Tem regulamento?

fla1Faz exatamente uma semana que não pinto por aqui. E o que aconteceu de relevante nessa semana? Nada além do que já vinha acontecendo. Mesmo com o recesso, a chuva de denúncias contra José Sarney e sua prole continuam; Lula que, como presidente da bagaça, deveria ser um baluarte da honestidade e da luta pela justiça, defende o homem do bigode até não poder mais; mais gente morreu de gripe suína no Brasil e, apesar disso, o discurso oficial mantém a idéia de que está tudo sob controle. Ou seja, mais do mesmo.

Além disso, andava meio de mal humor a respeito do Flamengo, meio de saco cheio das briguinhas da Fórmula 1 e já não velejo há muito tempo. Ou seja, nenhum grande prazer sobre o qual bostejar. Mas aí (desculpem o cacófato), o Cuca caiu.

Não seria nenhuma grande novidade se, junto com a demissão do treinador, não explodisse hoje uma matéria sobre os bastidores do Flamengo, o mau relacionamento dele com os jogadores e, pior, a maneira como ele agia. Resumidamente, um baita traíra filho da p#*@&a!

Como não estava lá, não sei se é verdade. E como todos sabemos, toda história tem, no mínimo, duas versões. O estranho é que até agora o ex-técnico rubro-negro não veio a público se defender.

Mas sobre o quero falar aqui é outra coisa. O Flamengo é realmente um clube estranho. Vejam que há um presidente (afastado), presidente-interino, vice de futebol e gerente de futebol (já não sei mais se ainda existe o supervisor de futebol). E faz-se a pergunta: quem manda no futebol do Flamengo? Quem é o dono da bola? Aparentemente, ninguém. Pelo menos quando o assunto é sério. Porque, apesar do que diz a matéria sobre o comportamento do Cuca, quando alguma coisa séria acontecia, o responsável por explicar tudo para a imprensa (na maioria das vezes, defendendo jogadores que cometeram erros) era o técnico.

Então me digam: isso pode funcionar? Em pleno século XXI, na era do profissionalismo absoluto, como uma estrutura dessas pode fazer o Flamengo melhorar? Alguns vão dizer: “é ano de eleição, tudo fica turbulento.” E eu respondo, muito mal educado: “não fode! Se é assim, está provado que ninguém pensa no Flamengo, só no poder que podem ter e no dinheiro que podem ganhar ao vencer uma eleição.

Sobre o caso específico da relação entre o Cuca e o elenco de jogadores, pesquei um trecho do Urublog:

Não importa o disse-me-disse, a conclusão a que chegamos é a mesma: os jogadores no Flamengo mandam bagarai e a diretoria não faz a menor idéia do que está rolando. Porque se sabia o que rolava e não tomou providência, foi conivente. Se só ficou sabendo pela internet, foi incompetente.

Artur Muhlemberg

2ª Edição

Só pra me contrariar, acabou de ser publicada uma resposta do Cuca no GloboEsportes.com. Sinceramente, não mentiu nem desmentiu, fica tudo por isso mesmo. E em uma resposta como essa, há (pelo menos) duas possibilidades de interpretação: “não quero me aporrinhar, deixa pra lá que isso não significa nada, sou mais eu e sei o que fiz e deixei de fazer” ou o conhecido (e desgastado) “quem cala consente”.

Leiam e escolham as suas versões.

– Tudo que li me machucou muito. Mas não quero comentar sobre essas coisas mais. Na minha despedida já deixei o meu muito obrigado a todos e já pedi desculpas pelos problemas com a imprensa. Nunca vamos agradar a todo mundo. Essas coisinhas que falam não levam a nada. Espero que as pessoas falem agora sobre o novo técnico do Flamengo. O mais importante é meu equilíbrio e minha família. Isso faz parte do passado agora. Tudo que eu fiz no Flamengo faria de novo, não me arrependo de nada. Cada um tem sua vida, e agora quero cuidar da minha.

Cuca

3ª Edição

Depois dizem que eu sou o profeta do apocalipse, mas ficou claro – de novo – que o que importa para esses caras não é o melhor para o Flamengo, como disse aí em cima. Acabou de sair a notícia que, por razões políticas, o vice de futebol Kleber Leite, o diretor Plínio Serpa Pinto e o advogado Michel Assef (que turma…) se desligaram do clube.

Kléber apoiará a chapa encabeçada por Plínio nas eleições do Flamengo que acontecerão no final do ano. Certamente, Assef fará o mesmo. E certamente, os dois farão parte do governo do clube caso vençam a eleição. Levando-se em conta que Kléber Leite adora engenharias financeiras que viabilizem a compra de jogadores (Romario entrou e saiu do Flamengo trocentas vezes quando ele foi presidente e recebe dinheiro do clube até hoje e por alguns anos ainda), dá pra imaginar o que pode acontecer caso essa chapa saia vencedora.

O pior é que ao olhar para as alternativas, só nos resta rezar muito para que São Judas Tadeu proteja o Flamengo.

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Um comentário em “Tem regulamento?

  1. Sobre “os jgadores mandam bagarai…”

    eu sempre desconfiei que o que rege a entrada e saída de técnicos nos clubes, especialmente as agremiações chinelísticas cariocas é o humor dos jogadores.

    Tipo:
    – Porra, seu merda, fez cagada de novo? Cara, dá para ser menos descarado? Caramba, 6 da matina comendo cachorro quente? Entra na linha! Ou finge, pelo menos!!!

    Depois, no vestiário…

    – E aí, pessoal, o cara tá falando em chegar mais cedo, treinar… vamos fritar? Seguinte, galera, vamos empurrar com a barriga, perder aqui, empatar ali, aí ele cai. Quando o time joga mal quem se fode é o cara que não joga mesmo. Ahh, esse negócio de ser jogador é muito bom…

    Daí, todo mundo, imprensa, torcida etc, finge acreditar que, mudando o técnico, tudo muda.

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