Uma besta bestial

Detesto essa história de que, pra ser bom, tem que ser sofrido. Mas parece que o Flamengo é a encarnação, a prova cabal da assertiva.

A leitura do jogo de ontem era simples, básica. Precisando ganhar por dois gols, o Corinthians sufocaria o Flamengo e, assim, nos daria espaço para o contra-ataque. Ou seja, o Flamengo precisaria entrar em campo preparado para uma blitz alvi-negra, ,com um meio campo capaz de manter a posse de bola e tocá-la com qualidade suficiente para aproveitar as poucas chances que poderiam surgir.

E o que fez o a até ontem técnico interino e agora efetivo Rogério Gonçalves? Entrou em campo com três volantes e Vinícius Pacheco como único armador. Sabendo-se que o rapaz corre muito, mas só acerta dois passes por ano, estava sob a responsabilidade dos nossos laterais a criação do time.

Resumindo: quase entregou o jogo.

Além da escalação errada, jogadores – no primeiro tempo – pareciam estar atuando em uma pelada de final de ano, regada a chopes e acepipes. Estático, lento, desconcentrado, nem aí para o mundo…

Com dois a zero ao fim dos primeiros 45 minutos, o Flamengo só precisava de um gol. E vocês não tem noção de como eu xinguei o Rogério quando ele tirou Vinícius para colocar Kleberson. Porra, precisando fazer gol ele resolve jogar com quatro volantes?

Mas entrou aí o ‘fator Chicabon’ (“O sujeito, quando não tem sorte, é atropelado na calçada chupando um chicabon”- Nelson Rodrigues). É claro que o filho de Kleber é melhor que Pacheco, mas alguém esperava que na sua primeira jogada ele colocasse Vagner Love na cara do gol?

Da besta ao bestial em quatro minutos.

Com o gol e alguém em campo capaz de segurar ritmo do jogo, o time mudou. E como o Corinthians precisava de mais um gol, mas já não tinha o mesmo gás (jogou e correu muito no primeiro tempo), os espaços estavam abertos voltaram a aparecer e o Flamengo começou a perder gols, vários na cara do gol.

Mas tinha que ser sofrido (Por quê, por quê???).

Não fizemos e quase levamos. Aos 46, o Bruno tirou a bola praticamente de dentro do gol, em linda cobrança de falta de Chicão. E estamos nas quartas.

A melhor parte dessa vitória, pelo menos até aqui, é ver que a imprensa está fazendo seu carnaval tradicional, mas time e torcida continuam no clima de Andrade: no sapatinho. Como diria Zagalo, ainda faltam seis jogos. E todo mundo sabe que, pra chegar lá, vamos ter muita carne de pescoço pela frente.

P.S.: Enquanto vou mordendo a língua por ter sido contra a contratação de Love, ele segue jogando demais desde que estreiou. Mesmo quando não está em um bom dia, se entrega completamente, correndo sem parar e lutando até fim. Em compensação, Adriano continua como um poste e sem poder de decisão em jogos como o de ontem.

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