Como fazer uma boa economia

É curioso que justamente na hora que fiz uma mudança por aqui, variando um pouco (na verdade, bastante) a cara da bagaça, eu não tenha publicado nadica de nada desde então.

Mas aí, some-se aos problemas de rotina, trabalho etc, a um final de semana sem muito o que falar (um Brasileirão começando sem muitos atrativos, uma corrida de F1 chata para pênis, nada relevante nas rotinas do governo e da cidade do Rio…) e está tudo explicado.

O único fato realmente relevante dos últimos dias é a crise grega, que ameaça provocar um colapso na comunidade européia. E em meio à mobilização para tentar salvar o berço da civilização ocidental, saiu a notícia de que o Brasil, como membro do FMI, emprestará cerca de US$ 286 milhões.

Ao câmbio do final da semana, serão cerca de R$ 530 milhões. E aí, meio que de brincadeira, a Mari deu a idéia de – em vez de ajudar a turma do outro lado do mundo – distribuir parte da grana entre os nativos da terra brasilis. E eu, que sou meio doido, elucubrei sobre o tema.

Admitindo-se que somos 200 milhões de brasileiros, cada um de nós está enviando cerca de R$ 2,65*.

Será que preciso me estender sobre o fato de boa parte de nós viver na miséria ou pouco melhor que isso? Em frente…

Mesmo que fosse entregue um milhão para cada brasileiro, ainda seria mais barato que ajudar a Grécia. Mas, tentando não abusar da viúva e assumindo que, na média, cada família é composta por quatro membros, seríamos cerca de 50 milhões (menos de 10% da ajuda que estamos enviando).

Deste número, eu retiraria todos aqueles que tiveram faturamento mensal acima de um milhão em 2009, algo fácil de comprovar (com alguma margem de erro, claro) pelas declarações de imposto de renda. A redução seria pequena, claro, mas tentando compensar aquelas famílias enormes que existem por aí (característica dos bolsões de miséria e áreas rurais) e a turma que vive sozinha (comum nas cidades), faríamos o seguinte: cada família receberia um milhão a cada quatro membros e se o cara vive sozinho, se virando pra pagar suas contas, também cai um milhãozinho na conta.

E talvez fossem distribuídos R$ 100 milhões à população, dando a chance para todos encaminharem suas vidas e, ainda por cima, fazendo uma economia de mais de 400 milhões de reais.

Só pra fazer tudo dar certo, nada disso poderia ser anunciado ou o número de fraudes seria absurdo. Eu faria algo no estilo Zélia Cardoso, às avessas. Anuncio o que vai acontecer às 9 da manhã e o dinheiro cairia na conta às 10. E para todos aqueles que não têm qualquer relação com um banco (acreditem, é muita gente), um conta na CEF ou no BB seria criada automaticamente, no nome do chefe da família.

É claro que esse dinheiro todo circulando por aí, de repente, geraria uma espécie de bolha inflacionária, mas os nossos grandes economistas são capazes de pensar em alguns antídotos.

E é obvio que nada disso nunca vai acontecer em lugar nenhum do mundo, não precisamos ser ingênuos a esse ponto. Muito menos em um país onde, para se eleger, o sujeito não precisa nem ter a ficha limpa. Foi só uma idéia que passou por aqui.

*2ª edição: obrigado ao Giorgio pela chamada de atenção, pois eu tinha escrito um absurdo. Mas ao contrário da piada que ele fez nos comentários, o erro não foi de conta mas, pior, de leitura.

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5 comentários em “Como fazer uma boa economia

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