Idéia de jerico

Vem aí o Dia Mundial sem Carro. A idéia, como se pode depreender, é que as pessoas não usem seus carros, optando pelo transporte público, bicicletas ou caminhadas. Tudo para que, conscientizadas, as pessoas passem a adotar a prática como hábito, tornando o trânsito das grande cidades mais humano e – de quebra – diminuindo muito a emissão de gases que ajudam a provocar o efeito estufa.

Tudo lindo e maravilhoso? Sem dúvida. Eu, por exemplo, adoraria poder vir trabalhar de bicicleta. Gastaria cerca de meia hora pedalando sem correr pelo percurso de aproximadamente cinco quilômetros. Não o faço porque na empresa em que trabalho não há estrutura para que eu estacione a bicicleta em segurança e tome um banho para começar a trabalhar. E essa é a realidade da maior parte das empresas.

Além disso, estamos cansados de saber que nosso trânsito não é educado e provavelmente seria atropelado em menos de uma semana.

De qualquer maneira, o problema é um pouco maior do que um simples desejo pessoal. Esqueçam as bicicletas, afinal ninguém muda de hábitos tão radicalmente, do dia para a noite. Sem contar que as distâncias são muito maiores, não posso negar que sou um privilegiado nesse quesito.

A pergunta é: o Rio de Janeiro (ou qualquer grande cidade do país) tem estrutura de transportes públicos que permitam às pessoas deixar seu carro na garagem?

Não, claro que não. O Rio (e qualquer outra grande cidade do país) não tem linhas de ônibus suficientes e bem planejadas, não tem ônibus suficientes para suportar um fluxo dessa natureza; não tem metrô que dê conta e que atenda a cidade inteira, estamos cansados de saber; nossas linhas de trem são velhas, ultrapassadas e também insuficientes; e o que temos por aqui como transporte alternativo, as vans, é uma vergonha, uma bandalha só, e seus usuários são tidos como sobreviventes pela maneira como se dirige e pelo estado geral dos veículos; por fim, será que preciso falar das barcas que vira e mexe estão superlotadas e à deriva na Baía de Guanabara?

Então, como é que uma cidade como o Rio pode aderir a um movimento como esse, mesmo que seja por um dia? Carlos Alberto Muniz, vice-prefeito e secretário de meio ambiente da cidade, já avisou que no dia 22 haverá cerca de duas mil vagas interditadas. Já imaginaram o caos, em como será para entrar no metrô ou tomar um ônibus?

Não sou louco e adoraria ver essa modelo de comportamento funcionar por aqui. Mas para isso, prefeito e governador precisam estruturar a cidade de verdade e, depois, iniciar as campanhas de conscientização da população.

O problema é que dá muito menos trabalho fazer barulho aderindo a grandes movimentos e fazendo muita propaganda do que trabalhar de verdade pela cidade. Eu vou é tratar de negociar com a chefia para passar o dia 22 trabalhando de casa.

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2 comentários em “Idéia de jerico

  1. Então o alcaide, o governador, os deputados e vereadores deveriam sair de suas casas e ir trabalhar usando os meios de transporte disponíveis. Nada de carro oficial e nem táxi, que é carro também.

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