Uniban

Em tempos de fim de férias (sim, elas são curtas mas existem), aproveitei os últimos dias para me dedicar à nova moça de minha vida e acabei ficando (quase) completamente aéreo ao que está acontecendo no mundo ao meu redor.
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No primeiro dia do Circuito, o Fandango (2° na Santos-Rio) persegue o Calamar e cruza a proa do Lisboa (campeão da Santos-Rio)

E neste pouco tempo desde a minha chegada da Santos-Rio, corremos o Circuito Rio e fomos mal, terminando em oitavo. Em compensação, e apesar do resultado, foram dias de velejadas inesquecíveis, das mais divertidas desses pouco mais de três anos de velejador, três novos e grandes domingos da minha vida. Agradeço penhorado ao comandante Ricardo Timotheo, Armando, Pimenta, Morcego (vulgo Leonardo Mauro) e Oscar.

DilmaObama

Quem, com o dinheiro de quem, vai pagar (mais) essa conta?

Mas como não poderia deixar de ser, apesar de tentar ficar alheio, algumas coisas conseguem quebrar qualquer barreira. A primeira delas, descobrir que o marqueteiro do Obama foi contratado para fazer a campanha da Dilma. Sinceramente, achei que existiam limites, um mínimo de simancol, mas o PT consegue se superar a cada dia. Fico até com medo dos que acontecerá nos próximos meses. Haja máquina…

FlaOutra surpresa, essa agradável, é a campanha do Flamengo na reta final do brasileirão. Dá até pra ficar com medo, mas entramos na briga. Aliás, sobre os cariocas em geral, dá muito medo. Todos começaram a ganhar e até o Flu deixa no ar que poderá escapar do rebaixamento. Será? Como quando a esmola é muita, o santo desconfia, tenho certeza que se Flu e Fogo escaparem da segundona, o Fla não será campeão. Então peço desculpas à quase toda minha família tricolor e aos amigos alvinegros MP, Mark e Barreto, mas as velas aqui de casa já estão acesas.
A outra grande novidade das últimas semanas foi a confusão da saia curta na Uniban. Minha primeira reação foi a óbvia: “estudante paulista não gosta de mulher?”. Depois foi a hora de tecer comentários sobre a moça, suas ‘qualidades’, bom gosto etc. Mas toda a situação, além de absurda, é muito mais séria do que pode parecer à primeira vista. E enquanto quebrava a cabeça tentando pensar em algo para escrever sobre o tema, pesquisando por aí para juntar e digerir as idéias dos outros, encontrei o texto abaixo.
Flavio Gomes é jornalista esportivo, especializado em automobilismo. Gosto do texto do cara quando fala de carros e, principalmente, quando fala de outras coisas. Curto, grosso, às vezes até mal educado, ranzinza, sem papas na língua. Um daqueles de quem a gente fala que quer ser igual, quando crescer.

Uniban

Reprodução: G1

A moça, a saia, a faculdade

Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade de riquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha atividade mais próxima da subversão foi vender sanduíches naturais para arrecadar dinheiro para uma festa das Diretas.
Hoje, as entidades representativas dos estudantes servem para emitir carteirinhas para a turba pagar meia-entrada em shows e no cinema. Sem um inimigo claro, que no caso das gerações imediatamente anteriores à minha era o governo militar, ficamos sem ter do que reclamar. Porque, no fundo, por conta da politização desses movimentos todos, a questão educacional foi colocada de lado por muitos anos, e deixou de ser prioridade.
Já como repórter, cheguei a cobrir algumas confusões na USP na segunda metade dos anos 80. Sem querer simplificar demais, mas recorrendo ao que minha memória me permite lembrar, o tema central era o aumento do preço do bandeijão nos refeitórios da universidade. Deu greve e tudo. Muito pouco. Ainda mais porque, como se sabe, boa parte dos que conseguem chegar à USP vêm de escolas particulares, e o preço do bandeijão não chegava a afetar seriamente o orçamento de ninguém.
O caso dessa moça de minissaia da Uniban poderia ser um bom motivo para despertar algum tipo de reação na molecada. De repúdio aos que ofenderam a menina, de reflexão sobre os rumos da universidade, de protesto contra sua expulsão, de perplexidade com o recuo da reitoria por razões obviamente mercantis.
Reitoria… Era palavra respeitada, antigamente. Hoje, os reitores dessas espeluncas mal falam português. A transformação do ambiente universitário em quitandas que vendem diplomas é assustadora. E os estudantes são coniventes. Não exigem ensino de qualidade, compromisso com a educação, porra nenhuma. Querem se formar logo, se possível pagando pouco, e dane-se o mundo.
Fico espantado ao observar como pensa e age essa juventude urbana entre 20 e 25 anos. São fascistóides, hedonistas, individualistas, retardados ao cubo. Basta ver o perfil da menina da minissaia no Orkut. Uma completa debilóide, mas nada diferente, tenho certeza, de seus colegas de faculdade (vejam as “comunidades” às quais ela pertence; coisas como “Gosto de causar, e daí?”, “Sou loira sim, quem me aguenta?”, “Para de falar e me beija logo”, coisas do tipo). O que, evidentemente, não dá a ninguém o direito de fazer o que fizeram com ela. Até porque são todos iguais, idênticos, tontos, despreparados, sem noção.
Aí a Uniban expulsa a menina, dizendo que os alunos que a chamavam de “puta” e queriam bater na coitada estavam “defendendo o ambiente escolar”. Puta que pariu! Como é que pode? Como podem adultos, “educadores”, que teoricamente têm um pouco mais de neurônios em funcionamento, reduzirem a questão a isso? E criticarem a menina porque ela se veste assim ou assado, anda rebolando, “se insinua”?
Pior: muitos, mas muitos mesmo, alunos defenderam a expulsão. Acham que a menina é uma vagabunda que provoca os colegas. Bando de animais, intolerantes, sádicos, hostis, agressivos. Eu nunca deixaria um filho meu estudar numa universidade frequentada por esse tipo de gente e dirigida por cretinos do naipe dos que assinaram a expulsão e, depois, revogaram-na sem revelar o motivo — aquele que nunca será admitido, o prejuízo à imagem dessa porcaria de empresa, sim, empresa, e das mais lucrativas, porque chamar um negócio desses de “universidade” é desmoralizar a palavra.
O Brasil está fodido com essas gerações que vêm por aí. Um caso desses, que poderia trazer à tona discussões importantes sobre o comportamento dos jovens, suas angústias, seus rumos, resume-se ao tamanho da saia da moça e ao seu comportamento “inadequado”, seja lá o que for isso. A educação, neste país, tem sido negligenciada de forma criminosa há décadas. O governo poderia começar a limpar a área por essas fábricas de diploma, que surgem aos montes sem que ninguém se preocupe com o tipo de gente que está à frente delas.
O que se vê hoje, graças a essas faculdades privadas de esquina, sem história e princípios, é uma população cada vez maior de “nível superior” sem nível algum. Um desastre completo. Gente que não pensa, não argumenta, não lê, não raciocina coletivamente, se comporta como gado raivoso, passa o dia punhetando no Orkut e no MSN, escreve “aki”, “facu”, “xurras”, “naum”, “huahsuahsua”, um bando de tontos desperdiçando os melhores anos de suas vida com uma existência vazia, um vácuo intelectual, sob o olhar perplexo de gerações, como a minha, que um dia sonharam em fazer um mundo melhor e, definitivamente, não conseguiram.
Somos todos culpados, no fim. Me incluo.

Flavio Gomes

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2 comentários em “Uniban

  1. Achei que o texto sugerido ia ser bom, mas…
    .
    “O governo poderia começar a limpar a área por essas fábricas de diploma, que surgem aos montes sem que ninguém se preocupe com o tipo de gente que está à frente delas.”
    – E substituí-las pela qualidade estatal do ensino brasileiro?
    .
    “sob o olhar perplexo de gerações, como a minha, que um dia sonharam em fazer um mundo melhor e, definitivamente, não conseguiram”.
    – Graças a Deus, (ainda) não.
    .
    “O Brasil está fodido com essas gerações que vêm por aí.”
    – Nunca antes na história desse país…
    .
    O texto culmina em uma covardia rasteira.
    .
    Fazer um mundo melhor? Melhor para quem? Sai pra lá, cara pálida, a últims coisa que eu quero é alguém decidindo o que é melhor para mim ou para quem quer que seja, pior ainda, suplica para que o governo usurpe uma responsabilidade que é dos indivíduos (o direito de escolha), e ainda com requintes de truculência, por favor, “limpando a área”, quem sabe à moda de um Stalin, um Che, um Fidel ou um Lula mesmo.
    .
    O governo vem se metendo na educação há muito tempo: A carga horária obrigatória e o numero de dias letivos nas escolas aumentou, a idade mínima para o início do “direito obrigatório” de ir à escola diminuiu e par seu fim aumentou, provas, desnecessários testes e exames atestadores de nada consomem milhões de reais e são fraudados à vontade, em nome de um sitema planificado, unificado e socialmente justo, resultando no nível de (falta de) educação e que está aí, bem na nossa cara.
    .
    E se os pais não quiserem usufruir desse “direito” e quiserem educar seus filhos em casa, a mão pesada do estado irá incriminá-los, acusá-los de abandono intelectual. Hitler, que arregimentava os alemaezinhos em tenra idade, já dizia: Para que vou me incomodar com eles, se os seus filhos já me pertencem?
    .
    As faculdades de hoje, pelo visto, formam exatamente a mesma coisa que se formava nos anos oitenta. Mudaram os números, variaram os cursos, variaram as drogas dentro e fora dos C.A. Não mudou foi a sanha ideológica de queimar a liberdade (dos outros) até a última ponta.
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    Ah, o Obama e a Dilma? Nada mais natural, eles tem métodos e ideais bem parecidos. Veja: http://www.midiasemmascara.org/internacional/estados-unidos/10224-assessora-de-obama-qcontrolamos-a-midia-na-campanhaq.html
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    Parabéns pela filha linda.
    .
    Abraços

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