Aniversário

E na de colocar a leitura em dia, passei pelo Pretextos e descobri que na quarta-feira o blog fez aniversário de um ano. Eduardo faz parte da turma “nasceu para escrever”. E como a coisa é boa e como cumprimento pela data querida, republico mais uma pérola do sujeito, a que inaugurou aquele seu canto. Locupletem-se.

Pteloracul

Dez letras – duas repetidas – formam a palavra locupletar. Que incita a pensar em ato ilícito, embora seu significado não aponte necessariamente para algo assim. E como não se diz, de alguém que ganhe espetacular prêmio de loteria, que está locupletado, fica na palavra uma sombra de suspeita, com endereços para sua adaptação mais ou menos conhecidos.

Se nos contentarmos em usar apenas as letras do suspeitíssimo vocábulo – sem ânsias de nos locupletarmos com as do alfabeto – chegaremos a palavras como culpa e clepto, lucro e lucrar. Escreve-se também culpar, que mais se presta ao uso para definir intenção de quem se locupleta.

Acaso época, preta, cura e cureta não nos trariam significados fácilmente associáveis à ação de um locupletante? Como admitir que a cureta não trabalhasse na cura de alguém dedicado à coleta oculta, em rapto e repto à corte e à ralé, louca e rouca – sem prato, sem arte e sem roupa – sem letra, no talo, no taco e em trapo?

Sem roupa a ralé, mas com paletó – vá lá! – o locupletador. Que teria condições ideais para ir não apenas ao Crato, mas a Creta. Poderia também ir àquele parque, ver a personificação do cão Pluto. Praticar o rapel, indagar o que diriam as cartas do tarô. Poderia ser poeta e poetar ao luar.

Bem entendido de pacote e teca – dois dos muitos nomes que identificam o vil metal – o tal locupletador, locupletante e locupletatício, com calo e sem cola, adivinharia tropa e identificaria tropel. E mais poderia com aquelas letras, se eu não desejasse poupar à minha leitora e ao meu leitor a monotonia de uma leitura que já vai longa. Apenas peço-lhes mais um nada de paciência para lembrar que o indivíduo fictício a que me refiro (não vou mais citar aquela palavra), poderia também pular, optar, cotar e copular.

Se, inadvertidamente, deixei de lado alternativas para a grafia de palavras usando aquelas letras, para por em ação o infrator, trato logo de retornar à idéia original. Tiro ainda e finalmente, daquela modesta fonte, os vocábulos que identificariam o sujeito – um rato; a ação – em rota; o destino – uma cela; e a provável conseqüência – …créu!

Se o leitor topar, aqui eu fecho a porta.

Eduardo Lara Resende (Pretextos – ELR)

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