita é forte e a mídia sempre esteve a serviço da classe dominante, ajudando a fabricar fiscais do Sarney – lembra ?- para mascarar a inflação galopante, e eleger um caçador de marajás do Alagoas, o mesmo que, com sua super ministra Zélia – por onde anda esta prepotência em forma de ser vivo?- confiscou a caderneta de poupança de trabalhadores da noite para o dia.

    Hoje, o que vemos, é o desespero dos fabricantes da campanha pró-Serra
    por esta ter sido e continuar sendo um fracasso. Na história recente do país, isso não tem sido assim, como já mencionei. Mas, agora, o povo está um pouco mais bem alimentado e o seu cérebro consegue produzir um pouco mais de fosfato para que saiba discernir falácia de coisa séria e perceber o que mudou no Brasil da era Lula e comparar com o Brasil de todos os outros presidentes.

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    1. Olá José Carlos, obrigado pela visita.

      Não chego a ser um articulista, apenas um sujeito comum que arrisca publicar o que pensa sobre o mundo ao seu redor.

      É verdade que em alguns aspectos houve evoluções durante o governo atual, da mesma maneira que o governo anterior fez muita besteira.

      Mas há coisas muito sérias acontecendo e que não são apenas discursos.

      Hoje, nossa carga tributária é ainda mais alta do que quando começou a atual gestão. E o que deveria voltar à população não é entregue, não existem as contrapartidas do estado. E não me venha falar das bolsas, porque são apenas esmolas que não exigem nada em troca de quem recebe.

      E se você pensa que ao falar em Democracia me refiro apenas ao direito de falar o que quero e coisas congêneres (que são sim muito importantes), falo também do que qualquer cidadão de qualquer lugar do país deveria ter nas mesmas proporções. Por exemplo, a oportunidade de usar um serviço de saúde pública de qualidade. Isso não acontece, obrigando boa parte das pessoas a se descabelar para pagar planos de saúde privados. E isso é só um exemplo.

      Não sou louco, não acho que esse problema foi criado pelo governo atual. Mas o governo atual, depois de mais de duas décadas defendendo idéias realmente a favor do Brasil, além da ética, transparência etc., virou as costas a tudo o que defendeu.

      Sobre a ‘mídia golpista’, garanto que conheço bem suas práticas e interesses. Mas, independente de não serem nada ingênuos, bonzinhos, simples defensores de tudo o que é bom, não podemos esquecer que as denúncias não são inventadas do nada. E é preciso ter discernimento para separarmos a informação do jogo de interesses.

      E sobre o discurso (bem velho) da Elite X Povo, é engraçado vê-lo utilizado por alguém que defende o governo atual, que está de braços dados com todas as elites do país, das financeiras às industriais, sem deixar de lado as velhas oligarquias.

      Não meu caro, não sou louco de achar o governo anterior ou os governos anteriores fizeram apenas coisas boas pelo país. Como não sou louco de achar que o atual fez apenas coisas ruins. Mas acho que o governo atual (e o próximo, pelo andar da carruagem) deixará de herança para o Brasil muito mais coisas ruins do que boas.

      Voltando a falar de democracia, tenho muito medo do viés (ou ranço, como preferir) totalitário da gestão atual, nas práticas de tutela que estão cada vez mais instaladas nas nossas rotinas, da facilidade com que se vira as costas à nossa constituição, ao ponto de colocar em risco suas cláusulas pétreas. E é por isso que digo ter medo do futuro.

      Tive a sorte de ser apenas uma criança quando nossa ditatura estava se acabando. E apesar de ter lido muito a respeito, não sofri com ela. Mas tenho quase tanto medo da espécie de autoritarismo que vemos germinar por aqui. Porque sem as armas, e aparentemente em modo democrático, domina-se o país pelas idéias – ou pela falta delas, causando o embotamento contínuo e eliminando qualquer possibilidade de discussão, argumentação e, por fim, indignação com o está errado. E então seremos apenas ovelhinhas bem pastoreadas. Definitivamente, não é isso que eu quero para o Brasil.

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    2. O ex-presidente do plano da D. Zélia e o anterior a ele, Sir Ney, hoje são aliados de quem?
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      Sr. José Carlos, só porque agora eles aparentam ter redirecionado(?) ideais e caráter para o mesmo rumo em que você navega os seus (assim como fizeram Renan, Jader, Maluf, Roriz, etc), acredita realmente que mudaram de lá para cá?
      .
      Lula só reinventou o Brasil de oito anos para cá. De acordo com seu “fosfatado” raciocínio e considerando que os danos causados pela fome até uns seis anos de idade na formação cerebral e do racioínio duram pelo resto da vida, a geração mais velha que pode ter sido “salva” pelo grande-guia desde o primeiro dia do mandato deve ter no máximo 13 anos, ou seja, inaptas para votar.
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      A própria existência e perpetuação do molusco-mor é obra pura e simples, ainda segundo sua “fosfatada” lógica, da demência provocada pela fome, ignorância e opressão impostas pelos governos anteriores. Não ficaria orgulhoso se estivesse eu no lugar do apedeuta com um defensor como você. A menos que compartilhasse dos mesmos índices de fosfato nos miolos.
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      Deve ser com base ainda nessa mesma lógica vitaminada que o sr. acredita que, milagrosamente, depois que Lula descobriu ou inventou o Brasil, o mesmo povo que era muito ignorante até então sequer para perceber a própria miséria, tenha conseguido reescrever as leis da física quântica e a própia teoria da relatividade, viajado para o passado e revertido ou apagado os anos mergulhados no abismo da ignorância, quando ainda despossuíam fosfato, discernimento e sequer consciência para saber que tipo de governo os “oprimia” – a ponto de poder formar uma memória novinha em folha e permitir-se qualquer tipo de comparação entre o antes “novinho em folha” e o depois.
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      E o que é mais incrível, dependendo do enfoque, o sr. até tem razão: é exatamente isso que faz a EBC, Luis Nassif e toda a imprensa ao gosto do sr. Franklin Martins.
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      O seu raciocínio lisérgico e THCídico é tentador, mas até aí posso alegar também que os bovinos vivem felizes por ignorar o futuro que os aguarda atrás da porta do matadouro. E olha que o capim é grátis e não lhes falta fosfato. Talvez uma bola de cristal ou visão de raios-x pudessem fazê-los perceber, coitadinhos, que mesmo com comida farta e sem precisar trabalhar o futuro não é exatamente “um mundo melhor possível”. É isso: falta imbuí-los de um ideal revolucionário, quem sabe uma revolução armada? Orwell já ensaiou nesta seara. Leia-o se puder.
      .
      Só posso aconselhá-lo a continuar assim, pois o sr. está a um passo de convencer quem lê seus argumentos de que patos põem ovos e galinhas amamentam. Despeço-me então em uma possivel novilíngua que alcance tão notável raciocínio:
      .
      MUUUUUUUUUUUUU!

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