Meu umbigo

Alguns amigos andaram me perguntando porque não usava o blog pra falar de política, de maneira geral, e das eleições que vêm aí, especificamente. Tudo isso porque algumas de nossas discussões são fervorosas e não costumo me abster. E comecei a pensar sobre isso.

Já disse aqui em quem vou votar para presidente, ao menos no primeiro turno. Mas por quê não me detenho sobre o pleito praticamente plebiscitário que vamos enfrentar daqui a alguns meses? E as respostas são razoavelmente simples, quase simplórias na verdade. E tudo se resume num estado absolutamente desesperançado.

Não há dúvidas em ninguém sobre quem vai disputar a eleição para valer, Dilma e Serra. E, sinceramente, vejo pouquíssimas diferenças entre os dois. Tudo graças ao PT, é bom que se diga.

Fui daqueles que votou em Lula para presidente em todas votações, até que assumisse a presidência. Acreditava piamente que era possível mudar, moralizar esse país. Mas depois de oito anos, meus sentimentos sobre o futuro não são os mais nobres.

Na verdade, a estrutura econômica deste governo que está aí é pouco mais que a simples evolução natural do modelo implantado desde que FH ascendeu ao ministério da fazenda e sua equipe criou o Real, passando pela URV. Da mesma maneira, tudo o que foi construído nos últimos dois mandatos é derivado dessas mudanças quase naturais.

É claro que estou falando em linhas gerais, não vou me ater a diferenças detalhadamente. E isso é só minha opinião, nada além.

Então, sobrariam na balança para provocar uma escolha eleitoral as questões políticas e morais.

Pois politicamente, depois de tudo o que o PT apresentou enquanto esteve no poder, fora algumas diferenças de método, o pensamento é basicamente o mesmo. E nas questões morais, façam-me o favor… Está mais do que provado que é tudo farinha do mesmo saco, salvo um ou outro indivíduo, posicionamentos que são absolutamente independentes de bandeiras.

A questão é simples: o poder corrompe, a impunidade no Brasil é de níveis estratosféricos e enquanto for assim, não faz a menor diferença quem esteja no poder.

Tenho medo de algumas coisas. A primeira é tendência ao totalitarismo do PT, com forte queda para a ditadura e a tentativa de controlar tudo, que tende a piorar com a eleição da moça e a manutenção do modelo atual. A outra é a possibilidade de retorno do liberalismo exacerbado que caracterizou o governo do PSDB.

Em resumo, não vejo chances de melhoras para o país, mas vejo a escolha recair em quem seria menos pior neste momento. Definitivamente, não é o modelo de eleição e expectativa com que fui criado.

E aí, a resposta à pergunta dos amigos que apresentei lá em cima é até óbvia: para não perder tempo.

E seguindo a máxima de que não vivemos no país ou no estado, mas na cidade, politicamente me darei o direito de olhar exclusivamente para o meu umbigo, tentando discutir coisas que melhorem o Rio, preferencialmente meu bairro e os lugares que freqüento.

E fora isso, continuarei alimentando esse meu cantinho com as coisas que me emocionam e/ou me divertem, como o futebol, fórmula 1, vídeos que ache interessantes, músicas que gosto de ouvir, barcos à vela, viagens que faço ou destinos que gostaria de conhecer etc etc etc. Resumindo, todas as coisas absolutamente desimportantes que são, na verdade, o que há de mais importante na nossa vida.

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7 comentários em “Meu umbigo

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