Margem de erro

É certo que quando a voz de Roberto Ribeiro fazia explodir o verso “ainda resta um pouco de esperança” não passava pela cabeça dele qualquer ilação eleitoral. Afinal, o samba composto por Jorge Aragão e Dedá da Portela trata de amor.

Digamos então que, solto, o tal verso exprime um bom bocado do que sinto e do que espero do próximo dia 3 de outubro.

E para corroborar (um tanto inspirado hoje), recebi da Ruth Saldanha um material bem interessante, tratando sobre pesquisas de intenção de voto, seus métodos e respectivas margens de erro.

Pelo tamanho do texto, seria inadequado reproduzi-lo aqui. Mas o artigo A Falsidade das Margens de Erro de Pesquisas Eleitorais Baseadas em Amostragem por Quotas, de José Ferreira de Carvalho e Cristiano Ferraz nos ajuda a entender como funcionam essas pesquisas e os riscos em adotar cegamente seus resultados. Vejam um trecho:

Segundo a fraca lógica de algumas firmas de pesquisa de opinião, amostragem aleatória é cara e demorada, logo inviável; alternativamente, usa-se amostragem por quotas, convenientemente mais barata e mais rápida. Ocorre que não se sabe o que pode sair de uma tal pesquisa, já que os estimadores são arbitrários e injustificados. E as margens de erro declaradas não tem fundamento.

De quebra, e para uma análise mais completa, o link para a página em que o Ibope apresenta seus métodos de pesquisa eleitoral. Segue um trecho.

No caso das pesquisas eleitorais, esses erros são geralmente desiguais para os diversos candidatos em função da distribuição geográfica do eleitorado de cada um deles.

Mais do que boa, arrisco dizer que é leitura obrigatória. Porque é preciso não esquecer que a divulgação de pesquisas, que deveria ser mais uma informação do processo eleitoral, já se transformou em ferramenta de campanha há muito tempo, pois ajuda a conquistar – entre muitas outras coisas – o voto útil, daquele sujeito (que são muitos) que pensa algo como “nem adianta votar em beltrano, ele vai perder mesmo…”

Como disse no post anterior, ler e pensar são atividades que não fazem mal. Muito pelo contrário. E àqueles que ainda acreditam ser possível termos um país democrático, “ainda resta um pouco de esperança (…)Dessa vez não vamos nos deixar levar, podemos superar”.

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