Entre bóias e jet skis

Mais um final de semana de corrida vem aí. Sepang, na Malásia, recebe a terceira das 19 corridas do campeonato. Mas antes de falar da próxima, queria dar uns pitacos – apesar do atraso – do corridaço do último domingo, na Austrália.

Se a primeira prova do campeonato foi das mais tediosas da história, a ponto de fazer pilotos, equipes, Deus e o mundo reclamarem horrores e pedirem mudanças urgentes, a corrida de Melbourne foi exatamente o oposto, com todos os elementos que se pode esperar de um GP. Todos os comentários que li a respeito apontaram a chuva como o fator determinante para a grande disputa. Eu, que adoro ser do contra, acho que não é bem assim.

É claro que a chuva é relevante para as características de uma prova, mas não foi só isso. A corrida começou com chuva sim, o que obriga todos os pilotos, por exemplo, a mudar os pontos de freada. Se não freiam tão dentro da curva, a chance de ultrapassagens – pelo maior espaço para manobras – aumenta. Outra coisa que ajuda é que, em velocidade pouco mais baixa, a turbulência nos carros que vêm de trás diminui, cresce a chance de se entrar no vácuo e tudo isso também ajuda para o aumento de ultrapassagens.

Mas há dois detalhes fundamentais em toda a história. Os pilotos precisam estar a fim de correr riscos e a pista tem que ser boa.

Por ser uma corrida realizada em circuito meio de rua, meio autódromo, não são raros os trechos em que o muro está muito próximo da pista e, nestes casos, qualquer erro do piloto pode provocar uma grande pancada. Além disso, o traçado dá muito mais oportunidades que a pista barenita, sem qualquer personalidade. Juntem a isso tudo as alternativas estratégicas em função do melhor conhecimento dos carros e pneus após o primeiro GP…

Enfim, é claro que a chuva ajudou, mas não foi a única.

Resultado

Button arriscou colocar os pneus lisos antes dos outros e venceu a prova sem fazer outra parada, premiado pela ousadia, sorte e talento de não castigar o carro. A decepção, mais uma vez, foi ver Vettel – potencial dono do final de semana – ser traído pelo carro mais uma vez. Em compensação, Massa chegou ao pódio em um final de semana especialmente difícil e depois de uma largada espetacular. Alonso fez uma linda corrida de recuperação e chegou em quarto. Schumacher decepcionou  e a Chandhock terminou a primeira corrida para a Hispania.

Abaixo, uma curiosidade pescada F1 Around. Uma comparação da volta em Melbourne feita Webber (Red Bull) e Bruno Senna (Hispania).

O RB6 de Webber não é só muito mais rápido — capaz de colocar uma reta de diferença a cada volta no HRT —, mas ambém muito mais estável em curva e frenagem, o que certamente permite aos dois pilotos da Red Bull extrapolarem todo o potencial do carro e de si mesmos como pilotos.

Enquanto Webber passeia por um trilho imaginário por Albert Park, Bruno chacoalha e abana para todos os lados. É tão grande o número de bruscas correções que o brasileiro faz no volante do HRT, que é um milagre que ele pilote sem tantos erros como vem fazendo nas poucas voltas que deu entre o Bahrein e Melbourne.

Becken Lima

País tropical

Se a chuva ajudou na Austrália, promete atrapalhar e muito na Malásia. As pancadas de chuva são assustadoras e, quase sempre, no horário da corrida. Em 2009, a prova foi interrompida por causa da chuva torrencial e, depois, encerrada na metade por falta de luminosidade. Por isso, este ano começa uma hora mais cedo (16h local, 5h Brasília). Mesmo assim, há chances de grandes problemas. Em mensagens no twitter, Di Grassi e Barrichelo já começaram a fazer piadas. O novato disse que pode ser preciso substituir os carros por jet skis enquanto o veterano já perguntou se os carros foram equipados com bóias.

Sobre a pista, não promete nenhuma grande emoção, apesar de duas retas enormes e grandes freadas. O traçado, como um todo, não é dos mais inspirados. Mas se chover de maneira civilizada, poderemos ter mais uma grande prova. Vejam abaixo a volta virtual na pista malaia, com Mark Webber a bordo do simulador da Red Bull.

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