Merecimentos

A vantagem ou desvantagem (vá saber) de ficar um bom tempo sem escrever, seja lá porque motivo for, é que você – mesmo que não queira – acaba usando seu tempo para pensar. E eu não consegui fugir do tema eleição.

Com o cenário que se desenha à frente, chego a pensar no desperdício de tempo que é ficar pensando, discutindo, escrevendo sobre o pleito que vem por aí. E apesar de, nas últimas semanas, não ter escrito sequer uma linha sobre as amenidades que me encantam, como o Flamengo, Fórmula 1, cinema, livros ou qualquer outro assunto que desse na telha, vou insistir – pelo menos agora.

Mas sinceramente, com a máxima de que cada povo tem o governo e os políticos que merece, já quase desistindo.

Não, não vou falar sobre o óbvio ridículo de candidaturas de figuras como Tiririca, Mulher Pêra e congêneres. Acho que não preciso, apesar do enorme risco de vê-los ocupando cadeiras do congresso e assembléias legislativas pelos quatro cantos da nossa terra.

Meu quase desengano tem relação com mais uma pesquisa de intenção de votos divulgada hoje, CNT-Sensus. E a eleição de Dilma já no primeiro turno é cada vez mais provável.

Apesar de tudo o que é sabido, os desmandos, o aparelhamento e o claro perfil anti-democrático, os eleitores brasileiros – de norte a sul – estão mais do que satisfeitos com o governo atual e, aparentemente, muito felizes com o que se apresenta.

O pior é que isso é muito fácil de confirmar. E ao contrário do que se possa imaginar, não é apenas o imenso curral construído sobre uma enorme penca de bolsas distribuídas principalmente no nordeste. Me dei ao trabalho de dar uma olhada em como andam as eleições para governador nos principais colégios eleitorais do país: Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

E ao perceber que das sete disputas, cinco são lideradas por aliados do governo sempre com larga margem, cheguei à conclusão que o fundo do poço é logo ali. Vejam só:

RJ – Sérgio Cabral (PMDB) leva no primeiro turno.

MG – Hélio Costa (PMDB), um ex-jornalista que luta contra a liberdade de expressão, deve vencer no primeiro turno. Se algo der errado, sua margem em um eventual segundo turno é gigantesca. A esperança é que ainda há mais de 20% de eleitores indecisos.

BA –Jaques Wagner (PT) também deve levar no primeiro turno.

RS – Tarso Genro (PT) está à frente de Fogaça (PMDB) e deve haver segundo turno. Mas a vitória deve ser mesmo do petista. De qualquer maneira, mesmo que aconteça um tsunami nos pampas e o ex-ministro não seja eleito, o PMDB assumiria e manteria a influência do governo federal.

PE – Eduardo Campos (PSB) tem mais de 60% dos votos no estado de Lula. Surpresa?

DF – Joaquim Roriz (PSC), mesmo com sua candidatura indeferida pelo TRE, continua à frente de Agnelo Queiroz (PT). Apesar da oposição ao governo federal, é figurinha mais do que conhecida e nada digna de comemoração. Está recorrendo ao TSE mas a chance de mudança na decisão é pequena e o governo do Distrito Federal cairá no colo do PT.

SP – Geraldo Alkmin (PSDB) deve vencer no primeiro turno e São Paulo seria a ilha de oposição nesse mar de estrelas vermelhas. Mas essa vitória não é grande vantagem, afinal o estado é tradicional ninho de tucanos.

Resumindo, deixo a pergunta: é ou não é pra desanimar?

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