Da Vila

Numa certa noite final de tarde, entra o assessor Garcia esbaforido e dá a notícia ao presidente: “o Paraguai vai invadir o Brasil presidente”. E o nosso bravo representante do povo trabalhador lhe responde: “liga para o Lugo e pede pra ele invadir amanhã de manhã, pois eu já encerrei o meu expediente”.

É claro que é apenas uma brincadeira, mas será que alguém em qualquer país acreditaria que no Brasil tem um presidente que encerra o seu horário de trabalho às 19h para que possa trabalhar na campanha da sua candidata à presidência da república?

Não vi em qualquer meio de comunicação nenhum comentário, nenhuma charge ou até mesmo crítica à essa iniciativa do Sr. Lula, a fim de que possa mais uma vez faltar com respeito às leis eleitorais. Desde quando presidente da república tem horário preestabelecido de trabalho? Será que após as 19h ele pode ser tratado como qualquer cidadão brasileiro que paga suas contas, seus impostos, anda de ônibus, entra em fila, ou é apenas um artifício para burlar leis?

O mais triste não é a decisão de estipular o seu horário de trabalho, mas sim os motivos que podem levar um presidente em final de mandato a se esforçar tanto a ponto de chegar a tal ridículo para eleger alguém que nunca teve um cargo eletivo e que, com certeza, não tem nenhum preparo para comandar um país da grandeza do Brasil. Alguns dirão “e ele têm?” Não tem, mas ele pegou um Brasil arrumado, deu prosseguimento ao programa econômico deixado, manteve a inflação sob controle e implementou os programas sociais já implantados. No entanto, caso consiga eleger sua candidata, essa tomará posse de um país quase que destruído, com a máquina inchada, com gastos públicos beirando o caos, importando muito mais que exportando, a educação estagnada, com ministérios em número absurdo apenas para agradar e empregar os “camaradas”, e com uma aliança para governar que mais parece uma quadrilha de mal feitores.

Que motivos reais levaria, realmente, o presidente a se empenhar tanto para eleger sua candidata? Seria apenas colocar alguém lá apenas para esquentar a cadeira até sua volta em 2014, ou seria algo mais grave e aterrorizante? Seria o medo de quem eleito que não fosse ela vasculhasse seu governo de cima pra baixo e encontrasse algo que realmente não fosse honesto? Seria o receio de que seus camaradas que de uma hora para outra enriqueceram às custas da viúva perdessem seus cargos, tivessem que devolver o desviado ou ainda fossem parar em cadeias de segurança máxima, ou quem sabe ainda levassem com eles pessoas de sua proximidade?

Não podemos deixar de admitir alguns progressos no governo Lula, mas também não podemos esquecer que ele criou um novo tipo de voto de cabresto com suas “cestas tudo” e uma nova maneira de governar na qual o presidente só sabe das coisas boas e desconhece as roubalheiras e falcatruas de seus aliados e assessores.

Daqui a menos de 60 dias iremos eleger aquele ou aquela que vai pilotar o leme desse barco hoje sem rumo e com um comandante preocupado apenas com sua biografia e com o bem estar dos seus e dos aliados. Cabe a nós, somente a nós, fazer essa escolha. Somos nós que dentro do biombo, de frente para a urna (honesta ou não), iremos digitar os números daquele ou daquela que irá nos representar, governar, melhorar nossas vidas ou apenas dar prosseguimento a esse processo de toma lá da cá e busca insana de enriquecimento que assola o país já por oito anos. E não podemos errar mais uma vez, não podemos nos deixar levar apenas por míseros trocados oriundos das “cestas” em troca de mais quatro ou oito anos de desmandos, roubalheiras, aparelhamento do estado e quem sabe até nos levar de volta ao status de um país subdesenvolvido.

O Brasil merece muito mais que um presidente que tem horário de trabalho como um trabalhador qualquer e de alguém que quer ser presidente apenas porque o seu chefe achou que ela era a pessoa mais indicada para não consertar seus erros e não desmantelar a quadrilha que se formou, com ou sem o seu consentimento, nesses longos oito anos de governo do PT.

Sabemos bem que as opções não são as melhores, mas com certeza a da continuidade é a pior delas.

Fonte: Jornal Vila em Foco – Editorial – julho/2010

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