Interlagos (ou ‘preparem-se que a história é longa’)

Na primeira vez que fui a um autódromo, tinha 8 ou 9 anos, em 1981 ou 82. Jacarepaguá. Fui com meu pai, um garoto da escola que já não lembro o nome e seu pai. Chegamos de manhã cedo e a programação tinha cinco ou seis corridas. A última delas, a sensacional Opala Stock Car.

Depois desse dia, foram muitos e muitos anos sem pisar em qualquer autódromo, até a volta ao mesmo Jacarepaguá na primeira corrida da Fórmula Indy no Brasil. A partir daí, voltei a freqüentar (se é que 2 ou 3 vezes ao ano podem ser chamadas de ‘freqüência’) corridas de várias categorias e conheci os circuitos de Curitiba e Interlagos.

Com o anúncio de que Emerson e Piquet correriam na GT3 Brasil, me animei a ver uma das corridas. Nélson até hoje não estreou, mas resolvi insistir. Combinamos (eu, Zé Luis e Rodrigo) de irmos a São Paulo. Além dos super-carros (tem hífen?), Copa Clio e F3 Sul-Americana, que nunca tinha visto. Perfeito.

As categorias têm rodadas duplas aos sábados e domingos e optamos pelo domingo. Como a programação começava às 8 da manhã, teríamos que sair do Rio de madrugada, para chegar a tempo.

Cocares

Antes de contar nossa ‘aventura’, é preciso abrir parênteses. Numa analogia às estrelas com que são classificados hotéis no mundo inteiro, como poderiam medir os programas de índio? Em cocares! Pois então…

cocarDeveria ter desconfiado que as coisas não seriam exatamente como imaginamos logo no início. Alugamos um carro e fiz a reserva com uma semana de antecedência para não ter problemas. Pedi um Fox, carro 1.6 para agüentar bem a serra, com bom espaço interno (meço 1,90) e diária relativamente barata.

Na hora de retirar o bendito, a surpresa: não havia nenhum Fox disponível e o outro veículo oferecido na mesma categoria foi um Prisma 1.4. Quando reclamei, o rapaz que me entregou o carro disse que poderia trocá-lo em qualquer filial. Eram quase 22h. Quando falei que tinha feito reserva uma semana antes e pegaria a estrada às duas da matina, ele só pôde fazer cara de bunda… Sobre o motor, poucos problemas pois seríamos três sem bagagem. Mas acabei dirigindo quase mil quilômetros com a cabeça batendo no teto e os joelhos no volante. Parabéns à Localiza pela grande demonstração de respeito ao cliente e meus sinceros agradecimentos pelas dores no corpo.

Dutra

Eu e Zé saímos do Rio e pegamos o Rodrigo na rodoviária de Sampa, que partiu de BH. Junto com o carro, alugamos um GPS para andar em São Paulo, chegar e sair de Interlagos. Desperdício. Rodrigo, um mineiro que vive no Rio, é o próprio GPS de São Paulo, no que diz respeito aos caminhos que levam a Interlagos.

Partimos às duas da manhã e a programação foi perfeitamente cumprida. Sem trânsito e duas paradas rápidas, encontramos Rodrigo às 7h15 e fomos direto para o autódromo.

O primeiro susto foi o estacionamento. R$ 30 e, depois, ainda descobrimos que foi barato. Frio da porra na terra da garoa (ao menos para cariocas) e, ao invés de entrarmos logo, comemos um belíssimo e saudável sanduíche de lingüiça com Coca-Cola a título de café da manhã. Grande decisão, porque dentro do autódromo…

Ingressos

Durante mais de um mês, tentamos – de várias maneiras – conseguir credenciais para visitar os boxes. Afinal, se estávamos ali pela GT3, queríamos ver os carros de perto, se possível sem as tampas dos motores. Não conseguimos e resolvemos ir assim mesmo, de arquibancada (R$ 15). Havia um ingresso que dava direito a visitar os boxes, mas com preço absurdo: R$ 150. Gostaria mesmo de saber quantos foram vendidos na bilheteria, fora os dos patrocinadores e suas ações de marketing com clientes.

Mesmo com sol, o vento não deixou a gente tirar os casacos

Mesmo com sol, o vento não deixou a gente tirar os casacos

Perdemos o aquecimento da Clio mas entramos a tempo de ver a GT3 acordando. Sem compromisso e ritmo de corrida, é possível prestar atenção em alguns detalhes interessantes. O mais óbvio, a diferença entre os motores, com Lamborghinis quase em silêncio (para o que se espera de um carro de corrida, claro) e os Ford GT com o ronco ensurdecedor.

Ficamos no começo da reta, em frente ao início da faixa que delimita a entrada dos boxes, de onde podíamos ver o final da reta oposta, quase todo o miolo, junção e a reta, até a freada para o S do Senna. Não havia lugar melhor. Porque, para quem não conhece autódromos, é preciso explicar que em nenhum, em qualquer lugar do mundo, é possível enxergar toda a pista. O que chegava mais próximo disso era Jacarepaguá, aquele lá do início da história e que César Maia e Carlos Nuzman destruíram.

Corridas

A F3 começou às 9h30. Apesar do sol, a neblina denuncia o frio

A F3 começou às 9h30. Apesar do sol, a neblina denuncia o frio

A primeira corrida do dia foi da F3, com apenas 14 carros (chassis Dallara e motor Berta). Corrida razoável, com disputas interessantes, mas – depois de toques e abandonos – terminada por apenas 10 pilotos. Além disso, sul-americana apenas no nome, pois só há brasileiros na pista. Mas quem quer acompanhar a temporada, tem que se contentar com a transmissão via internet (pela RaceTV, não sei se ao vivo) ou os VTs no Speed Channel (canal 97, Net Rio).

A segunda prova foi a melhor do dia. Não esperava muito da Copa Clio, mas é impressionante como é divertida. 24 carros no grid, pista cheia e com muitas disputas e, ao contrário do que estamos acostumados a ver na Stock Car, muito esforço de todos para que não haja toques. É claro que há acidentes e batidas, mas as brigas por posições são impressionantemente limpas. Palmas para os pilotos.

Na largada da Clio é possível ver que o carro de segurança comanda os pelotão até o último momento, para que nada dê errado. Mais um exemplo para a Stock Car.

Na largada da Clio é possível ver que o carro de segurança comanda os pelotão até o último momento, para que nada dê errado. Mais um exemplo para a Stock Car.

Um detalhe que ajuda a melhorar a corrida é que, depois de um terço de prova, o safety car entra para reagrupar os pilotos. Os cinco primeiros nesse momento recebem pontos de bonificação e, depois que recomeça, novas disputas. Algo que vale a pena acompanhar durante todo o ano (a ESPN Brasil transmite).

Público

Verdade seja dita, para o que estamos acostumados a ver nos autódromos brasileiros, até que tinha bastante público presente. E é preciso lembrar que Stock e Truck, que estão sempre lotados (muito em função da farta distribuição de convites pelos patrocinadores), ao contrário de ser regra em corridas no Brasil, são enormes exceções.

A arquibancada quase vazia é a regra do automobilismo brasileiro

A arquibancada quase vazia é a regra do automobilismo brasileiro

Mas não dá para esperar muito público mesmo. Pouquíssima publicidade, mesmo na cidade onde acontece o evento. E nenhuma estrutura. Se não tivéssemos comido aquele sanduíche, teríamos ficado o dia inteiro à míngua. Dentro do autódromo, apenas uma barraquinha de comes e bebes (pouquíssima variedade) e, claro, uma fila absurda.

Além disso, apesar de grandes marcas envolvidas, nada para o público. Nenhum estande onde se pudesse comprar lembranças de qualquer tipo. Em resumo, nenhuma atração para o público nos intervalos entre as provas. O meu sentimento é que a organização se incomoda com a presença de torcedores e fazem de tudo para que ninguém volte.

Os carros

Andreas Matheis tocou Walter Salles depois de ser ultrapassado. Dick Vigarista?

Andreas Matheis tocou Walter Salles depois de ser ultrapassado. Dick Vigarista?

Enfim, a corrida que nos levou a Interlagos. Apenas 14 carros na pista, mas algo que relevamos pois são máquinas muito caras em apenas seu segundo ano no Brasil. E aí é que está o problema: grana. Nitidamente, todos pensam 30 vezes antes colocar o carro em uma disputa de verdade e a corrida acaba sendo meio morna, com raríssimas ultrapassagens. Além disso, o trabalho de equalização dos carros, feito na Europa e antes de começar o campeonato, falhou e os dois Ford GT sobram na turma. E sem fazer qualquer esforço.

No final da corrida, não vimos a única disputa real e que acabou decidindo a prova: os dois Ford se pegaram no S do Senna e acabaram se tocando. Um ficou fora, o outro se arrastou até terminar em quinto. Em resumo, os carros são lindos mas corridas e campeonato são muito sem graça. Muita coisa pode melhorar, se o grid encher e os carros forem realmente equilibrados. Por enquanto, resta torcer para 2009 ser melhor que este ano. E quem quiser ver de casa, ao vivo pela RaceTV ou os VTs na faixa Grid Motor do SporTV.

The End

Do autódromo, direto pra estrada. Almoço no caminho, muito trânsito, cinco pedágios e algumas obras depois, conseguimos entregar o carro às nove da noite e, finalmente, descansar. A conclusão é que corrida é muito bom do sofá (a não ser que os organizadores sejam realmente organizadores) e, talvez, uma vez por ano, desde que haja corridas no Rio. Viajar de novo, só pra isso, nem pensar.

E, afinal, gostaria que me ajudassem: quase 12 horas de estrada, 10 pedágios, arquiba sem comida e bebida, corridas sem graça e um frio da porra. Quantos cocares valem esse programa?

PS 1: é claro que, pra quem gosta, ver e ouvir os carros ao vivo, discutir automobilismo entre amigos que realmente gostam e entendem e (mal ou bem) ter história pra contar, vale muito.

PS 2: além dos três originais, Marcos Lobo foi nos encontrar na pista, o que foi excelente. Matar a saudade de um amigo que, pela distância, é raro encontrar, não tem preço. Beijo na Zélia e nas crianças.

PS 3: é terrível chegar a Interlagos, ver os restos do circuito original e não ficar triste. Não dá para entender como foi possível atualizar o autódromo sem manter o circuito original como uma pista alternativa, por exemplo, para provas longas. Vale lembrar que um dos consultores técnicos do projeto foi Ayrton Senna.

PS 4: Que inveja… São Paulo ainda tem autódromo.

PS 5 (18h34): Fui corrigido nos comentários sobre os motores da F3. Esse é outro detalhe: ao chegar no autódromo, não existe qualquer tipo de informação sobre o que vai acontecer. Ao comprar ingresso, não deveríamos receber um folder com informações sobre as categorias, pilotos etc.?

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28 comentários em “Interlagos (ou ‘preparem-se que a história é longa’)

  1. Grande Sirelli. Bom saber que ainda existem torcedores de verdade, que vão nos autódromos só pra dar um gás na paixão… Eu sou dono de alguns cocares nesses anos todos de Interlagos. Lembro da época que dava pra entrar de carro na arquibancada, já que não tinha organização nenhuma, pelo menos a gente conseguia assistir a corrida quentinho de dentro do carro e, se estivesse ruim, era só deitar o banco e tirar uma soneca. Estive na primeira corrida da GT3 em Interlagos esse ano, passei um frio tremendo, mas valeu a pena. Ver o Emerson no Porsche foi muito legal. E vi também que ele curtiu a torcida lá, pois antes da largada todos foram andando pela arquibancada até ficar ao lado dele, pelo menos conseguimos mostrar que entre nós ele ainda é venerado como um campeão.

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  2. A GT3 tem tudo para ser um programaço…mas a Stock Bueno Car está tomando o lugar de tudo…antigamente tínhamos F-3 brasileira, F-Ford, Super-Vê, Turismo ( que seria a GT3 de hoje ) e a Stock, tudo corria, cada um com seu cada um e sempre tinha público. Eu consegui fazer oito largadas em uma categora chamada Formula Uno, que era um chassi tubular com carroceria de Uno Mille, motor 1500 cm3 com sistema de cooling e pré-turbo ( não chega a ser um turbo, mas aumenta consideravelmente a admissão). O bichinho chegava a uns 150 CV, com pneu 165…autódromo do Rio e Interlagos ( traçado antigo) lotadinhos.
    E aqui no Rio tinha o estadual de F-Vê, com motores VW 1600. Fiz duas largadas nessas baratinhas, para nunca mais na vida dirigir monoposto, que me pareceu até hoje a forma mais rápida de dar de cara com Deus repentinamente.

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  3. Sirelli:
    Belo texto, hein! Bom saber que daquela turma você está na ativa.
    Parabéns!

    Sidney:
    Acho que depois dessa epopéia o Sirelli deveria ser chamado para as quartas-etílicas

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  4. Parabens Gustavo… Hoje é praticamente impossível encontrar pessoas como vcs dispostos a rodar tanto em pró do automobilismo brasileiro, o que nos entristesse é quando ao chegar no autódromo não ter a infra estrutura mínima para passar um dia confortável para assistir todas as corridas do final de semana…
    Nós da Super Classic passamos por isso uma vez por mês nas etapas do Paulista, pagamos caro pela inscrição e mesmo estando do lado de cá do alambrado convivemos com banheiros sujos, uma cantina ridícula e as arquibancadas vazias…
    Mais afinal de conta o que vale é a aventura do passeio e ver as baratas acelerando…
    Abs.
    Renato

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  5. Gustavo, acredita que meu pai me levou algumas vezes a Jacarepaguá pra assistir as corridas, quando pequena? Eu ficava hipnotizada pelo zunido dos carros, pela aquela “dança” frenética na pista, pelo olhar aguçado que tinha que ter para acompanhar tanta velocidade.
    Sei lá porque ele achou que eu fosse gostar, eu só tinha uns 10 anos e minha mãe e madrasta nunca botaram os pés por lá, mas foi uma das coisas mais legais e diferentes que uma menina de 10 anos podia conhecer (e depois tirar onda com os amiguinhos…rs).
    Com o tempo, o circuito foi ficando tão desprestigiado e abandonado, e o meu interesse se desviando para outras praias (literalmente), que o dele também se perdeu.
    Bons tempo… Mas cara, homem émesmo um ser incompreensível para as mulheres (e vice-versa); acho que você jamais teria essa trabalheira toda pra ver uma mulher!!
    Zoação à parte, tb adoro o seu texto.
    Já foi lá dar uma olhada no DUAS (www.blogduas.blogspot.com)? Sei que é um homem “sensível” e que tanta “mulherice” não vai te assustar no meu bloguinho do coração… hehehe
    Beijo grande.

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  6. Guarde esse post meu amigo, vc foi visitado por um ícone do automobilismo brasileiro, Sr. Sidney Cardoso, dono do 1º Ford GT40 a andar por essas terras (o legítimo GT).

    Abraços

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  7. Olá Gustavo,
    Parabéns!
    Tb. vim pelo blog do FG e adorei suas histórias.
    Os cocares são sensacionais!
    Infelizmente, deverão ainda ser muito usados no acompanhamento do nosso esporte.
    Abs.,
    Hugo Borghi Fo. – Rio
    Brasília # 71 Superclassic

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  8. Olá Gustavo, bom dia. Também li o seu blog através do Flavinho e tenho que dizer o seguinte: nós, apaixonados pelo danado do automobilismo, fazemos qualquer sacrifício para ver os carros e lamentavelmente os organizadores e as “otoridades” não dão a mínima. Depois, quando a gente fala que autódromos bons mesmo no país são Interlagos e Pinhais – e olhe lá – muita gente fica batendo pezinho e fazendo beicinho. O Rio, até a doideira compulsiva do seu alcaide e do presidente do COB tinha, disparado, o melhor autódromo da América do Sul. Mas a CBA caiu no conto do vigário de uma nova pista e o Rio perdeu uma praça esportiva que, se era mal-tratada (e continua sendo, cada vez mais) pelos dirigentes, fez parte da história desse esporte que tanto amamos. Como você, comecei como arquibaldo em 1981, vendo a Fórmula 1 e depois dois “Racing Day” naquele mesmo ano com Hot Car (lembra?), Fórmula Fiat, Turismo Fiat, Fórmula 2 Brasil e Hot Dodge Regional. Saudades – muitas – daquela época. Parabéns pelo blog, visitarei sempre.
    Abraços!

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  9. Grande Sirelli! Belíssimo post! Também fui assistir à GT3 aqui em Brasília mês passado, a desorganização era tamanha, que só depois da corrida é que fui descobrir que eu precisaria ter comprado um ingresso pra ter acesso ao autódromo, porque eu simplesmente fui entrando a pé e ninguém me parou, e eu pensei, honestamente que a entrada era franca… não era! Mas enfim, concordo com suas afirmações, os carrões são show de bola, pena que fica todo mundo com medo de estragar os bólidos e as corridas são chatas de doer. Até mais!

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  10. Também conheci seu blog pelo do Gomes. Está certo que de monopostos nos sobrou apenas a F3, mas temos (ou tivemos recentemente) 4 categorias de Stock Car, F-Truck, Copa Clio, Maserati Trofeo, Porsche Cup, GT3 Brasil, Brasileiro de Marcas, Brasileiro de Endurance, e os mais diversos regionais. Interesse de pilotos em princípio há. Pelo princípio da cartolagem, ao se organizar tudo isso de forma clara, com a devida publicidade, daria um bom dinheiro. Pelo lado esportivo, fomentaria o esporte, traria diversão para o público. Mas do jeito que a coisa anda, daqui a pouco nem a TV por assinatura vai ter o que passar.

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  11. Caro Sirelli
    Vi a chamada pra seu blog – que não conhecia – no Flavio Gomes, vim ler e quero deixar meus mais entusiásticos parabéns!
    Você além de dominar a Língua Portuguesa com maestria – como FG – tem uma capacidade de observação e descrição maravilhosa.

    As cinco estrelas representadas com cocares foi ótima.

    (…) para quem não conhece autódromos, é preciso explicar que em nenhum, em qualquer lugar do mundo, é possível enxergar toda a pista. O que chegava mais próximo disso era Jacarepaguá, aquele lá do início da história e que César Maia e Carlos Nuzman destruíram (…). Concordo plenamente. Acrescentaria também Interlagos antigo, onde a visão não era total como o de Jacarepaguá, pois das arquibancadas perdia a Ferradura e Sargento, mais assistíamos quase tudo.

    Há alguns meses atrás Flavio Gomes propôs uma discussão sobre o esvaziamento dos autódromos e uma das minhas várias observações – não coloquei todas para não me alongar – foi de que a visão das arquibancadas ficou péssima com a modernidade.
    Não sou contra a modernidade, mas penso que seria possível inovar com a tecnologia que dispomos construindo os boxes subterrâneos com rampas para a pista, creio que assim a visão da pista poderia voltar a ser como antes. Do contrário é melhor assistir as corridas em casa no sofá pela TV como você disse.

    (…) Mas não dá para esperar muito público mesmo. Pouquíssima publicidade, mesmo na cidade onde acontece o evento (…).
    Havia detectado a mesma coisa. O óbvio só é óbvio para mentes preparadas.

    (…) Ao comprar ingresso, não deveríamos receber um folder com informações sobre as categorias, pilotos etc.? (…).
    O contrário a isso acontece nos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Lá o público recebe uma revista muito bem feita, percebe-se que verdadeiros profissionais fizeram extenuantes trabalhos de pesquisas. Esta revista chama-se: Rio, Carnaval e Samba. Ela contêm de forma leve, leitura agradável, bem diagramada, muitas fotos e riquíssimas informações sobre cada escola de samba, a origem do enredo, simbologia das alas, etc. Será coincidência que os ingressos se esgotem rapidamente? O engraçado disso é que os comentaristas das TVs usam-na para descrever os enredos, as alas, como se fossem eles os experts no assunto.

    (…) Além disso, apesar de grandes marcas envolvidas, nada para o público. Nenhum estande onde se pudesse comprar lembranças de qualquer tipo. Em resumo, nenhuma atração para o público nos intervalos entre as provas. O meu sentimento é que a organização se incomoda com a presença de torcedores e fazem de tudo para que ninguém volte. (…).
    Estive numa etapa da GT3 em Interlagos e pareceu-me que essa não é a intenção da organização. É burrice mesmo.

    Gostei de seu blog, adicionei aos meus favoritos. Estava para enviar uma foto para Flavio Gomes de uma volta de apresentação de uma corrida que participei realizada em 1970, com público enorme e o mesmo com os carros participantes, de tal forma que a foto não conseguiu capturar todos carros que participaram desta corrida, nela não aparecem os primeiros e os últimos por falta de espaço.
    Era meu desejo enviar essa foto pra ele e continuarmos a discussão sobre o porquê da falta de público atual nos autódromos, pois acho que se discutimos isso mais vezes creio que alguns dos organizadores e imprensa atual acabem lendo e, quem sabe, resolvam fazer uma experiência com nossas sugestões.

    Tenho estado com alguns afazeres extras com falta de tempo de vir aos blogs e fui protelando, mas lendo o que disse, concordando com tudo, você me reanimou a enviar esta foto para ele. Irei fazer isso agora, obrigado por esta injeção reanimadora.

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  12. Olá! Ótima história!

    Fiz algo parecido ano passado. Fui assistir à última corrida do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade lá em Interlagos também. O único problema foi com a mêcanica do carro na ida! Mas eu cheguei no sábado. Dormi no “hotel” que tem em frente! E tinha entrada garantida para os boxes também. Alíás, fica o convite de ir assistir a última prova do ano em novembro lá em SP. A entrada é franca para a arquibancada e 30,00 Reais para o Box. E as categorias Superbike(1000cc) Hornet(600cc) e 250cc não devem nada a qualquer categoria automobilistica do Brasil, nem mesmo à famosa StockCar ou à GT3! Se mudar de idéia quanto a fazer isso novamente ou tiver alguma outra coisa para fazer em São Paulo, me avise! De repente a entrada para os Boxes pode ser de graça também ;).

    Obs: eu prefiro assistir da arquibancada, do box ou ainda do pit wall não dá pra ver direito! Opinião minha…!

    Grande abraço!

    Gabriel Borges

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    1. Gabriel, quando tentamos encontrar um jeito de entrar nos boxes não era para aproveitar mordomias, mas para ver os carros de perto. Quando não tem aquelas superestruturas da F1 e (menos) da Stock, assistir da arquibancada no início da reta é excelente.

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  13. caro gustavo,
    moro ao lado do autódromo e fico incomodado com a falta de oragnização e a falta de respeito com quem vai assistir algum evento lá. A falta de informações básicas aos espectadores(horários,participantes,etc.)é vergonhosa. As vezes escuto algum barulho na pista e só consigo saber o q está acontecendo pela internet ou algum jornal ou revista, porque se eu for ao autódromo(e olha q é só atravessar a rua) será o lugar menos indicado para obter algum tipo de informação.
    parabéns pela coragem e um abraço.

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  14. Gustavo, apareça dia 26 e 27 deste la em Jacarepaguá, no Box 33, pra gente levar um papo,sou conhecido como Fitti, o carro é um Corsa #63, é só chegar, voçe é dos meus, ja fiz, varias vezes o que fez, Interlagos é um barato, mas, todas as vezes que fui, passei pelo que passou, em 1989 na F1, até mordida de cavalo da PM tomei, mas quem é apaixonado como nós, tudo é valido.
    Abço

    Fitti, Equipe SpeedRJ, Corça #63

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  15. Parabéns caras

    Vocês me fizeram lembrar do Matuza Joaquim e suas peripécias pelo Brasil atrás de corridas.

    Espero que tenham pelo menos gostado do circuito que foi reformado, e que não apaguem a paixão pelo Templo e pelo esporte.

    Anselmo / São Bernardo do Campo (tão perto e não pude ir, uma pena!)

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  16. Sou de Belo Horizonte e se não fosse o aniversário da minha patroa teria ido também!
    Pela imagem da arquibancada com certeza nos encontraríamos por lá!!!
    pelo menos agora já vou preparado e de posse da minha carteirinha da FUNAI,talvez com ela eu possa entrar nos boxes…

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  17. Primeiramente, parabéns pela coragem.
    Eu estou louco pra ir na GT3, mas, já sabedor de que, quase tudo ‘não pode’, assisto pela racetv.
    São carros de sonho e espero que a impressão de que parece que não quererem ninguém assistindo, não se confirme.
    No mais, excelente post.
    Fica chateado não, sábado que vem tem farnel em iNterlagos e vamos prestigiar a gloriosa Deka # 96. Vale a pena voltar e participar.
    Venham todos que a paulistada ficará feliz em recebe-los.

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    1. Reginaldo, infelizmente não dá pra largar tudo dois finais de semana seguidos. Sobre a despedida do 96, que nunca vi ao vivo, vou esperar os vídeos e me contentar com com a camiseta. Ontem no autódromo, falei sobre isso, que tava morrendo de vontade de ir a Interlagos ver a “velharia” andar, mas tinha desistido por causa da bagunça que fizeram com o regulamento… Fazer o quê? Quem sabe um dia os “organizadores” não se transformam em Organizadores? Abs.

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  18. Gostei do seu “diário de viagem”, estou acostumado a viajar e faz um bom tempo que não piso em Interlagos.
    É uma pena que o esporte a motor no país esteja se tornando um clube fechado, sem nenhuma divulgação na mídia ou interesse pelo público, depois não querem que a audiência seja pífia, o povo não liga mais para o esporte, até mesmo a F1 está caindo pelas tabelas só dando audiência quando tem algum brasileiro liderando o campeonato como está acontecendo agora.
    QUanto a Jacarepaguá, é lamentável, estou com um blog no ar a 4 anos denunciando essa lambança toda e acho que não adiantou nada, mas o blog está lá como documento da história toda.

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  19. Legal saber que ainda existem torcedores como vocês!
    Pena que os organizadores não enxergam essas falhas…

    abraço

    Edu Garcia
    Piloto
    Copa Clio # 6

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    1. Edu, obrigado pela visita. Não sei o que acontece nos bastidores, mas não é raro ver a turma reclamar de tudo o que falta e o que podia ser feito para melhorar. E os pilotos, o que podem ou poderiam fazer para pressionar a turma que manda? Abs.

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