Crônica de sexta-feira (4)

Antes de você começar a ler esse post, quero deixar claro que não acredito na seleção brasileira seja nossa pátria de chuteiras. E torço por ela sim, não por ser brasileiro, mas porque – quando era bem moleque – o futebol que os caras de camisa amarela jogavam me conquistou. Como me conquistou, um pouco antes, um certo manto rubro e negro. Mas isso é conversa para uma boa mesa de um excelente boteco.

Pouco antes de começar a copa, vivi duas situações curiosas em relação ao patriotismo nosso de cada dia. Quer dizer, de cada quatro anos e calçado de chuteiras.

A primeira delas, estávamos a família tra-la-lá e eu no carro e, já dando de cara com toda sorte de bandeiras penduradas em janelas de apartamento ou nos carros em volta, quando minha dama perguntou “não é meio óbvio torcer para o Brasil na Copa? Quem deveria colocar bandeira na janela não são os outros, que são diferentes, que torcem pros outros países e, assim, marcar essa diferença?”

E durante todo esse período, sempre que lembrávamos, o gracejo “olha lá um cara que torce pro Brasil…”

A segunda aconteceu na empresa que trabalho. Na véspera da abertura, todo o andar apareceu decorado por bandeiras e flâmulas e, de uma hora pra outra, o número de pessoas que começou a freqüentar seu sagrado emprego vestido de verde e amarelo, mesmo que nossa seleção não estivesse em campo, se multiplicou. Curioso, pois cerca de meia hora após a derrota para a Holanda, as bandeiras começaram a ser recolhidas e as camisas amarelas sumiram (e não é que boa parte daqueles patriotas tinham um plano B na mochila?).

A turma com a qual trabalho criou uma ilha de resistência. “Nossas bandeiras ficam, no mínimo até o final da copa, pode tirar sua mão cheia de dedos daí!”

Pois é, seria excelente termos uma pátria que não precisasse de chuteiras. E não é que o Rodrigo, nosso cronista mineiro das sextas-feiras, colaborador involuntário deste blog, resolveu escrever sobre isso?

Bandeira

A Copa do Mundo acabou mais cedo para nós mas como eu gostaria que as bandeiras brasileiras continuassem nas varandas, nas janelas, nos carros, nas propagandas, nos jardins e em todos os lugares possíveis para se admirar este símbolo tão bonito da nossa brasilidade.

É uma pena mas reconheço que daqui há alguns dias vai ser difícil ver tantas delas, apenas as comumente vistas em prédios públicos, nem sempre bem cuidadas, mal iluminadas à noite, rasgadas, sem vento para esticá-las etc.

Se o futebol não conseguiu mais um título, ainda temos a Liga Mundial de Vôlei . . . a Fórmula 1 aos domingos (é até apelação, né? esperar que os atuais pilotos brasileiros sejam campeões . . . mas vencer uma prova até que não é tão impossível assim) mas como o esporte não deve ser – nunca – o único motivo para exibirmos nosso pavilhão, deveríamos nos esforçar mais para parar de ter espasmos (esportivos ou não) de brasilidade. Ser brasileiro faz bem e temos que mostrar isso à nós mesmos e ao mundo.

Em vários países os povos exibem suas bandeiras de forma permanente, zelada. Basta lembrar daquelas mais conhecidas, como a dos Estados Unidos, da Inglaterra, do Japão, da Suíça e da Austrália, apenas para citar alguns exemplos.

Então, vamos fazer um mutirão em favor da divulgação, exibição da nossa bandeira? Calma, calma, tem um Decreto – ou Lei, não sei ao certo – sobre como podemos usar a nossa bandeira e como não podemos.

Então, o nosso mutirão deve começar por criar um novo texto para este Decreto ou Lei e se a ação é escrever, isso é comigo mesmo, e, portanto, segue a minha sugestão:

Decreto Civil que regulamenta o uso da Bandeira Brasileira

Art. Único – A Bandeira Brasileira pode e deve ser exibida em toda e qualquer manifestação de brasilidade que for possível a todo e qualquer brasileiro, em todo o território nacional e no exterior, nas 24 horas do dia, desde que seja iluminada à noite e apresentada em bom estado de conservação, confeccionada segundo os padrões oficiais.

Pronto. Sem essa de lamentar eliminação de Copa do Mundo, de término de torneios internacionais, de períodos eleitorais, de férias escolares, nada, nada. É colocar a flâmula verde amarela branca azul anil nos mastros, na mochila, na roupa, na caneca, no chaveiro, no vidro e no teto do carro, nos aviões, barcos e navios, nas embalagens de produtos exportados, nas telas iniciais dos computadores, nas embalagens de feijoada, cachaça e pé de moleque, nos óculos, em papéis, anéis, em desenhos nos jardins, nos corredores, portarias, nos uniformes escolares e industriais, em torres de telecomunicações, pontos de táxis, rodoviárias, composições ferroviárias (antes a gente chamava de trem), nos móveis, em utensílios domésticos, e, para encurtar este texto, onde for possível manifestar sua brasilidade.

Esqueci de algum lugar? Ah, sim, os dois mais importantes: no seu coração e na sua mente.

Um bom fim de semana.

Rodrigo Faria

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