Crônica de sexta-feira

Quem me conhece há algum tempo, sabe que sou um folião inveterado, daqueles que viajou vários anos, de Pernambuco a Santa Catarina, para experimentar e pular carnavais diferentes do nosso quintal, e que há algum tempo se dedica à Marquês de Sapucaí e aos mais variados blocos do Rio de Janeiro.

Este ano estou de folga, por uma razão excelente.

Mesmo assim, não queria deixar a data passar em branco e, quando pensava no que escrever, recebi um e-mail daqueles, da série ‘quando crescer quero escrever assim’.

Trabalhei com o mineiro Rodrigo durante um ano em que descobrimos muitos gostos em comum, notadamente as corridas, música e um bom pernil. Na mensagem que enviou, o sujeito fala do seu jeito folião, do quê e como gosta de carnaval, especialmente a trilha sonora.

E a cabeleira do Zezé?

…foram feitas para serem ouvidas e cantadas em volumes altos, nos salões – abertos ou fechados – para cantar em coro, com a turma, numa boa e saudável bagunça e boemia.

É ou não é?

Vou abrir aspas daqui prá frente e fazer uma livre redação, cuja fonte é minha saudosa felicidade de folião, mas folião dos bons mesmos, viu?!

“Vem meu amor, tá fazendo um ano, foi no carnaval que passou e eu quero é botar o meu bloco na rua, com você. Eu peço paz e vamos atrás do trio elétrico, pois estamos vivos. O nosso amor vai desfilar na avenida iluminada e quem quiser, como turista, pode aplaudir. Não importa a fantasia, bastam alguns retalhos de cetim para brincarmos entre palhaços e reis. Eu sou o seu pierrot e você a minha colombina. Nem precisaremos de pedir dinheiro à ninguém, a folia é gratuita e legítima.  Vamos fazer barulho como índios e deixar a tristeza prá lá, nós merecemos é a felicidade, mesmo que percamos o trem das onze. Se você me queria ou não, agora é tarde, já estou apaixonado. Vai passar, nesta avenida, mais um samba popular e nós fazemos parte dele. Depois, o mundo inteiro vai acordar e a gente dormir, dormir. Eu sou mesmo exagerado e é assim que o nosso carnaval tem que ser. São só três dias de folia. Nem quero saber das super escolas de samba s/a e, sim, do samba no pé, da Sapucaí e da praça Castro Alves, templos que pertencem ao povo e pela alegria do povo serão invadidas.  Diga, espelho meu, há na avenida alguém mais feliz que nós? Vamos tomar um porre de felicidade e brincar com as baianas, moleques, mascarados e sacis. O carnaval é uma das mais bonitas festas populares brasileiras, é festa no interior de todos nós. Vamos sair por aí com os amigos, com o violão debaixo do braço e ouvir a viola enluarada. Vamos admirar as belezas do mar ou das montanhas. Navegar é preciso, ainda que exista tanta imprecisão na vida de cada um. Que a onda da vida nos leve.  Nem ouvimos o que a cigana disse do nosso destino mas sabemos que o amanhã será como Deus quiser.”

Rodrigo Faria

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