Retorno amarelo

Foram 10 meses de separação, entre o dia 2 de novembro de 2009 e 4 de setembro de 2010. E uma baita duma saudade.

Uma semana depois do nascimento de Helena, me mandei para Santos para cumprir um compromisso assumido um ano antes, de correr a regata em direção ao Rio e, por conseqüência, participei do Circuito Rio. E desde então, por inúmeras circunstâncias, não havia mais pisado em barcos.

Aí, foi confirmada realização do III Campeonato Brasileiro de Velamar22 no feriado de 15 de novembro deste ano em Niterói e fui convocado. Mas a tripulação do Picareta já não é mais a mesma e pra que tudo funcione como deve, é preciso treinar. E, desde o início do mês, todos os finais de semana, pelo menos um dia. E fomos pra água em dia de muito sol e muito pouco vento: Morcego no leme, Armando nas escotas, eu na secretaria e Luiz como o novo proeiro.

Mas as coisas não funcionaram muito bem e Armando teve a idéia: vamos mudar as posições a bordo, dois meses de treino é tempo suficiente para nos ajustarmos ou encontrar um plano C.

E lá fomos nós no sábado, para correr a Regata Rei Olav, em formato barla-sota (7 pernas!) como será o nosso brasileiro. Ótimo, treino em ritmo de competição. E posições novas: além do Morcego no leme, eu nas escotas, Luiz na secretaria e Armando na proa. E o dia amanheceu com chuva e vento, um bom vento que variava entre 10 e 15 ou 16 nós nas rajadas rondadas nas proximidades da praia do Flamengo.

E descobri muita coisa. A primeira, óbvia e que poderia resumir tudo o que aconteceu comigo a bordo, é que esses 10 meses sem ir ao mar vão cobrar sua conta. Estou sem braço para lidar com as escotas, principalmente a genoa. E vou ter que dar um jeito de malhar muito até novembro, ou não vou dar conta do serviço. A outra é que perdi completamente a noção de como o barco se comporta e como eu devo me comportar no barco quando o vento aperta.

Porque se é verdade que o dia não estava nada agradável, também é verdade que já enfrentamos condições muito piores a bordo do Picareta. E todo mundo com os nervos em paz, eu inclusive, condição básica para levar o barco em segurança e safar qualquer problema.

Pois bastou meia dúzia de duas ou três atravessadas para eu travar. É isso mesmo, amarelei. Apesar do barco ter ficado a quase noventa graus por duas vezes, eu nem cheguei a molhar os pés. E mesmo assim, amarelei.

No ruim de tudo, e depois de ainda levar dois tombos enquanto mareava o balão, depois de ver um outro tripulante quase ser pendurado no mastro pelo pé enrolado em alguns cabos, depois de largar mal, depois de mais um tanto de outras cagadinhas, foi um dia bom. Porque me lembrou como tudo começou, em 2006, quando com o joelho recém operado e duro, sem saber e sem conseguir me movimentar a bordo como deveria, sentia um baita frio na barriga a cada vez o barco adernava.

É, foi mesmo muito bom. Vento, chuva, o corpo moído e – pra arrematar – um terceiro lugar. Estou de volta.

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Um comentário em “Retorno amarelo

  1. As rajadas bateram 20 fácil.

    Não fique sorumbático. Vamos treinar, e tenha a certeza que depois de 2006, quando tivemos o mesmo tempo e fizemos bonito, este ano tem tudo para dar certo, basta acreditar.

    Bons ventos

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